quinta-feira, 10 de abril de 2014

O General


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jacornélio M. Gonzaga

Chegou o general da banda,he He / Chegou o general da banda,he a,he a /
Chegou o general da banda,he He / Chegou o general da banda,he a,he a
Mourão mourão / Vara madura que não cai
Mourão, mourão,mourão / Catuca por baixo que ele vai,

No carnaval de 1949, a marchinha “General da Banda”, cantada pelo afro-descendente Otávio Henrique de Oliveira, que à época podia ser apelidado de Blecaute, foi a grande vitoriosa. O sucesso foi tão grande que Blecaute ficou conhecido como “General da Banda”, tendo passado a empreender suas diversas apresentações, fantasiado com uma caricata farda de general.

A vacância do honorífico posto ocorreu em 1983 e, vinte e quatro anos depois, no período de julho de 2007 a agosto de 2011, justiça seja feita – fora dos festejos momescos, tivemos um ministro da defesa que insistiu imitar Blecaute, andando fantasiado de General, até no exterior.

Ultimamente, outro truão, usando o nome de Mário Márcio Von Brenner, posta fotos na Internet, farda-se incorretamente, mistura brevês, cria uniformes e se diz membro uma tal ORDEM NEGRA.

Resolvi pesquisar e encontrei um hilário depoimento a respeito de nosso rocambolesco saltimbanco:

1. O estudante:

O Gen MM ou Duplo M para os amigos (MM é o apelido dele desde a época de Colégio Militar e Escola Preparatória, significa Muito M ou M dupla – o que significará esse M?) é um combatente de escol. Inteligência brilhante. Foi o primeiro colocado na AMAN, na ESAO e na ECEME (tríplice coroado). Só não foi o primeiro colocado no CPAEx, porque aquele curso não faz tal distinção. Como cadete foi considerado MCVP (Melhor Combatente do Vale do Paraíba).

2. O Guerreiro empreendedor:

Fizemos juntos o curso básico pára-quedista, o de Comandos e o de Forças Especiais. Pelo incentivo, devo ao MM a conclusão de pelo menos dois desses cursos. No posto de Tenente, logo após concluir em primeiro lugar o Curso de Guerra na Selva, abriu em Manaus uma Escola de Ordem Unida, a fim de preparar, já na vida civil, os futuros recrutas. Após o término, também em primeiro lugar, do curso de Guia de Montanha, deu andamento ao seu velho sonho de adestrar o pessoal civil: construiu a primeira pista de obstáculos (Pista Rondon) nas cercanias do Lago da Pampulha, em Belo Horizonte. Após a ESAO, o "Duplo M" foi fazer o CAVANF, junto com os Fuzileiros Navais, onde aproveitou para fazer os cursos de Comandos Anfíbios (COMANF) e mergulhador de combate. Adivinhem qual foi a colocação dele nos dois cursos? Esta experiência junto à Marinha do Brasil deu-lhe embasamento para criar, no Rio de Janeiro, a primeira ESCOLA DE GUARDA-VIDAS DE PISCINAS PÚBLICAS E PARTICULARES. Vale ressaltar que entre seus alunos avultam de importância nomes como o de César Cielo, Poliana Okamoto e Thiago Pereira.

3. O operacional Oficial de Estado-Maior / Comandante intrépido

Após o Curso da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, o MM serviu como Oficial de Operações, na 319ª Brigada de Infantaria de Praia, na 101ª Brigada de Cavalaria Leve Helitransportada, na 8ª Divisão Aero terrestre, no 2º Corpo de Exército de Selva Mecanizado Aerotransportado e no V Exército de Campanha. Participou também de diversas Missões de Paz da ONU (Angola, Timor, Arábia Saudita, Vietnan e Somália). Como Oficial-General comandou a 1ª Brigada da Guarda Presidencial – Brigada Caio Otaviano Júlio Turino, ocasião em que tentou derrubar o então Presidente da República (Lula). O golpe foi abafado e o Gen MM foi passado para a reserva. Este é um resumo da história militar do meu amigo MM.

Assina: Manuel Sampaio Cabrita de Lima e Silva - Cel Inf QOE do EB

4. Conclamando seus “seguidores” (março de 2014)

“A partir de agora, coloco a minha vida a serviço da pátria e convoco a todos os brasileiros de bem que reflitam sobre o nosso futuro e se posicionem contra este governo, contra as pessoas que traem a nossa pátria vilmente sem medir esforços para se manterem no poder”

Comentário: se este cômico sacripanta fosse um general, teria colocado sua vida à disposição da Pátria, lá nos idos dos anos sessenta, quando da assinatura de seu contrato de trabalho (juramento solene) e não “a partir de agora”. FARSANTE!

Burlesco General da Banda MM Von Brenner (sem querer ofender a memória do saudoso Blecaute) leia e medite sobre a mensagem de um verdadeiro chefe, proferida hoje, nove de abril de 2014, quando da saudação aos novos generais do EB, aquele mesmo e velho EB dos Costa Machado, dos Villlas Bôas, dos Etchegoyen, dos Albuquerques, e por aí vai:

 “O exercício da autoridade, particularmente para dissuadir intenções hostis, não combina com flacidez de normas nem com tolerâncias. Tolerância, nesses casos, não é uma virtude. No convívio diário, em situação de normalidade, até pode ser. No emprego de Força Armada, não o é. Tolerar é fazer vista grossa ao erro, é ser indulgente com a transgressão, é suportar magoado. Tolerar é aguardar que a indefinição e o tempo resolvam o problema. O tolerante não pratica a justiça, trata igualmente desiguais, afrouxa a disciplina, compromete a hierarquia, desagrega a coesão, inibe o espírito de corpo e amplia o risco.”

O belo texto ainda contém outras pérolas, das quais ressalto: “A coragem continua sendo o principal atributo do chefe militar. Tendo coragem, as outras virtudes serão potencializadas.” Seguramente, são ensinamentos repassados pela história e pelas Escolas Militares por homens que fazem parte, com seus cognomes, do enredo da vida e da lembrança de seus instruendos: Alexandre, o Grande; Cipião, o Africano; Caxias, o Pacificador; Osório, o Legendário; Flávio, o Cheira Bosta; Mário, o Mico, Wilber, o Orangofrango; Moraes, o Micuim; Moretti Guedes, o Verdinho; Araujinho, o Sete Facas; etc...  Nenhum deles, certamente, pela sua coragem, após comandar e cumprir mais de cinqüenta anos de serviço, passou ou passará à história como  "o Tolerante".


Jacornélio, o Aspudo, é recalcado com a profissão militar, tendo em vista ter sido julgado INCAPAZ C (CID 010.0), na Comissão de Seleção Volante. Revisão: Paul Essence e Paul Word Spin (in memoriam). Brasília, 09 de abril de 2014. e-mail: jacornelio@bol.com.br e jacorneliomg@gmail.com

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