sábado, 25 de outubro de 2014

Estariam as esquerdas brasileiras em surto psicótico?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Lucas Berlanza Corrêa

Antes que algum complexado, baluarte do “politicamente correto”, direcione sua munição contra mim, lembro: um surto psicótico ocorre precisamente quando o sujeito começa a ter delírios e alucinações, a perceber a realidade de maneira desorganizada e manifestar comportamento e reações incoerentes. É bem verdade que amplos setores de nossa poderosa esquerda nacional agem assim, em maior ou menor medida, o tempo todo. Mas alguma coisa aconteceu nos últimos dias que deixou lideranças, militantes e usuários “avermelhados” de redes sociais em pitoresca e surreal polvorosa.

Como sabe qualquer um que não esteve em outro planeta nos últimos dias, as eleições não foram exatamente muito positivas para o pessoal do PT, PSOL e cia. O tucano Aécio Neves – que, como compreendemos perfeitamente, não é nenhum conservador, nenhum liberal clássico, nenhum “reacionário - amante da ditadura – comedor de criancinhas”, e sim um candidato da social-democracia moderada, com tendências ao social-liberalismo – foi para o segundo turno, com boas chances de derrotar a candidata petista.

O tucano Geraldo Alckmin foi eleito no primeiro turno em São Paulo, depois da “dura” que deu nos grevistas do Sindicato dos Metroviários. Independente das opiniões que tenhamos sobre certas posturas menos convencionais do dito cujo, o deputado Jair Bolsonaro, famoso por contrariar as agendas das minorias barulhentas, foi o mais votado no Rio de Janeiro, e todos os seus filhos foram eleitos nos respectivos estados. Além dele, matérias jornalísticas dão conta do aumento da presença de militares e lideranças religiosas no Congresso. Finalmente, o legendário Eduardo Suplicy foi “demitido” pela população paulista, ficando sem o cargo de senador.

Ditadura militar chegando? Um partido liberal-conservador forte assumindo o controle do país? Teocracia evangélica instalada no Brasil? Não, nada disso. Sequer os novos candidatos de ideias mais liberais, em sua maioria, foram eleitos. O que houve, felizmente, foi que eles, bem como todo o nascente movimento cultural que ressuscita essas ideias no campo político brasileiro, torceram as “pautas” do debate público em sua direção, firmando presença, e o radicalismo esquerdista, embora persista, perdeu parte de sua força. É uma vitória, sem dúvida, mas apenas o começo de uma longa batalha. No entanto, foi o suficiente para provocar as reações histéricas mais surpreendentes.

As redes sociais subitamente se tornaram palco da boataria mais desprezível, caluniando o presidenciável mineiro de todas as formas possíveis e imagináveis. Minha descrença na alegada “moderação” de muitos esquerdistas se tornou palpável. Muitas pessoas que se jactavam de um equilíbrio, apesar de suas posições “à esquerda” assumidas, partiram para o bombardeio irracional, tão logo perceberam que a social-democracia tucana (leia-se: o neoliberalismo privatista que destruiu o país – reduzindo astronomicamente a inflação!!) ganhou força na corrida pela presidência.

O estado de São Paulo, então, sofreu com as críticas mais pesadas. Enquanto eu saúdo o eleitorado paulista e bato palmas por seguirem sem jamais terem sido governados pela estrela vermelha, vejo pulularem em Twitter e Facebook ofensas abjetas ao povo da terra da garoa. Comparar o povo paulista a excremento pela sua opção eleitoral tem sido visto como uma normalidade, pelos mesmos que se insurgem contra qualquer comentário mais cômico com relação a nordestinos ou homossexuais. A indignação dos “companheiros”, como sempre, é de uma conveniência seletiva impressionante. As palavras de baixo calão que têm sido direcionadas contra os paulistas e contra todos que elegeram candidatos que não são socialistas fanáticos, então, são irreproduzíveis.

No Rio de Janeiro, votar no PSOL passou a ser o critério de honradez e ética. Votar nesse partido de teorias inteiramente absurdas e lunáticas se tornou a regra para ser uma pessoa de bem. Se você rejeita a imundície moral e lógica dessa legenda que crê fazer convergirem o socialismo e a liberdade, você é um retrógrado boçal - assim tem funcionado no estado.

Contudo, nada é mais representativo do que diagnosticamos do que a avaliação da cientista política e historiadora Maria Victória Benevides, professora aposentada da USP, relatada em matéria do portal Diário do Centro do Mundo. Ela se disse, vejam só, “desolada com São Paulo e preocupada com o Brasil” por conta do resultado das eleições. Nós também estamos desolados e preocupados, mas com a ideia de que as coisas continuem como estão, sob a hegemonia destrutiva dos “companheiros”.

Tecendo comentários sobre a eleição acachapante de Alckmin, ela o comparou ao regime militar no quesito “segurança pública”. “É o mesmo discurso e a mesma prática da ditadura, que sufoca o conceito de direitos humanos, desloca o seu sentido de acesso à educação, moradia digna, acesso a empregos, para uma rotulação torta de que defender direitos humanos é defender bandidos.” Ó, regime de 64, como a esquerda tem a agradecer a você! Será sempre a válvula de escape, o culpado-coringa que eles apontarão a qualquer momento, para qualquer coisa. Não importa que tucanos como Serra e FHC tenham sido seus opositores, alguns até exilados! Eles perpetuam o eterno e poderoso inimigo direitista que restringiu as liberdades e continua no comando do país – que é chefiado e sufocado pelo PT há doze anos!

É ou não é a mais notória das insanidades? Bastou um singelo movimento “à direita”, e nossos moderados viraram radicais, nossos “cidadãos de bem” viraram cúmplices de mentirosos contumazes, votar em comunistas se tornou imperativo de respeitabilidade e o país “que deve seguir mudando” se tornou um colosso reacionário de conservadores ignóbeis – eles, que são o povo a quem se diz amar e ajudar.

O momento serve para olharmos à nossa volta e, vendo a histeria ensandecida e as falhas de caráter, constatarmos como nunca que estamos do lado certo e, a julgar pelo desespero deles, pode tardar, mas venceremos.


Lucas Berlanza Corrêa é Acadêmico de Comunicação Social e Colunista do Instituto Liberal.

Um comentário:

Loumari disse...

A diferença entre o doido e o não-doido é que o não-doido não diz nem faz as coisas que pensa.
"Autora: Clarice Lispector 'Um sopro de vida'