quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O perigo do Fundamentalismo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Merval Pereira

O Sultanato de Omã, onde se realiza desde domingo a reunião da Academia da Latinidade, pretende assumir cada vez mais um papel de mediador dos conflitos da região onde oficialmente está situado, o Oriente Médio. Mas esse papel está sendo desempenhado muito mais pelo exemplo do que pela interferência direta nos conflitos.

Ser classificado como um país do Oriente Médio é um problema para os investimentos internacionais, mas confere a Omã posição geopolítica estratégica - fica na Península Arábica e se limita ao norte com o Golfo de Omã (do outro lado, as costas do Irã e Paquistão), a leste e sul com o Mar da Arábia, e a oeste com o Iémen, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

Pelo Estreito de Ormuz (entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico) passam 75% de toda a produção de petróleo do mundo. A renda per capita é de U$ 25 mil dólares, graças basicamente ao petróleo, que representa 80% de sua economia.

Mas, como explicou Ahmed Bin Yousuf Al Harthy, ministro das Relações Exteriores, em conversa ontem com membros da Academia, a intenção é "aprender com o passado, mas não ficar preso a ele, olhar para o futuro. Caminhar dos valores compartilhados para valores comuns".
 

Sua receita poderia ser considerada quase ingênua, mas é fundamental para uma região de conflitos, onde a sombra do Estado Islâmico deu ares mais graves aos já instalados. "Paz, respeito mútuo,tolerância" definem as linhas mestras da política externa de Omã.

O Sheik Abdullah bin Mohammed Al-Salmi, Ministro dos Assuntos Religiosos, fez a abertura do Seminário, que tem o título geral de " "Valores comuns num mundo de pluralismo cultural", dando o tom da política de seu país, que pode ser resumido em duas palavras: reconciliação e perdão. Ele ressaltou, para espanto geral, o papel que a Igreja Católica no Concílio do Vaticano II (1962-1965), que exortou relações amigáveis entre Judeus e Muçulmanos, um apelo que, para o Ministro, representou uma grande concessão aos muçulmanos que classificavam sua religião como uma fé com origens em Abrahão como o judaismo e o cristianismo.

O apelo do Vaticano promoveu uma relação mais próxima de cristãos e muçulmanos no mundo árabe que foi depois prejudicada pela Guerra Civil libanesa de 1975 a 1990. Na avaliação do Ministro dos Assuntos Religiosos, foram fatores políticos e estratégicos, mais do que religiosos, que obstruíram esses promissores novos caminhos.

O Ministro considera que estamos em uma época apropriada para fazermos um balanço das duas décadas passadas. Para ele, olhando pelo ângulo religiosos ou pelo ético, a experiência pluralística de Omã agregou novas e promissoras dimensões. Como exemplo, ele lembra que a região experimentou dois levantes recentes, os movimentos por mudanças conhecidos como Primavera Árabe, e o radicalismo político do Islã conhecido como "jihadismo".

Graças à política de coexistência e ao pluralismo, o país foi capaz de lidar com esses movimentos, ao contrário de outros estados vizinhos, que foram incendiados pelas revoltas. Mesmo admitindo que não é possível garantir que nada acontecerá, o Ministro avalia que o modelo político omani tem grande perspectiva de estabilidade e sucesso.
 

Promovendo reforma e visões iluministas, no entanto, o Ministro admite que houve problemas devido a hábitos religiosos arraigados na sociedade árabe. A politização do Islã e o "jihadismo" são as manifestações mais óbvias. Esse extremismo pode ser atribuído, de um lado, a questões religiosas de algumas sociedades da região, mas há questões de política internacional, como a guerra do Afeganistão, que também têm sua culpa, diz o Ministro dos Assuntos Religiosos.

Ele porém ressalva que os países árabes aceitaram o chamado por uma ética global e assinaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas, mas nas últimas três décadas tem havido grande relutância por parte do Ocidente em reconhecer esses valores compartilhados.

Com o surgimento de noções como "O fim da História" e " Choque de Civilizações", fomos avisados de que valores como paz, tolerância e reconhecimento não são de fato compartilhados porque vocês e nós os entendemos de maneiras diferentes, lembrou o Ministro. Não há nada, no entanto, em nossa religião que nos separe, declarou.

O Ministro defendeu uma urgente reforma religiosa para combater a distorção de conceitos em que partidos políticos religiosos e facções têm se engajado. "Creio que instituições religiosas fortes podem derrotar o fundamentalismo, seja no Ocidente ou no mundo árabe".


Merval Pereira é Jornalista e membro das Academias Brasileira de Letras e de Ciências. Originalmente publicado em O Globo em 25 de novembro de 2014.

Um comentário:

Loumari disse...


Ouvi a palavra do Senhor, vós príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso DEUS, vós, ó povo de Gomorra.
De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor?
Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais nédios; e não folgo com o sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.
Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto das vossas mãos, que viésseis pisar os meus átrios?
Não tragais mais ofertas debalde: o incenso é para mim abominação e as luas novas, e os sábados, e a convocação das congregações;
não posso suportar iniquidade, nem mesmo o ajuntamento solene.
As vossas luas novas e as vossas solenidades as aborrece a minha alma; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer.
Pelo que, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos;
sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. (que ouça muito bem isto todo o muçulmano)
Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos actos de diante dos meus olhos: cessai de fazer mal:
Aprendei a fazer bem: praticai o que é recto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas. ( ISAIAS 1:10 )



O SENHOR ABRIU O SEU TESOURO, e tirou os instrumentos da sua indignação;
porque o Senhor, O SENHOR DOS EXÉRCITOS, tem uma obra a realizar na terra dos Caldeus.
Vinde contra ela, dos confins da terra, abri os seus celeiros, trilhai-a como a paveias, e destruí-a todo: nada lhe fique de resto.
Matai à espada a todos os seus novilhos, desçam ao DEGOLADOURO: ai deles! porque veio o seu dia, o tempo da sua visitação.
Tal é a voz dos que fugiram e escaparam da terra de Babilónia(terra natal de Abraão. Irak) para anunciarem em Sião a vingança do SENHOR, NOSSO DEUS, a vingança do seu templo.
Convocai contra Babilónia os frecheiros, todos os que armam arcos: acampai-vos contra ela em redor, ninguém escape dela:
pagai-lhe conforme a sua obra, conforme tudo o que fez, fazei-lhe; porque se houve arrogantemente contra o Senhor, contra o SANTO DE ISRAEL. ( JEREMIAS 50:25 )