sábado, 29 de novembro de 2014

O Processo da Revolução Socialista


Em 24 de dezembro de 1991, quando a União Soviética deixava de existir, num final de noite, no Kremlin, Gorbachev ainda teve tempo de responder a uma pergunta do repórter Ted Koppel, da rede de televisão norte-americana ABC: “O que se passa na alma do senhor agora?” Resposta de Gorbachev: “Respondo com a parábola de um rei que encarregou os sábios de descobrirem qual é o segredo da sabedoria. Depois de passarem a vida viajando e de redigirem 40 volumes, os sábios finalmente trouxeram a resposta para o rei. Mas o rei estava morrendo. Para não perder tempo eles resumiram tudo em uma frase:“O homem nasce, sofre e morre” (Andrei Gratchev, assessor e porta-voz de Gorbachev, livro “L’Histoire Vraie de La Fin de L’URSS” – “A História Real do Fim da União Soviética”)
  
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja 

A respeito dos problemas relativos à implantação do socialismo observa-se uma confusão, não apenas na opinião pública mas também na maioria dos políticos não comunistas e em alguns meios de comunicação de todos os países. 
Os comunistas, conhecedores da doutrina científica e, portanto, dos princípios do marxismo-leninismo, são a única coletividade política que tem claramente definida sua posição ante esses problemas. 

Quando se trata de determinar sua atitude frente a construção do socialismo, o marxismo-leninismo afasta como não-científica toda cópia mecânica das experiências de outros países, definindo que devem ser observadas as peculiaridades históricas e nacionais. Todavia, isso não significa que sejam aceitas as posições, consideradas revisionistas, que postulam “caminhos próprios” ou “vias nacionais” para chegar ao socialismo. 

Os partidos comunistas de todo mundo – embora agora, após o terremoto que atingiu o socialismo real, com outras denominações – sustentam que o processo da revolução socialista, mediante o qual chegarão ao Poder e à posterior construção do socialismo, é regido por determinadas leis básicas e universais, válidas para todos os países, independentemente de suas características nacionais e cujo reconhecimento e aplicação torna-se obrigatório para todos os partidos marxistas-leninistas. 

Essas leis universais, definidas pelos clássicos do marxismo-leninismo, foram rememoradas na era Kruschev, em novembro de 1957, na Conferência dos Partidos Comunistas realizada em Moscou. 

As duas primeiras e fundamentais leis são: 

- a direção das massas trabalhadoras pelo partido comunista, núcleo dirigente da classe operária; 

- implantação da ditadura do proletariado. 

As demais leis se referem à aliança com as demais camadas de trabalhadores; o estabelecimento da propriedade estatal; a transformação socialista da agricultura; a planificação centralizada da economia; a revolução socialista no terreno da ideologia e da cultura; o internacionalismo proletário, etc. 

As duas principais leis acima enunciadas – direção do processo político pelo PC e implantação da ditadura do proletariado – constituem objetivos programáticos de todos os partidos comunistas do mundo. A principal e decisiva, no entanto, é a da implantação rápida da ditadura do proletariado. Essa lei, básica, de acordo com os manuais do marxismo-leninismo, é considerada a pedra de toque para comprovar a autenticidade das aspirações socialistas dos partidos comunistas e de seus líderes, pois sem a conquista do Poder estatal, sem a instauração da ditadura do proletariado, não é factível conseguir e, principalmente, manter a vitória da revolução socialista. 

Nem mesmo o acesso ao Poder pela via pacífica exime da implantação da ditadura do proletariado, pois mesmo possuindo supostamente uma grande superioridade de forças sobre o capitalismo, os comunistas não descartam a inevitabilidade da resistência da chamada burguesia afastada do Poder e o perigo do restabelecimento de sua dominação, se não constitui, logo, um poder firme e enérgico em nome dos trabalhadores e não estabelece rapidamente a ditadura do proletariado. 

Confrontando as principais leis universais de passagem ao socialismo é fácil deduzir porque a ditadura do proletariado é exercida através do partido comunista: no socialismo o PC é responsável por tudo o que se faz em relação à sociedade, à política do Estado, ao desenvolvimento das forças produtivas, à cultura e tudo o mais, pois todo o trabalho deve emanar de uma vontade única, orientada pelo partido e seguindo uma idéia única. 

Baseando-se na doutrina científica e no estudo das condições concretas do país, o partido traça a linha política de todas as esferas da edificação socialista – econômica, administrativa, militar, de educação e de política exterior – e dirige sua aplicação na prática, corrompendo, afastando, prendendo e até eliminando os possíveis dissidentes. 

Esses princípios sobre o papel dirigente do partido comunista em todas as atividades de um país socialista foram ratificados em uma conferência de partidos comunistas realizada em Praga, em outubro de 1970, ocasião em que foi afirmado que “a lei objetiva geral da construção socialista, que conserva toda a sua importância em todas as etapas, é o papel dirigente do partido comunista”. 

A não instauração imediata da ditadura do proletariado, segundo os postulados marxistas-leninistas, conduz à desintegração da sociedade, à quebra da estrutura integral do Poder, ao debilitamento da direção estatal sobre a vida social e econômica e a minar o papel do partido e, como conseqüência, proporcionar liberdade de ação às forças anti-socialistas. 

Embora em alguns países onde imperou o socialismo real existissem estruturas políticas pluripartidárias, como na Polônia, onde junto com o POUP-Partido Operário Unificado Polonês (como era denominado o partido comunista) existiam, em aliança com ele, outros partidos e grupos e até organizações católicas que apoiavam o programa popular, todas, no entanto, reconheciam como princípio supremo o papel diretor do partido comunista. Essa é a lei geral. 

Conforme ocorre em Cuba, onde há apenas um partido, isso é porque, segundo ainda a doutrina científica, o livre embate das forças políticas e a rivalidade entre os distintos partidos levaria a uma demagogia desenfreada, à desmobilização da sociedade e à anarquia política e econômica.

Como se pode observar, dentre as leis universais da transição ao socialismo e da construção da sociedade socialista as prioritárias são a implantação imediata da ditadura do proletariado e a direção única do processo político pelo partido da classe operária, o Partido Comunista. 

Simples, assim...

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

CaioB disse...

Científico!
Socialismo científico?
Comunismo científico?
Rios de tinta ainda são gastos para tentar provar a tal ciência?
E a tal ciência não funciona!
Então não é ciência, é falsidade! Bem "elaboradinha", como sempre foi, mas é falsidade vai contra a natureza humana.
Uma análise, qualquer análise séria, leva à conclusão de que é simultaneamente uma camisa de força para as pessoas que já demonstram evolução moral e intelectual e um vulcão de paixões de baixas vibrações para os menos evoluídos, os desavisados.
Só funciona na base da força.
Quem quiser saber mais, é só procurar na literatura que trata dos temas das entidades das trevas.
Está tudo lá, para quem souber ler!
Naturalmente que, para provar o baixíssimo nível dessa "autodizente ciência", a mesma abomina e despreza tal literatura.
Não aceita contestação, como no inferno.