quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Carta de uma vítima de 27 de novembro de 1935


“Nada aterroriza mais um comunista do que a Verdade”

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Fui um soldado da minha Pátria. Fui um daqueles que dormiam o sono merecido, após a labuta diária do quartel – talvez em Natal, Recife ou Rio de Janeiro – quando fui surpreendido pela foice da Morte, traiçoeiramente manejada pelos agentes do comunismo e da esquerdização do mundo, maus brasileiros que haviam sido ideologicamente desviados da estrada reta da honra, do dever e do patriotismo. E, ao cair do meu leito, convertido em um inesperado túmulo, minha mão, avermelhada de sangue que se esvaía dos ferimentos, ficou estampada na parede branca do alojamento, onde procurou derradeiro amparo...

Muita água da história brasileira passou sob a ponte do tempo, de 1935 até hoje. Em meio ao vai-e-vem dos acontecimentos políticos, cabe perguntar: o que foi feito da resistência brasileira à maré montante do esquerdismo, do comunismo e de suas atuais variantes, ao pseudo-socialismo democrático ou ao progressismo católico, aos marxistas de batina que pregam a Teologia da Libertação e o homem-novo?

A interpelação é pertinente e a pergunta tem procedência face à atual situação do Brasil a partir da Revolução de 1964. Nos idos de 1935, a ameaça esquerdista estava concentrada maciçamente nas organizações ligadas ao Partido Comunista, como a chamada Aliança Nacional Libertadora, instrumentos da União Soviética através da Terceira Internacional. Atualmente, a esquerdização tem placenta em várias matrizes no mundo inteiro. Infelizmente, todavia, isso não é facilmente visível pela maioria de nosso povo.

Não há como negar que os governos implantados pela Revolução de 1964 ofereceram um combate meramente policial à subversão, quando o verdadeiro campo de batalha é o cultural, uma vez que o comunismo é uma cultura, conforme já alertado por diversas vezes pelo professor, filósofo e jornalista Olavo de Carvalho em seus artigos. Nada se fez no campo das idéias. Esqueceu-se que a mão que maneja a bomba ou o revólver assassino é comandada por um cérebro intoxicado de idéias distorcidas e falsos valores, implantados por alguém na mente dos quadros terroristas.

A luminosa lição do poeta e liberal francês Victor Hugo foi deixada de lado: “Enquanto houver patetas que garatujem lérias, há de haver malvados que assassinem: enquanto um homem manejar com a pena as tolices frívolas, estas gerarão tolices atrozes”.

Não existe um sistema de idéias eficaz. A simples e pura negação nada constrói. Foi esse o erro fundamental do anticomunismo. Contra a tese esquerdista, deve proclamar-se a tese oposta, afirmativa, positiva, na qual a negação seja uma conseqüência lógica. A luta deverá obedecer a uma estratégia eficiente contra o esquerdismo, o comunismo e todos os matizes de vermelho. Essa é, no entanto, uma batalha que se situa na órbita da cultura. Nesse campo nada se fez e nada se faz no Brasil, excetuando-se as elogiáveis atividades de uma minoria ativa que não se corrompeu e não se entrega.

Nossos meios de comunicação – imprensa, rádio e TV – que deveriam ser chamados de meios de desinformação, apesar de serem propriedade de empresas burguesas e capitalistas, atraídas pelo suicídio e pela autodestruição, mantiveram-se todos esses anos, e até hoje, altamente permeáveis e penetrados pela subversão das idéias e pela desinformação.

O editorial ou o artigo assinado poderão não trazer a chancela marxista, mas esta se manifesta logo ali, ao lado, no noticiário, nas reportagens, nos comentários, nos títulos, nas palavras e expressões utilizadas, nas manchetes, moldando pela manipulação ideológica subliminar a estrutura mental do homem das ruas. São vozes da desinformação planejada, manobrando o inconsciente coletivo das multidões.

Em suma, cada órgão da imprensa falada e escrita no Brasil de hoje é um híbrido monstruoso: cabeça burguesa e capitalista que não consegue – ou não deseja – controlar um corpo redatorial marxista, além da reiterada reincidência na prática desonesta da desinformação que se transformou em regra geral. Exemplo disso são os atuais editores do jornal O Globo, que cinicamente escreveram que o apoio do jornal à Revolução de 1964 foi “um erro editorial”. Ora, o apoio à Revolução foi descrito em um editorial assinado por  Roberto Marinho, dono do jornal!

Ao falar em burguesia capitalista, tudo parece indicar que a brasileira já aceitou a suposta fatalidade esquerdizante, preparando-se seus integrantes para sobreviver, assim supõem equivocadamente, às custas da capacidade gerencial ou técnica e mesmo do poder econômico. Essa burguesia capitalista parece não conhecer a História! Alimentam um crocodilo na esperança de serem comidos por último!

Há capitalistas que não hesitam em investir nas esquerdas, auxiliando-as em suas empreitadas e fornecendo a corda com a qual serão enforcados. Há jovens burgueses, intelectualóides, que formam a esquerda caviar de Ipanema e alhures, sob os olhos complacentes de seus papais. A História ensina o destino desse tipo de esquerda: a guilhotina francesa de 1789, os fuzilamentos bolchevistas de 1917 ou o “paredón” de Fidel Castro e Che Guevara.

Há que falar também no teatro, no cinema, no romance e nas letras em geral, na música e nas artes plásticas, vezes sem conta transformadas em mensagens subliminares e freqüentemente contando com o apoio e subsídios oficiais do Estado. Esse mesmo Estado que almejam derrubar, ou melhor, “ultrapassar”, como dizem hoje.

As poucas e raras publicações, com minguada tiragem, que têm a coragem moral de opor-se ao caudal das esquerdas, são devoradas pelas dificuldades financeiras e a omissão de qualquer ajuda por aqueles que podem fazê-lo.
A educação nacional está traumatizada pelas sucessivas reformas que se inspiram nas esquerdas. A pedagogia da anarquia, da liberdade sem limites e sem freios para os alunos, de concessões e transigências inumeráveis constituem a atual política imposta por sucessivos ministros também esquerdistas. Um exemplo: em agosto de 2005, os jornais noticiaram que o então ministro da Educação, um petista, militante de uma corrente radical, recorreu a Cuba para erradicar o analfabetismo no Piauí!

O resultado é que a autoridade e a hierarquia são coisas do passado na universidade brasileira; a colegialidade abusiva corrói a instituição universitária como já corroeu a Igreja; o professorado continua a receber formação marxista; permanece o temor em encarar e resolver problemas que são arvorados em bandeiras de agitação; os regimentos acadêmicos são omissos quanto à conduta e disciplina dos alunos. O ensino da História e das Ciências Sociais são cátedras dominadas pelo marxismo barato e incompetente. 

Os Diretórios Estudantis e os Centros Acadêmicos foram transformados em células de AGIT-PROP - há muitos anos um feudo de partidos comunistas -, com excelentes verbas nos orçamentos universitários e viagens gratuitas em aviões da Força Aérea Brasileira. A indisciplina discente é generalizada e os poucos professores que não comungam com essa degradação são vítimas da eliminação social e do patrulhamento ideológico.

Se voltarmos as vistas para a Igreja, especialmente o clero e o episcopado ditos católicos, o quadro é demasiadamente claro e evidente para merecer maiores comentários, além da observação de que nenhuma ação eficaz parece ter sido implementada para dar fim a esse quadro.

Com a chamada democratização, em 1985, e depois com a nova Constituição, a chamada “Constituição cidadã”, as porteiras foram abertas ao que há de mais torpe e hoje a demagogia avassala o país. Não sabemos qual o nosso destino, em meio ao mar de lama que inunda o país e já penetrou na rampa do Palácio da Alvorada.

Do desconforto silente de minha tumba, agradeço as homenagens que meus companheiros nos prestam todos os anos, malgrado a proibição por parte do atual governo e com o silencio dos atuais comandantes. Prefiro dizer, entretanto, que mais sensibilizaria a todos nós, vítimas de novembro de 1935, a meditação aprofundada e refletida no que acabei de escrever. Sem isso, sem a reflexão amadurecida do que expus, as homenagens tornam-se vazias e desprovidas de um sentido útil e objetivo, qual seja o da conscientização nacional de todos os brasileiros sobre o grave instante que nosso país atravessa.

assinado: UM SOLDADO DO BRASIL ASSASSINADO EM 1935

Recordando a Intentona Comunista

  • 1. Abdiel Ribeiro dos Santos - 3º Sargento
  • 2. Alberto Bernardino de Aragão - 2º Cabo
  • 3. Armando de Souza Mello - Major
  • 4. Benedito Lopes Bragança - Capitão
  • 5. Clodoaldo Ursulano - 2º Cabo
  • 6. Coriolano Ferreira Santiago - 3º Sargento
  • 7. Danilo Paladini - Capitão
  • 8. Fidélis Batista de Aguiar - 2º Cabo
  • 9. Francisco Alves da Rocha - 2º Cabo
  • 10. Thadeu Augusto Lima Costa - 3º Cabo
  • 11. Geraldo de Oliveira - Capitão
  • 12. Jaime Pantaleão de Moraes - 2º Sgt
  • 13. João de Deus Araújo - Soldado
  • 14. João Ribeiro Pinheiro - Major
  • 15. José Bernardo Rosa - 2º Sargento
  • 16. José Hermito de Sá - 2º Cabo
  • 17. José Mário Cavalcanti - Soldado
  • 18. José Menezes Filho - Soldado
  • 19. José Sampaio Xavier - 1º Tenente
  • 20. Lino Vitor dos Santos - Soldado
  • 21. Luiz Augusto Pereira - 1º Cabo
  • 22. Luiz Gonzaga - Soldado
  • 23. Manoel Biré de Agrella - 2º Cabo
  • 24. Misael Mendonça –Ten Cel
  • 25. Orlando Henrique - Soldado
  • 26. Pedro Maria Neto - 2º Cabo
  • 27. Péricles Leal Bezerra - Soldado
  • 28. Walter de Souza e Silva - Soldado
  • 29. Wilson França - Soldado
  • 30. Jeferson Almeida Xavier - Soldado
  • 31. Bolívar Bueno -Soldado
  • 32. Adalberto Noronha Ventura - 2° Sgt

Os militares acima foram mortos em 27 de novembro de 1935, enquanto dormiam, em Natal, Recife e no Terceiro Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, quando da Intentona Comunista, planejada e dirigida pela 3.ª Internacional, da qual Luiz Carlos Prestes, desde 8 de junho de 1934, era membro dirigente, em Moscou, integrando a Comissão Executiva.
Todavia, somente depois do desmantelamento do socialismo real, primeiramente nos países satélites do Leste Europeu, em 1989, e depois na própria União Soviética, que desapareceu definitivamente em dezembro de 1991, vieram à luz os relevantes serviços prestados à humanidade, primeiro por Gorbachev - o último dosGrandes Timoneiros , e depois por Boris Yeltsin, um ex-comunista.

Gorbachev, durante os cinco anos em que dirigiu o Estado soviético e o Partido Comunista, comprovou, na prática, que o socialismo não funciona.
Boris Yeltsin, por sua vez, abriu os arquivos da 3.ª Internacional (Komintern ), derrubando diversos mitos incorporados à História do Brasil. Os arquivos comprovaram que:

  • Desde 1934, Prestes era um assalariado dos soviéticos, situação que perdurou por toda a sua vida, uma vez que nunca desempenhou qualquer atividade remunerada; 

  • Não eram nove os estrangeiros pertencentes ao Serviço de Relações Internacionais do Komintern que se encontravam no Brasil preparando arevolução, como constou nos Inquéritos realizados na época, e sim vinte e dois! O livro Camaradas, de William Waak, que pesquisou os arquivos do Komintern, publica seus nomes; 

  • A alemã Olga Benário nunca foi casada com Prestes. Era casada em Moscou com um membro daAcademia Militar Frunze, e acompanhou Prestes ao Brasil, cumprindo uma tarefa que lhe fora determinada pelo IV Departamento do Estado-Maior do Exército Vermelho, instância clássica da Inteligência Militar, hoje conhecida pela sigla GRU, e

  • A determinação para a eclosão da revolução não partiu da direção do PCB ou de Prestes e sim foi expedida, por telegrama desde Moscou, pelo Serviço de Relações Internacionais do Komintern. Fac-simile do telegrama consta do livro Camaradas.

Isto e muito mais consta do livro Camaradas. 

Assim, pode ser dito que o jornalista William Waak reescreveu a História do Brasil. Todavia, muitos ex-comunistas, ainda não refeitos da grande ressaca que foi a queda do comunismo, ainda relutam em aceitar a verdade de que por todos esses anos nada mais foram que instrumentos da potência estrangeira responsável pelo assassinato, na calada da noite, de 32 militares brasileiros. 

Hoje, setenta e nove anos depois, esses 32 militares, cujas famílias nunca exigiram nada do Estado, merecem nosso respeito e admiração. 

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Loumari disse...

Amor é um Fogo que Arde sem se Ver

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

"Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"