quinta-feira, 31 de julho de 2014

As pesquisas eleitorais e a Bolsa de Valores


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arthur Jorge Costa Pinto

Sem dúvida, existem influências de expectativas políticas nos mercados financeiros globais. As cotações das ações oscilam com impetuosidade onde ainda existem áreas de tensões com conflitos inadmissíveis de ordem econômica, político e social, principalmente em regiões que apresentam grandes volumes atrativos de recursos naturais estratégicos.

Após o processo de redemocratização no Brasil, as pesquisas políticas têm influenciado diversos indicadores financeiros. O PT começou a sua ascensão nas eleições presidenciais de 2002, quando Lula foi escolhido como candidato oficial da seita inventada por ele e seus sócios-companheiros, revelando chances de vitória para ocupar a Presidência da República. Imediatamente, o dólar disparou, chegando ao patamar de R$ 3,99, o “risco país” bateu recorde de 2.400 pontos e o mercado reagiu visivelmente estressado. É uma das características dos mercados exagerarem no movimento de preço.

O clima de pessimismo, como acontece agora, era igualmente espantoso naquela época, pois, caso eleito, o candidato metalúrgico seria uma ameaça para o equilíbrio econômico, com descontrole nos gastos públicos, calote no pagamento de juros da dívida e adoção de reformas antiliberais, correndo o perigo de ser deposto após alguns meses de sua gestão; com isso, o nervosismo tomou conta do mercado e essas hipóteses foram denominadas de “risco Lula”.

Vitorioso, no pleito seguinte Lula conseguiu sua reeleição e, no outro, este “Creador”, com muita dificuldade emplacou sua “criatura”, apresentando-a como sua sucessora na continuidade das políticas antes implementadas.
Estamos no decorrer de um ano com eleições majoritárias no País; as expectativas políticas dominam com movimentos intensos o nosso mercado financeiro. A partir de março deste ano, tem sido convergente o pensamento dos analistas de que as pesquisas eleitorais se sobrepõem às perspectivas da economia, com seus fundamentos sendo conduzidos pelo mercado, ao menos, no curto prazo.

O mercado tem dado inúmeras provas de que repudia frontalmente a política econômica intervencionista de Dilma, pela forma inconsequente como ela vem sendo conduzido durante o seu mandato. Estamos sob uma forte ameaça de estagflação (estagnação em cenário de inflação), com possibilidades reais de um PIB negativo. Diante disso, instalou-se uma relação direta e inversa dos índices eleitorais e os da Bolsa de Valores - “Quando Dilma cai nas pesquisas, a bolsa sobe, e vice versa”.

O mercado rejeita Dilma, quer tirá-la do Planalto pela força das urnas e faz questão de expressar esta “genuína” intenção. A evidente rejeição do mercado é muito pior do que a rejeição dos eleitores, que também tem sofrido elevação nas últimas pesquisas, fazendo acender o sinal vermelho na campanha do PT, que enfrenta turbulências, com a nítida divisão entre os “lulistas” que demonstram ser a grande maioria e os “dilmistas”, uma minoria que mingua.

Confrontando-se com outros mercados financeiros, o bailado das cotações na nossa Bolsa demonstra acentuados indícios de que a disputa do pleito será acirrada, com as pesquisas atuais sinalizando um final imprevisível, com boas possibilidades do principal candidato da oposição sagrar-se vencedor. Talvez seja essa uma justificativa plausível para o descolamento da Bolsa brasileira, nos últimos meses, dos demais mercados emergentes.



Nos últimos quatro meses, o Ibovespa, o mais importante índice do nosso mercado de ações, subiu em dólar, aproximadamente 30%, praticamente o dobro da alta média verificada no mercado de emergentes. Em janeiro deste ano, partindo-se de uma mesma base, enquanto o indicador MSCI (criado pelo banco Morgan Stanley), destinado aos mercados emergentes, seguindo o índice S&P da Bolsa de Nova York, teve um crescimento até o final de julho superior a 5%, o MSCI Brasil chegou bem próximo de 15%.

É natural levantar-se suspeitas, uma vez que parte desse resultado se origina em um ambiente no qual o crescimento desacelera e a inflação acelera, atribuindo-se esta tendência a fatores externos da economia. Na verdade, atravessamos uma fase com dificuldades para produzir, comercializar e apresentar lucros crescentes, então por que os pregões encontram-se tão entusiasmados?

Em função disso, o UBS (banco global de investimentos privado) estabeleceu algumas variáveis, comparando o atual período de alta em nosso mercado de ações com as próprias tendências históricas, aliadas ao desempenho dos indicadores financeiros em outros emergentes. O resultado apresentado é que quase metade da diferença atual se deve exclusivamente a influências políticas, demonstradas nas pesquisas eleitorais e suas projeções para a eleição de outubro próximo.

Idêntico exercício foi realizado para as altas apresentadas atualmente nas cotações das ações da Petrobrás, Eletrobrás e Banco do Brasil, as grandes vedetes estatais do mercado de ações brasileiro, tendo elas a característica de serem bastante susceptíveis a uma maior exposição aos ruídos políticos e às projeções eleitorais. A conclusão foi que, nos últimos meses, dependendo do índice com o qual é feita a comparação, de 20% a 40% das altas além da curva “normal”, no Brasil, podem ser justificadas pelas percepções do mercado com as novas políticas a serem implementadas pelo novo governo do que pelo desempenho apresentado pelo segmento empresarial específico do momento.

Comenta-se que determinados investidores, em busca de maiores ganhos, compram papeis ligados a essas estatais controladas pelo Governo, já apostando na vitória da oposição nas eleições de outubro e, consequentemente, contribuindo assim para a elevação dos preços desses papéis no curto prazo – “quem chega primeiro ao poço bebe água limpa”.

A oportunidade cria um ambiente para estimular os exageros, para ambos os lados, permitindo duas situações interessantes e distintas - os investidores podem exorbitar nos seus investimentos em ações, em virtude das chances de vitória apresentadas pela oposição, até porque a visão do eleitor não está necessariamente associada à percepção do mercado e, a outra, quando se decepcionarem excessivamente no caso de um segundo mandato de Dilma. Portanto, poderá acontecer uma enorme alta (overshooting) com a oposição no Planalto e uma queda demasiada (undershooting) se Dilma continuar mais quatro anos. – “o poder da emoção é superior ao poder da razão”

Ultimamente, o mercado, nas vésperas de divulgação de pesquisas eleitorais, fica agitado e, algumas vezes, surgem boatos de uma possível queda ou alta dos índices de Dilma, o que fomenta ondas especulativas na Bovespa, proporcionando um ambiente adequado para a realização de lucros, no curtíssimo prazo.

Um exemplo bem atual - no dia 17.07 p.p., a ansiedade tomou conta da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) com a divulgação de que uma nova pesquisa apontaria uma queda da presidente Dilma na corrida eleitoral; o boato, disseminado, foi suficiente para contaminá-la imediatamente. Após cair durante boa parte da manhã, repentinamente, disparou, provocando uma alta de 800 pontos em aproximadamente 30 minutos logo no início da tarde daquele dia, até que terminou registrando uma pequena queda (0,14%) no fechamento do pregão. Para este acontecimento de causa e efeito, o mercado financeiro tem um forte sentimento- “a Bolsa sobe com o boato e desce com o fato”.

As pesquisas eleitorais propiciam a compreensão das tendências de opinião do eleitorado, que estarão geralmente determinadas por variáveis estruturais e conjunturais, concedendo ao processo eleitoral um grau de previsibilidade. A relação existente entre as expectativas de votos eleitorais e a Bolsa de Valores se dá pelo clima de incerteza que estamos vivendo e pela crença de que quando a economia vai mal, as intenções de voto nos candidatos governistas são afetadas negativamente e em candidatos da oposição, positivamente. O resultado da pesquisa eleitoral insinua possibilidade de mudança no poder, ou, simplesmente, um grande descrédito no atual governo.

A eleição presidencial 2014 será a principal “blue chip” da nossa Bolsa para os próximos meses e a permanência ou não da Presidente Dilma ditará o comportamento do mercado de ações para o próximo ano.


Arthur Jorge Costa Pinto é Administrador, com MBA em Finanças pela UNIFACS (Universidade Salvador).

Um comentário:

Loumari disse...

Arthur Jorge Costa Pinto escreveu:
Estamos sob uma forte ameaça de estagflação (estagnação em cenário de inflação), com possibilidades reais de um PIB negativo.



Senhor Pinto, estaglação? estagnação? Se somente fosse isso, com algo de cloro se eliminaria as batérias e as coisas entrariam em ordem.

Mas lamentavelmente a situação financeira e econômica de Brasil vai via a DEFLAGRAÇÃO. O que os brasileiros podiam realmente esperar em confiar a gestão da nação a uma pessoa que não é capaz de resolver nem sequer uma simples equação de quinta classe? E todos os poderes lhe foram colados nas mãos. E é ela que dita a temperatura de todas as coisas, que faz o sol, a chuva e vento? O que estou assistir de Brasil é o copiado e colado do Zimbabwe. Hoje Zimbabwe depois de pagar os salários dos funcionários so sobra na caixa do estado apenas 214 dolars. O país pode ser muito rico em recursos minerais, mas, não se pode explorar os tais recursos devido a falta de investimento em estruturas e infra-estruturas. E vamos ver que tudo o que é explorado como diamantes de Zimbabwe é tudo por meio de contra bando. E os contra-bandistas introduzem os diamantes no mercado legal fazendo transitar os diamantes por Serra Leoa. Lá os dealers fazem passar os tais diamantes por produto de Serra Leoa e exportado para Anvers-Bélgica baixo a lincença Kimberly de Serra Leoa. E quem controla todo o mercado dos diamantes? Os judeus. Os diamantes chegam na Serra Leoa, vão para o serviço de Geologia e Minas, lá são examinados, são referenciados, e passam para a caixa do tesouro onde se paga uma taxa de 3,50% do valor estimado para os diamantes industriais, e 5% para os diamantes preciosos. Para os que não sabem o que é diamante industrial, é o que é usado nos láseres. E um láser com este diamante corta tudo e seja de qualquer espessura. Arma dos assaltantes de cofres. E os tais diamantes são transportados em Falcon's 900 pilotados por angolanos. Me vão perguntar: há alternativa para desmantelar estes gajos? Vos respondo: NO WAY. Mas um conselho dou aos brasileiros: façam cair os embaixadores de Brasil. Tirem-lhes da sua zona de conforto. Para isso, há que deslesgitimar o regime com uma forte abstenção nas futuras eleiçoes presidenciais. Se o que constitui uma sociedade é um conjunto de cartas, então, os embaixadores são o jocker.