terça-feira, 23 de setembro de 2014

Barafunda de Cucarachos


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Ricardo da Rocha Paiva

Eis que, no rastro do MERCOSUL, foi estruturada uma UNASUL e, de supetão, um Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS). A simples menção do assunto, carregada de temor do que os outros possam pensar, prenhe de arraigado complexo de inferioridade e viciada pelo respeito humano das nações carentes de autoestima, acarretou intempestivo comunicado do então Ministro da Defesa Nelson Jobim: “O órgão não constitui uma aliança clássica nos termos da OTAN”, uma assertiva castradora, temerária, de miopia prospectiva e possuída do mesmo espírito infeliz que comandou a assinatura do TNP, causa maior dos gastos emergenciais, tiranicamente inadiáveis, com a compra de armamentos no exterior.

Acontece que estamos, sul-americanos, real e justamente carentes de um pacto naqueles moldes. Motivos defensivos não faltam, urgindo que os hermanos amazônidas se imbuam do fato da riqueza da grande região se espalhar também pelos seus territórios e de que os recursos do pré-sal podem ser abundantes, inclusive, nas camadas defrontantes de seus litorais. É evidente, porém, que uma organização com tal capacidade não se estrutura da noite para o dia, sendo vital que alcancemos pelo menos as condições de, no mais curto prazo, suspender o comércio de material bélico de mão única com os “mercadores da morte” encastelados no Conselho de Segurança/ONU, atribuindo ao Brasil, Argentina e, talvez, ao Chile, a tarefa de conduzir um projeto militar unificado, não convencional, de poder definitivo.

Assim, até que se atinja o consenso, é fundamental amadurecer politicamente povos que, ainda hoje, elegem caudilhos populistas atrelados aos ditames de um socialismo ultrapassado, urgindo solução que, aceita pelos envolvidos, viabilize neutralizar pontos/áreas/motivos de fricção existentes entre alguns países hispano-americanos. Com os óbices contornados, é vital que, à semelhança da aceitação pela UE dos arsenais ingleses e franceses como fiadores da segurança da Europa, os “hermanos” sul americanos absorvam a idéia que só serão fortes se perfeitamente integrados a um sistema de defesa que os nivelem, proporcionalmente, com o mesmo aparelhamento militar de dois ou três países cabeças de um pacto defensivo.

É lógico: o alcance deste nível em curto ou médio prazo é uma utopia. Por isto é imperioso que o País se antecipe e faça seu dever de casa estratégico, já que os poderosos leviatãs que nos espreitam não vão esperar por este desiderato. A propósito, uma coalizão de soldados universais superarmados já se retirou do Iraque, devendo evacuar o Afeganistão daqui em breve. Para onde irão estes senhores da guerra? Para a Coréia do Norte é que não será. Para o Irã, pelo jeito, já desistiram! Por que razão?

Enfim que o Brasil tome tenência e faça realmente o que deve com os tratados de limitação de armamentos que nos mantem submissos engolindo sapos. Não com um único submarino nuclear “não cuiudo”, do tipo “belo Antônio”, sem garras, daqueles que só fogem mais rápido e podem passar maior tempo escondido debaixo d’água. Isto não dissuade ninguém, muito pelo contrário, vai servir para exercício de tiro ao alvo para seus correspondentes não emasculados, pertencentes às armadas dos grandes predadores militares. Com a palavra o atual ministro da defesa.


Paulo Ricardo da Rocha Paiva é Coronel de infantaria e Estado-Maior na reserva.

3 comentários:

Loumari disse...

Soldado Paiva, vou lhe comunicar aqui uma informação que risca de lhe causar ainda mais dói dói.

Notei aqui no seu artigo fazendo alusão a França; sabe você qual é o Budget militar do exército de França? 34 milhares de Euros anual. E este Budget é fixo. Que o país esté em guerra ou não.

Recentemente acompanhei de fontes informativos franceses que o François Hollande nas suas reformas e na luta contra gastos públicos fez alusão em diminuir este Budget do exército, e você não tem ideia de qual foi a reação dos generais! Os generais convocaram o seu ministro da defesa e disse-lhe: se o governo nos diminuir o budget do exército nós todos daremos nossa demissão.

E o ministro da defesa Jean-Yves Le Drian escreveu uma carta para o primeiro ministro Manuel Valls e para o presidente François Hollande com as argumentações dos generais. E François Hollande recuou na sua perspectiva de reduzir o budget do exército e prometeu não tocar mais o sujeito. E o exército de França está a investir muito nos equipamentos de alta tecnologia em colaboração com a Airbus e com o grupo industrial de aviação e de armamento militar, "Dassault"


Saudação cordial

L. Paiva

Anônimo disse...

Vocês, militares, covardes, omissos e/ou coniventes, nos deixam indignados. Já estamos todos fartos dessas presepadas sem fim, dessas bravatarias ridículas da turma do pijama na reserva, em suma, dessa VEADAGEM. Enquanto os micos amestrados na ativa se omitem, o Brasil afunda. Covardes! Traidores!!!!

Anônimo disse...

Mas o cidadão quer saber a razão. Quais as reais vantagens de um submarino nesses moldes que, para nós, não poderia lançar mísseis nucleares, signatários que somos do vil TNP? Ah! Essa belonave é capaz de permanecer por muito mais tempo submersa, tem uma autonomia a perder de vista e pode engajar e desengajar o combate com rapidez inusitada. Todavia, o leigo não quer saber disso.

Para nós, marujos de primeira viagem que pagam impostos, queremos saber: qual a capacidade maior que se terá em termos de poder de retaliação ao oponente; se sua construção nos viabiliza o lançamento de mísseis, mesmo que convencionais, na situação de submerso. Em suma, como principais financiadores de uma nação armada, queremos e devemos exigir material que inflija danos ao inimigo e não apenas um tubo que nos permita fugir do combate como o diabo foge da cruz!

QUEREMOS O MELHOR PARA NOSSA MARINHA. QUEREMOS QUE ELA SEJA TEMIDA

E NÃO INTIMIDADA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

PRRPAIVA, INF/AMAN/1969