quarta-feira, 18 de junho de 2014

Carta Aberta à Presidente Dilma

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Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Vera Cascaes de Souza

Exma. Senhora Presidente Dilma: Ouso chama-la, corretamente, de Presidente. Desde o começo achei “Presidenta” péssima ideia, arrogância incontida e rima infame.

Não votei na senhora, mas torci que conseguisse fazer uma boa administração. Acreditei no seu propósito de fazer um governo sério, de colocar “a casa em ordem”. Dizem que nós, mulheres, temos vocação nata para a organização; imaginei que seria mais sensível às causas que tocam à população como educação e saúde. Apesar de tudo, acreditei. Acreditamos, senhora Presidenta.
Aos poucos, a decepção tomou conta da esperança e atualmente o que sinto é uma enorme mágoa – e vergonha.

Hoje cedo assisti ao vídeo de uma jovem nordestina dando à luz, na escada de acesso de um hospital. Senti-me humilhada como aquela moça de vestido vermelho que deita, agarrada a grade, enquanto uma enfermeira retira-lhe a calcinha, para que nasça ali, sem nenhuma folha de papel para ampará-lo, mais um filho desse descaso que sua administração se transformou.

Francamente, gostaria de saber o que a senhora sente quando assiste – se é que assiste – essas imagens que ultimamente são tão comuns. O fotógrafo que morre na calçada de um hospital sem que ninguém se mexa para dar-lhe uma chance de sobreviver ao ataque cardíaco fulminante. E outros tantos que mostram a desgraçada falta de atenção do seu governo, Presidente.

A senhora sabe quanto se gasta com assistência médica TOP para quem faz parte de sua equipe? Ou do Congresso? Como pode alguém do Partidos Trabalhadores, que se gaba de ter sofrido tortura por lutar pelos direitos do povo, admitir tamanha diferença? Como? Em algum momento a senhora pensou no quanto precisamos de investimento em educação e saúde?

O que a senhora sente quando uma criança morre num hospital sem exames, sem medicamentos?
Alguém me diz que não deveria dizer-lhe essas coisas, que é uma “falta de respeito”. Não, Excelência, não é. Falta respeito não a mim, mas a todos que sangram a saúde pública sem dor ou remorso. Falta respeito pelo povo brasileiro quando vemos uma estrada, tão fundamental para essa região esquecida, se transformar num mar de lama.

A senhora lembra que o ex-presidente Lula da Silva com o intuito de elegê-la, incluiu as Rodovias Transamazônica e Santarém Cuiabá nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A terceira maior rodovia do Brasil, com 4 223 km de comprimento, deveria ligar a cidade de Cabedelo, na Paraíba, à Lábrea, no Amazonas, cortando sete estados: Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão Tocantins, Pará e Amazonas – nesses dois, permanece, desde 1972 (42 anos!) sem pavimentação em 90% do trecho.

Os seus estádios são lindos, mas a senhora teria coragem de fazer uma viagem pela Transamazônica? Nem eu, mas a senhora deveria ter pelo norte do (seu) país a mesma crise de responsabilidade que a levou a investir em Cuba – onde ninguém jamais votou ou votará na senhora.
Não engrossaria o coro que lhe dirigiu palavrões. O que eu e um número descomunal de brasileiros, sentimos é muito maior.

Aos poucos o povo foi perdendo, inclusive, o respeito à si mesmo. Pode parecer-lhe que cada pobre deste país tem um preço; saiba que um dia, de alguma forma, irão cobrar-lhe por transformar pessoas que queriam trabalho e cuidados básicos, em pobres profissionais, vivendo dos benefícios que a senhora multiplica, sem dar-lhes chance de conquistar sustento próprio e familiar dignamente. A senhora os sentenciou à dependência, condenou-os a um destino que não permitirá que cresçam ou progridam.
Vivemos à beira de uma convulsão social, o que acontecerá nos próximos anos, com a conta que a Copa deixará como herança?

O que podemos esperar da sua “Política Nacional de Participação Social”, que não cai bem a quem deveria defender a democracia?

Raiva, Presidente, pode levar alguns ao xingamento. A decepção, por outro lado, não permitirá que muitos a esqueçam.

Que vergonha, Presidente.


Vera Cascaes de Souza é Cidadã.

4 comentários:

Loumari disse...



Aprendendo a Viver

Thoreau era um filósofo americano que, entre coisas mais difíceis de se assimilar assim de repente, numa leitura de jornal, escreveu muitas coisas que talvez possam nos ajudar a viver de um modo mais inteligente, mais eficaz, mais bonito, menos angustiado.
Thoreau, por exemplo, desolava-se vendo seus vizinhos só pouparem e economizarem para um futuro longínquo. Que se pensasse um pouco no futuro, estava certo. Mas «melhore o momento presente», exclamava. E acrescentava: «Estamos vivos agora.» E comentava com desgosto: «Eles ficam juntando tesouros que as traças e a ferrugem irão roer e os ladrões roubar.»
A mensagem é clara: não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, pois só na sequência dos agoras é que você existe.

Cada um de nós, aliás, fazendo um exame de consciência, lembra-se pelo menos de vários agoras que foram perdidos e que não voltarão mais. Há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito, há momentos na vida em que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.
Ele queria que fizéssemos agora o que queremos fazer. A vida inteira Thoreau pregou e praticou a necessidade de fazer agora o que é mais importante para cada um de nós.
Por exemplo: para os jovens que queriam tornar-se escritores mas que contemporizavam — ou esperando uma inspiração ou se dizendo que não tinham tempo por causa de estudos ou trabalhos — ele mandava ir agora para o quarto e começar a escrever.

Loumari disse...

Impacientava-se também com os que gastam tanto tempo estudando a vida que nunca chegam a viver. «É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos que começamos a saber.»
E dizia esta coisa forte que nos enche de coragem: «Por que não deixamos penetrar a torrente, abrimos os portões e pomos em movimento toda a nossa engrenagem?» Só em pensar em seguir o seu conselho, sinto uma corrente de vitalidade percorrer-me o sangue. Agora, meus amigos, está sendo neste próprio instante.

Thoreau achava que o medo era a causa da ruína dos nossos momentos presentes. E também as assustadoras opiniões que nós temos de nós mesmos. Dizia ele: «A opinião pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos.» É verdade: mesmo as pessoas cheias de segurança aparente julgam-se tão mal que no fundo estão alarmadas. E isso, na opinião de Thoreau, é grave, pois «o que um homem pensa a respeito de si mesmo determina, ou melhor, revela seu destino».

E, por mais inesperado que isso seja, ele dizia: tenha pena de si mesmo. Isso quando se levava uma vida de desespero passivo. Ele então aconselhava um pouco menos de dureza para com eles próprios. O medo faz, segundo ele, ter-se uma covardia desnecessária. Nesse caso devia-se abrandar o julgamento de si próprio. «Creio», escreveu, «que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força.» E repetia mil vezes aos que complicavam inutilmente as coisas — e quem de nós não faz isso? —, como eu ia dizendo, ele quase gritava com quem complicava as coisas: simplifique! simplifique!

Clarice Lispector, in Crónicas no 'Jornal do Brasil (1968)'
Tema(s): Viver Ler outros pensamentos de Clarice Lispector

Loumari disse...




Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam.

Mas, ajuntai tesouro no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.

Porque, onde estiver o vosso tesouro, ai estará também o vosso coração.

A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso.

Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! (MATEUS 6:19)

Anônimo disse...

Vera não seja pessimista a Dilma inaugurou uma obra sim em seu governo um porto, mas foi em cuba.