quarta-feira, 19 de março de 2014

Sonho interrompido. Ou: Uma homenagem a Leidson Acácio Alves Silva


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Rodrigo Constantino

O leitor nunca deve ter ouvido falar em Leidson Acácio Alves Silva. Mas certamente está cansado de ouvir falar em Amarildo, não é mesmo? Leidson não desperta a mesma comoção popular, pois não cai nas graças das ONGs de direitos humanos e dos artistas e "intelectuais" da esquerda festiva. Mas sua trajetória é nobre, e muito triste:
Depois de vir de Minas Gerais para o Rio com a mãe e os três irmãos, ainda na infância, um desentendimento familiar levou o então adolescente a morar nas ruas. Neste período, ele chegou a trabalhar como camelô e borracheiro. Aos 17 anos, Leidson só tinha cursado até a terceira série do Ensino Fundamental. Aos 23, apenas seis anos depois, já era cadete da PM. Além do supletivo que garantiu sua formação, ele também atuou como motorista de reboques na Operação Lei Seca prestando serviços para uma empresa privada.
Sua infância, infelizmente, não é exceção nas "comunidades" que alguns artistas gostam de enaltecer. Famílias desestruturadas, crianças abandonadas, adolescentes nas ruas, falta de ícones decentes para se espelhar. Mas Leidson não escolheu o caminho mais fácil. Não partiu para o crime, o tráfico de drogas, nada disso.
Ao contrário: quis batalhar, trabalhar, ser alguém. E aqui, uma vez mais, a esquerda caviar mostra que vive em uma bolha. Pois quem salvou Acácio deste rumo perdido foi... uma pastora evangélica de Nova Iguaçu. Sabemos como os "intelectuais" que "não" têm preconceito algum nutrem profundo preconceito com os evangélicos. Nessas "comunidades", entretanto, muitas vezes a alternativa é entre o pastor e o traficante.
Seu sonho era entrar para o BOPE um dia, um sonho louvável, uma vocação. Esse belo sonho foi interrompido por um tiro na cabeça, disparado por traficantes durante patrulhamento no Parque Proletário. Acácio era subcomandante da UPP da Vila Cruzeiro. Sua ascensão profissional, assim como sua vida, foram abruptamente destroçadas pela covardia de criminosos que escolheram essa vida nefasta.
Enquanto a vida de Leidson Acácio acabava, junto com seus sonhos, provavelmente uma parcela não desprezível da "festiva" falava de Amarildo, entre uma carreirinha de cocaína e outra, ajudando a financiar os mesmos traficantes que mataram o policial.
Não esperem campanhas de apoio à família do policial, ou festas com gente famosa para levantar recursos para ONGs de seus companheiros em nome dos pobres. Esse pessoal costuma aparecer em cena apenas quando é para difamar a polícia e para defender bandidos.
Os honestos, do lado da lei, de origem muito humilde, mas que venceram os obstáculos e melhoraram de vida, esses não ajudam na narrativa de vitimização dos vagabundos que levam o terror a tantos inocentes, inclusive (e principalmente) aos mais pobres.
Mas saiba, Leidson, que sua morte não foi em vão. E aos seus familiares e amigos, saibam que seu sofrimento é compartilhado por milhões de brasileiros, uma maioria silenciosa, que não goza dos holofotes da mídia, com artistas famosos em campanha para dar destaque, mas que ainda assim lamenta profundamente a perda, e alimenta uma indignação com a impunidade e com a deturpação dos valores morais deste país, que trata bandido como vítima da sociedade e ignora aqueles heróis que combatem esses bandidos.
Rodrigo Constantino é Economista. Originalmente publicado na Veja em 15 de Março de 2014.

3 comentários:

Caio Germano disse...

EXCELENTE TEXTO !!!! RETRATA A REALIDADE NO BRASIL. A INVERSAO DE VALORES... CADE OS DIREITOS HUMANOS NESSA HORA, AS ONGS, O GOVERNO... NAO VI NENHUMA MANIFESTACAO, NAO QUEIMARAM NENHUM ONIBUS, NAO INTERDITARAM NENHUMA RODOVIA, NAO SAQUEARAM LOJAS, NAO DEPREDARAM NENHUM PREDIO. É... TEM COISA MUITO ERRADO NESSE PAÍS.

BRAGA disse...

PARABÉNS RODRIGO POR SEU EXCELENTE ARTIGO. DISSE TUDO.
ESSES FILHOS DA PUTA DA ESQUERDA FESTIVA, ONG'S, "INTELECTUAIS" E OUTROS NEFASTOS INDIVÍDUOS, TODOS "VAPOZEIROS", SÃO O REBUTALHO HUMANO QUE SUBVERTEM TODOS OS PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM A CONDUTA DEMOCRÁTICA E MORAL DE QUALQUER CIDADÃO DE BEM.
APROVEITO PARA TRANSCREVER O ARTIGO ABAIXO, QUE SE ENQUADRA NO CONTEXTO DO SEU:

“Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro”



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sylvio Guedes

É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas.

Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente.

Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon.

Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias.

Quanto mais glamuroso o ambiente, quanto mais supostamente intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco.

Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca – e brasileira, por extensão.

Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato. Festa sem cocaína era festa careta.

As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto.

Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas.

Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastaquera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.

Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado.

São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem famílias, arrasam lares, destroçam futuros.

Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir:

“Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro.” Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes.

Sylvio Guedes é Jornalista.

JOSÉ AIGUPTOS disse...

Informações chocantes são essas sobre esse jovem, as dificuldades que enfrentou para tornar realidade uma vida melhor. Também terrível o que lhe aconteceu finalmente, o que leva-me a continuar a propugnar pela pena capital para homicídios, crime doloso.