sexta-feira, 11 de abril de 2014

Antiga Forma


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Dora Kramer

Falar de assuntos espinhosos de maneira direta e transparente não é com ele.
Portanto, não seria de esperar mesmo que o ex-presidente Luiz Inácio da Silva abordasse o tema Petrobrás da perspectiva dos negócios nebulosos feitos pela estatal no governo dele e que agora estão sob a mira do Ministério Público, Polícia Federal, Tribunal de Contas e Congresso Nacional, na entrevista dada ontem a um grupo de blogueiros.

Lula passou ao largo das dificuldades objetivas que o governo enfrenta para se concentrar na exposição dos detalhes de uma agenda que permita ao PT e ao Planalto sair pela tangente na superação dos obstáculos.

Falou basicamente para a militância, ressuscitando teses caras ao partido, como o controle social dos meios de comunicação, vocalizando o discurso da altivez petista - "não podemos baixar a cabeça" - seguindo o lema "nós" contra "eles".
Inspirado na própria experiência de 2005/2006, quando saiu da defensiva em que seu governo foi jogado devido ao escândalo do mensalão e partiu para a ofensiva que o levou à reeleição, Lula aconselhou o PT a "ir pra cima" dos adversários para evitar a CPI da Petrobrás.

Sabe como são essas coisas. Lembrou ao partido que a CPI do Mensalão começou com uma investigação sobre "pagamento de propina de R$ 3 mil (nos Correios) e acabou no PT". Quer dizer, o problema foi que os petistas não abafaram o caso a tempo e a hora.

O presidente anunciou que não será candidato. Isso na abertura da entrevista. No fim, já não apresentava a mesma convicção, afirmando que só o "futuro" pode responder a perguntas hipotéticas. Lula atende, assim, a três objetivos: de um lado aparentemente reforça a presidente Dilma Rousseff, de outro não mata de todo as esperanças dos que o querem de volta na disputa agora e ainda mantém a oposição tensa.

Inclusive porque deu um aviso aos navegantes: pôs fim à sua fase de silêncio e vai começar a dar palpites em público até para a presidente ("acho que assim posso ajudar na eleição"), vai viajar com Dilma e vai voltar a falar sem parar.

Evidentemente, sempre dentro de uma ótica própria que não necessariamente guarda relação com a realidade. Como a versão apresentada ontem para o aumento da percepção negativa sobre o governo Dilma.

Não tendo como negar os números das pesquisas, depoimentos de gente que recebe no Instituto Lula e reclamações de petistas, o ex-presidente elegeu um responsável pelo mau humor generalizado: o mensageiro.

Segundo ele, "a massa feroz de informação deformada" produzida pelos meios de comunicação é responsável pelas agruras em série que assolam o governo. Para isso, recomenda dois remédios.

De imediato, "uma política agressiva de comunicação, com a ocupação de todos os espaços". Como se o governo ocupasse poucos. Mais adiante, a retomada do debate sobre o marco regulatório, também conhecido como controle social da mídia, em português claro traduzido como fiscalização governamental do conteúdo produzido por jornais, revistas, rádios e televisões.

Esses temas, Dilma como presidente não pode defender, mas Lula como cabo eleitoral, comandante em chefe do PT, pode.

Da mesma forma, ela não poderia - sem gerar uma crise com o Congresso - voltar a defender a Constituinte exclusiva. Mas Lula pode. Como fez na entrevista, ao defender as teses caras ao PT na reforma política, a começar pelo financiamento público de campanha.

Mensalão tampouco é assunto que interesse à presidente abordar. Mas Lula o faz na maior sem cerimônia dizendo que a "verdadeira história" ainda está para ser contada, sem dar pista sobre o tom da nova narrativa.

O ex-presidente esquivou-se de críticas mais pesadas ao Supremo Tribunal Federal. Limitou-se a trafegar no terreno do politicamente incorreto ao dizer a razão pela qual indicou o ministro Joaquim Barbosa: "Eu queria um advogado negro e o currículo dele era o melhor".

Corre o risco de Joaquim achar que é racismo.


Dora Kramer é Jornalista. Originalmente publicado no Estadão em 10 de Abril de 2014.

2 comentários:

Anônimo disse...

A duas únicas perguntas que o mequetrefe tem responder. la. como ficou rico do dia para noite juntamente com seu filho sem ter dado nenhum passo na direção dessas riqueza inexplicável como cidadão comum? Qual essa explicação notável porque todos os brasileiros gostariam de trilhar esse caminho.
2a. pergunta como o pt falido antes do mequetrefe ser eleito pela primeira vez arranjou tanto dinheiro para pagar advogados de primeira linha para achar respostas para o que não tem resposta. Caso rosemere, tranquafiado nos porões de planalto e enterrado na justiça pelos advogados de porta de xadrez que estão sempre esmiuçando a constituição para abrir a porta. Essas e outras perguntas que nunca foram respondidas e estão guardadas a 7 chaves precisam ser respondidas antes do 9 dedos ousar se candidatar ao que quer que seja neste pais. O povo trabalhador, honesto e que paga seus impostos não vive pelas diretrizes dos ptbostas que se acham acima da lei e realmente estão com o estado todo tomado pelos defensores dos ptbostas, pmdbostas e seus partidos de aluguel. A gaiola das loucas tem que ser despedida pelo povo brasileiro. Pais unido e pais forte. Vamos a luta enquanto não nos amordaçam e botam um numero como no campo de concentração. E isso que a pelegada quer. Dar bolsa isso e aquilo e cala boca para manter o curral. Quem viver vera.

Anônimo disse...

Esse molusco é mesmo um ditador filho da puta, que quer o poder e que se acha o dono da verdade. Tem que cair a blindagem que permite que ele continue impune, fazendo do país a sua latrina. Se acha um grande pensador e estadista. É um monte de estrume fedorento. Molusco vá para o inferno.