terça-feira, 24 de junho de 2014

Liberalismo ou Imperialismo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Adriano Benayon

Ao nos ocuparmos das questões nacionais, não devemos nos precipitar, pois há pressa, e não se deve desperdiçar tempo em assuntos e discussões de importância secundária.  A situação é grave demais para que se tire o foco do que interessa.

Um tema que não deveria merecer muito gasto de nossa energia são as eleições presidenciais.   Em artigo recente, “Eleições e Modelo Dependente”, escrevi: “O real sistema de poder manobra sempre para que todos os candidatos com chance de chegar ao 2º turno estejam comprometidos com a realização destes objetivos: ampliar e aprofundar a desnacionalização da economia, desindustrializá-la, servir a dívida -  inflada pela composição de juros absurdos – e  propiciar ganhos desmedidos às grandes empresas transnacionais.”

Portanto, com  qualquer “eleito”, a vitória será do sistema imperial e de saqueio, comandado pela oligarquia financeira angloamericana, através de carteis transnacionais e coadjuvada por concentradores locais.

Sessenta anos de atraso tecnológico aumentando e crescente perda de autodeterminação política e econômica geraram condições deterioradas de vida no País. 

Essa deterioração tem sido acompanhada por doses maciças de desinformação, sendo a natural revolta popular manipulada por opositores diretamente vinculados àquela oligarquia financeira e principalmente por entidades controladas por esta, que agem para desestabilizar a presente gerência petista.

Esta, na verdade, atende ao sistema de poder da oligarquia, contra o qual a revolta deveria se dirigir.  É como culpar só o gerente do restaurante que manda servir alimentos estragados e que, se não o fizer, será sumariamente demitido. 

De qualquer forma, não é tolerável  a lesividade das  políticas do atual governo, como: 1) os leilões do petróleo; 2) o agravamento da situação do setor de energia elétrica no quadro de um sistema predador, que se diz “de mercado”; 3) as parcerias público-privadas; 4)  novas elevações das absurdas taxas de juros dos títulos públicos, que sangram o Tesouro, em favor dos concentradores financeiros.

Há que denunciar também a continuidade:

1) das alienações de terras usadas predatoriamente, em grandes plantations,  para exportação; 2) da extrema desnacionalização da economia; 3) do favorecimento aos carteis transnacionais, praticantes de preços extorsivos e de transferência; 4) da liberdade de exportação, com baixa ou nula tributação, de inestimáveis recursos minerais, preciosos  e estratégicos, inclusive o nióbio, em que o pouco caso com os interesses nacionais recebe o  aval da CODEMIG,  estadual de Minas Gerais.

Entre os crimes mais graves das gerências petistas estão como os decretos e medidas para  liberar as sementes transgênicas e os agrotóxicos a elas associados.  A urgente proibição dessas sementes tem de ser exigida nas mobilizações populares sem as quais o processo de desintegração do País não terá solução de continuidade.

Mais de 800 cientistas de 82 países assinaram carta aberta, na qual pedem a suspensão imediata das licenças ambientais para cultivos transgênicos e produtos derivados, tanto comercialmente como em testes em campo aberto, durante ao menos cinco anos.


Eles proclamam: “as patentes dos organismos vivos, dos processos, das sementes, das linhas de células e genes devem ser revogadas e proibidas.”

Apontam agrônomos e biólogos: "Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, nem reprodução da flora; sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana."

Isso não é  pouco, e  há mais que isso. Os cientistas confirmam que os cultivos transgênicos prejudicam os agricultores, inclusive por envolver o  aumento do uso de herbicidas e o empobrecimento do solo. Ademais, intensificam o monopólio das grandes empresas sobre os alimentos, o que está levando os agricultores familiares à miséria e impedindo a  segurança alimentar e a saúde no mundo.

Até mesmo nos EUA e no Reino Unido, fontes do próprio Estado  reconhecem o perigo dos transgênicos para a biodiversidade e a saúde humana e animal. A transferência horizontal de genes acarreta a difusão de genes que tornam incuráveis as doenças infecciosas e  criam vírus e bactérias causadores de doenças e mutações capazes de provocar o câncer.

Liberalismo ou imperialismo?

A oligarquia financeira mundial tem investido no Brasil – durante mais de um século, de forma crescente -  na (de)formação de opiniões e na deseducação, gerando confusão mental e animosidade entre grupos sociais e indivíduos, associadas a doutrinas e ideologias.

Os saqueadores e seus adeptos -  remunerados ou não -  encobrem a verdadeira natureza das  políticas que realizam o saqueio imperial, fazendo que até mesmo os críticos delas as qualifiquem de liberais e neoliberais.

Esses nomes não costumam causar repulsa geral e até  exercem atração sobre as pessoas que os associam a termos da mesma raiz, como “livre”, libertário”, “liberdade”.  Palavras  bonitas e antigos ideários das revoluções francesa e norte-americana, que  passaram a ser evocados por mentores das políticas de escravização através da economia.

Do mesmo modo que as oligarquias nos países centrais, os defensores, no Brasil,  dos privilégios aos carteis transnacionais e de seus contatos coloniais ou semicoloniais também se dizem e são chamados de (neo)liberais. 

Então, o que, na realidade, não passa de mera apropriação dos recursos naturais e dos frutos do trabalho de um país, fica sendo discutido como se fosse questão doutrinária.

O engodo é ainda maior, porque se atribui aos liberais ser contrários à intervenção do Estado, e porque a grande maioria das pessoas ignora que atualmente, na maioria dos países, o Estado é controlado pela oligarquia e que ele intervém, em favor desta, nas finanças e na economia.

Por causa disso - mas sem que o público perceba que é por isso -  o  Estado comporta-se como insaciável coletor de impostos e taxas, sem prestar serviços, nem investir bem, nem assegurar direitos sociais básicos.

A própria incompetência adrede instalada no Estado, serviu para fazer aumentar ainda mais a concentração predadora, através das privatizações.

Essas estão sendo desfeitas em alguns países como Rússia e França, enquanto no  Brasil o Estado só aumenta de tamanho como repassador de recursos a concentradores estrangeiros e locais.

Antes, tivemos excelentes avanços tecnológicos em estatais, mas elas foram sendo minadas para “justificar” as privatizações. Tudo em nome da “livre” iniciativa, na qual  carteis e monopólios sufocam a iniciativa, impedem a concorrência e apropriam-se das poucas tecnologias não impedidas de surgir.

Entretanto, nenhum país se desenvolveu sem a liderança do Estado, o único instrumento de a sociedade organizar-se para evoluir e defender-se, papel que ainda desempenha em alguns países, ainda que nem sempre a contento geral. 

Sem o Estado a seu serviço, a sociedade  transforma-se em massa amorfa, composta por indivíduos sem personalidade e sem liberdade alguma, como ocorre no grande número de países dominados pela oligarquia financeira mundial, inclusive em suas sedes -   EUA, Reino Unido.

Assim, as instituições formalmente democráticas, mesmo quando não violadas por desestabilizações e golpes de Estado, ficam sob controle daquela oligarquia. Os “governantes” são prepostos ou acuados.

De fato, não existe democracia sob regimes que não estabelecem limite à concentração econômico-financeira.  A falsa que temos aqui leva à convulsão, com chance de o que vier depois, levar à guerra civil, à desintegração e a ainda maior submissão ao império mundial.

Portanto, nossa sobrevivência depende de os brasileiros não mais se deixarem pautar pela  agenda e pelos conceitos do império. Só começará a ser viabilizada, quando a consciência dos fatos deixar de ser obscurecida por ideologias,  e quando os brasileiros deixarem de repelir-se entre si por divergências de opinião, inclusive esquerda ou direita. 


Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

3 comentários:

glauco disse...

O Cara faz parecer que entende de economia, mas o que ele realmente sente é ódio pelos judeus que chama de oligarquia financeira transnacional. Dessa forma ele acaba não enxergando a realidade e transfigura ela para validar seu ódio.

Loumari disse...


Sr Benayon, sem querer lhe faltar o respeito, desculpa-me dizer-lhe que você fala muito, constitui larga página consernante o sujeito que o senhor aborda, e publica textos intermináveis, mas se lhe resumo eu, você contorna o verdadeiro culpado das acusaçoes que você profere. Que nos diga senhor Benayon, desde quando Odebrecht, Petrobras, Vale, são entrangeiras ao Brasil? Porque são estas próprias empresas brasileiras que desviaram fundos do Brasil para fora do país e em cumplicidade com o atual regime governamental, e depois reintroduzem os tais fundos como financiamento estrangeiro. E são estas mesmas empresas que financiam as campanhas eleitorais nestes ultimos 12 anos. Você quer falar a verdade, então, despe estas empresas para que se revele o que eles têm oculto baixo seus vestidos. O próprio brasileiro é que é o responsável do desmonoramento da economia nacional. O brasileiro se rouba a ele mesmo e depois grita: sou vitima da oligarquia financeira transnacional. Por amor de Deus, um pouco de seriedade não faria mal ao brasiliero!!! TROP C'EST TROP;

wellingron disse...

Olha comentários desnecessários pois se pesquisarmos e lermos mais, todos os esses efeitos ditos acima ,as empresa transacionais estão por traz, recomendo a lerem o livro do professor não para termos de concordância, mais sim para temos de informar melhor, e ai sim termos senso critico apurado com raciocino logico ,mais os questionamento são validos , mais não sou nada nem ninguém mais uma coisa e certa vamos adquirir conhecimento e não ficar agarrados aos fatos pois elas são só uma distração.