quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Impeachment: Parlamentar ou Militar?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Ruy Barbosa, ilustre baiano, sem dúvida foi um dos maiores intelectuais, de todos os tempos, produzidos em terras brasileiras. Deixou inúmeras frases que ficaram gravadas  na pedra de mármore do mundo jurídico. Todavia, como qualquer “cabeça” humana, não foi perfeito. Teve algumas falhas.

Trabalharei sobre uma das suas falhas,que é a parte  que ora  nos interessa.: “A FORÇA DO DIREITO DEVE PRECEDER O  DIREITO DA FORÇA”.

Provarei que isso não é verdade. No mínimo, nem sempre verdade. O mundo real, especialmente o particular brasileiro, comprova essa verdade.

Protestando contra a realidade política determinada pelas eleições presidenciais de novembro, milhares de pessoas se mobilizaram na Avenida Paulista e em diversas outras capitais do Brasil clamando, uns, pelo “impeachment” de Dilma, outros por “intervenção militar”, alguns pela anulação das recentes eleições e, por fim, contra  a corrupção. As lideranças principais estavam em  Olavo de Carvalho e Lobão. Mas ninguém se entendeu e, ao que parece, a mobilização foi um fracasso com “F” maíúsculo.

Repetiu-se o episódio dos BBs, com gente da “elite intelectual”,mas tão perdida quanto os black blocs... Mais perdida, como fala o povo, que “cego em tiroteio”. “Queriam”. Mas não sabiam “o quê”.  O pessoal do Governo ,atual e futuro (reeleito), certamente comemorou  com muitos foguetes esse fiasco de grandes proporções.

Quase deu guerra entre os participantes do protesto (?) quando um grupo propunha  uma medida mais forte, a “intervenção militar”. Só não tiveram a inteligência suficiente para enxergar  que esse tipo de medida não tem  grande diferença do processo de  “impedimento”, tal como o conhecemos, e que foi aplicado no Collor. O “impeachment” é previsto na Constituição, e pode ser acionado mediante faltas graves do governante. É privativo do Congresso Nacional, ou seja, dos políticos parlamentares. Como foram “eles” mesmos  que escreveram a constituição, é natural que reservassem a si esses poderes, essa “regalia”. Nestas condições, o “impedimento” pode ser desdobrado em duas espécies: o POLÍTICO, feito pelo Congresso, e o MILITAR, provocado pelas FFAA,em casos excepcionais. Na gíria dir-se-ia,"na porrada”, na “marra”. Nenhum tem mais , ou menos, legitimidade que o outro.

Estaria o Poder Militar impedido de fazer por ele mesmo o “impeachment”, em substituição ao Congresso Nacional, em situações extraordinárias  como a que agora vivemos - especialmente pelo fato de ter o Planalto enorme poder de “compra” sobre os parlamentares?

Sem dúvida as FFAA têm esse direito, como demonstrarei.

Para chegar-se à essa conclusão, temos que retornar à frase de Ruy Barbosa : “A força do direito deve preceder o direito da força”.

Ocorre, Senhores e Senhoras, que o DIREITO têm as suas FONTES específicas. As principais são as LEIS, os  COSTUMES, a JURISPRUDÊNCIA e a DOUTRINA.

O que acontece se as FONTES do direito estiverem impregnadas de vícios?
É evidente que o direito será contaminado por esses vícios. Deixará de ser “direito”. Passará á  ser  antidireito, “torto”. E ninguém mais será obrigado a submeter-se às suas regras.

Com isso, todas as FONTES DO DIREITO BRASILEIRO estão irreversivelmente viciadas E o direito decorrente ,“contaminado”. As leis e a jurisprudência  estão sob o controle absoluto do PT e coligados. E os escândalos de corrupção, que já surgiram à tona, seriam o bastante para contaminar as leis e a jurisprudência, pois é o próprio governo que controla  e compra o parlamento, e também nomeia os membros dos tribunais superiores que fazem a jurisprudência. 

Também os COSTUMES são viciados. É tanta corrupção para todos os lados que ela nem mais impressiona. Os costumes a legitimaram.

A DOUTRINA, por seu turno, também deixa a desejar. Os operadores do direito já torraram os seus cérebros de tantos absurdos jurídicos que tiveram que administrar. O que ainda  se aproveita  são as construções doutrinárias do passado.

Com toda essa situação, é evidente que a frase de Ruy Barbosa pode ser invertida. Chegou a vez do DIREITO DA FORÇA tomar o lugar da FORÇA DO DIREITO, simplesmente porque o direito não mais cumpre o seu papel e por isso deixou de ser direito. Aí se faz presente uma nítida situação  excepcional em que “os fins justificam os meios”.                                                                                                   

Tudo o que escrevi se aprende já no primeiro ano do curso de Direito, especificamente em "Introdução ao Estudo do Direito”. Mas parece que os juízes, desembargadores, ministros  e todos os demais operadores do direito, pagos pelo  Estado ,“esqueceram” dessas lições e passaram a servir aos seus “Senhores”, abandonando o conhecimento obtido no passado. Se se aconselhassem com os primeiranistas  da Faculdade de Direito só teriam a ganhar, em sabedoria.

Outra questão que merece investigação. Onde está a fronteira entre a “força do direito” e o “direito da força”?  Não é tão fácil achar esse marco.

Em 1964, por exemplo, num primeiro momento, deu-se o predomínio do “direito da Força”. Mas em seguidinha o “direito da força” transformou-se na “força do direito”. Nenhum juiz, nenhum tribunal, questionou a legitimidade do Regime Militar implantado pelo contragolpe de 64. Nem as  suas leis e nem os seus  atos administrativos. Só agora, depois de tantos anos, inventaram de “futricar” tais situações, inclusive  com a  estúpida  ação das tais “comissões da verdade”, cujos membros, num futuro não muito distante, provavelmente trocarão suas atuais cadeiras de “juízes” pelo “banco dos réus”.

Motivos para o “impeachment” político ou militar estão até sobrando. O político seria quase um milagre acontecer . “Eles”estão “bem compradinhos”. Tais motivos começam com a CORRUPÇÃO generalizada em todo o Governo, seguida pelas evidências de  FRAUDE nas eleições presidenciais e, por fim, os atos criminosos  atentando contra a SOBERANIA NACIONAL (Foro San Pablo, etc).

Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo gaúcho.

6 comentários:

Loumari disse...

A situação do Brasil é irreversível. Tudo se vai deteriorando, os seus habitantes vão tornar-se cada vez mais monstruosos, violentos, destruidores da sociedade e tudo o que representa o fundamental, em fim, viremos a assistir um povo a se comportar como verdadeiros cães raivosos. E vai ser quando o exército vai sair das suas casernas para exterminar este povo possuido pelo espírito de demônios.

"O senhor Serrão formulou ai a seguinte questão: Quando isto ocorrer - se realmente acontecer -, daqui a no mínimo uns 10 anos, que Brasil restará para os brasileiros honestos?"

Senhor Serrão, gente de bem no Brasil nem sequer atinge o número de 12 mil indivíduos. São apenas 7 mil filhos de Deus nestas terras.

Anônimo disse...

Muito bem! O que nos leva a pensar que os militares de Honduras fizeram o dever de casa e o aplicaram direitinho. Entendido agora o porque da insatisfação e preocupação dos vermelhinhos brasileiros. Vai que a moda pega...

Anônimo disse...

Cleonice I Ferreira disse:
Está escrito na Bìblia que Deus criou todo o universo e tudo que existe nele. PORTANTO TODAS AS CRIATURAS,ESTEJAM NO CAMINHO DA RETIDÃO OU NÃO, SÃO CRIATURAS DE DEUS.Cabem os que estão de pé levantar os que estão caídos.
Só Deus sabe quem está na caminho.
Nós brasileiros temos muito problemas, mas qual o pais que não têm? A luta deve ser para um Judiciário que cumpre a Contítuição e não essa anomalia com que somos obrigados a conviver, BEM SEI QUE A LUTA É ÁRDUA. Lutar é parte da vida.
Sr.Advogado Sérgio Silveira concordo com seu excelente artigo.
Que Deus ilumine a todos.

erreve disse...

Prezado,

Tomo a liberdade de discordar de V. Sa. quando afirma que, pelas divisões internas das lideranças, o movimento de 15 de novembro foi um fracasso (ao que lhe pareceu).

Em minha opinião: Não foi! Milhares ou dezenas de pessoas, pouco importa, moveram-se de suas casas no feriado (e sob chuva, no caso da cidade onde moro) para protestar contra o corrupto governo do PT. Se são muitas e diversas as reivindicações e os protestos, é porque são muitos e diversos os ataques à nossa soberania, à nossa democracia e à nossa liberdade, que o PT e sua linha auxiliar (PSOL, PSTU, PCdoB etc.) promovem.

IMHO, o manifesto de 15 de novembro foi um sucesso, porque foi autenticamente popular e se diferenças houve (e houve, é verdade) entre as lideranças é porque estamos apenas começando a aprender a usar esta arma todo importante e todo-poderosa que é a verdadeira fonte de onde emana o poder do povo.

Atenciosamente,
Paulo Roberto Vieira de Moraes

Anônimo disse...

GENERAL Enzo possivelmente envolvido em corrupção e desvio de recursos.

http://sociedademilitar.com.br/index.php/forcas-armadas/159-general-enzo-possivelmente-envolvido-em-corrupcao-e-desvio-de-recursos.html

Anônimo disse...

Gostaria de deixar uma dúvida no ar que para os conhecedores das leis cibernéticas a taxariam de retórica: Se as urnas eletrônicas são 100% confiáveis, por que países avançados tecnologicamente como japão e EUA não as usam??? Na internet já existem respostas para esta indagação. Estou avisando isto desde a implantação deste nefasto instrumento de manipulação.
Assinado: Apenas Um Militar