domingo, 30 de novembro de 2014

Propensão Genética para roubar


“Só existem dois grupos em verdadeira luta no Brasil: os que estão roubando e os que querem roubar.” 

(Tenório Cavalcanti - mais conhecido como o Homem da Capa Preta, lendário político fluminense e dono do jornal Luta Democrática).

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Waldo Luis Viana

Michel Foucault, célebre pensador, filósofo e médico-psiquiatra francês revolucionou a década de 70, do século passado, afirmando que, afora a demência, todas as doenças mentais são consequência de pontos de vista culturais vigentes na sociedade em certo momento histórico.

Haja vista, a homossexualidade, classificada na década de 50 como doença, incluída no Catálogo Internacional da ONU, e hoje percebida como um comportamento agradável e até motivo de orgulho pelos praticantes, chegados e participantes. Esse movimento acompanha, como repetição ou farsa, os costumes da Grécia antiga, que, no século V aC., apoiavam a homossexualidade como comportamento socialmente aceito, assim como o materialismo e a idolatria de diversos deuses, ditos “olímpicos”.

No Brasil, ganha corpo uma legislação para incorporar a homossexualidade como comportamento aceito e repudia, como delito penal, a homofobia. Só falta uma lei que nos obrigue à prática, contrariando as célebres disposições do Deuteronômio.

Em nosso país, por outro lado, sempre aceitamos o ladrão famoso e rico, o ladrão das elites, como digno de admiração silenciosa e até de elogios cochichados. O honesto subjugado, ou seja, aquele que mesmo que deseje, jamais conseguiria roubar, por medo ou incompetência, sempre admirou a capacidade crítica dos rompedores, dos grandes vigaristas que desafiam as leis caretas e se lançam em enormes tacadas, com suas malas pretas, estilo 007. Os pequeno-burgueses ufanam-se dos protagonistas, transgressores das leis, formadores de quadrilhas, até então inexpugnáveis.

Por outro lado, os brasileiros acham insuportável aquela rama da sociedade que furta galinhas ou pedaços de queijo, os ignorantes que praticam pequenos delitos, seja por fome, pobreza ou falta de instrução: esses recebem a reprovação pública pela ausência completa de “savoir-faire” e abarrotam as Varas criminais, enchendo o saco dos atarefados juízes, que sempre têm mais o que fazer. Resultado: essa escumalha engarrafa as penitenciárias de negros, pardos e pobres, traçando o perfil dos apenados, como uma escória sem voz nem vez.

Os heróis, por conseguinte, estão na outra ponta ou no vértice da pirâmide social. Sua malandragem é socialmente aceita e muito admirada. Grana no exterior, tacadas na bolsa, operações de caixa 2, superfaturamento em obras públicas, contas em paraísos fiscais, empresas de fachadas para “lavar” o dinheiro escuso, laranjas abonados com imóveis e fazendas, comissões do tráfico de drogas e de armas, subornos a políticos e juízes – enfim, há um séquito incontável de bueiros por onde escorre o dinheiro sujo, objeto da secreta admiração de numerosos brasileiros.

Essa disposição psicológica, porém, vem arrefecendo culturalmente por dois motivos: o aparecimento da Internet e o fortalecimento da cidadania através das franquias democráticas. Hoje, a polícia federal, que é uma entidade de investigação digital, pode pegar os grandes ladrões pela gola e o imposto de renda, através da Receita, pode seguir, se quiser, os sinais exteriores de riqueza, como já faz o seu congênere norte-americano há mais de cinquenta anos. Basta "seguir o dinheiro" -- dizem os especialistas...

No entanto, sobra uma peninha nessa discussão: como conceber que pessoas ricas, abonadas às vezes de berço, tentem se locupletar com mais dinheiro e bens, exibindo aquela velha mentalidade de que meter a mão no dinheiro público não é pecado, porque “ele não é de ninguém”?

Tal elite patrimonialista e atrasada poderia sofrer o julgamento reverso às considerações de Foucault, no passado. De admirados personagens, esses donatários da corrupção seriam classificados como indivíduos geneticamente perturbados por afecção patológica, catalogável internacionalmente. Não que isso os eximisse de culpa ou de cadeia. Mas seria um avanço tecnológico para a compreensão forense desses comportamentos delituosos, típicos de certos empresários e políticos.

Aliás, com as instâncias recursais permitidas pelo nosso Código de Processo Penal, somadas à belíssima figura constitucional da presunção da inocência, que  só favorece os delinquentes ricos ou os executores de crimes hediondos, muitos escapam das malhas da lei e só são condenados quando as penas já estão prescritas ou quando o próprio criminoso já morreu, tornando a punião do delito uma tarefa completamente paranormal.

A propensão genética para furtar ou roubar não está adstrita apenas à cleptomania, que afeta indistintamente, como doença, até personagens de boa reputação. É uma tendência mais profunda que deveria ser estudada, de modo mais atento, nesse país, em que os grandes tubarões têm necessidade de engolir grandes quantias, formando quadrilhas e lobbies cujos vestígios agora aparecem na insegurança das brechas deixadas pela informática.

Os grandes ladrões não atiram, são perfumados, vestem ternos caros, possuem colarinhos brancos, empregam centenas de pessoas que nem desconfiam de suas atividades e até cumprem, de fachada, belos papéis sociais. Fico pensando como deve ser duro para um juiz, de causas cíveis, ganhando menos de 30 mil reais ao mês, julgar causas de 200 milhões de dólares de réus louros, de olhos azuis, sorridentes e confiantes à esperada das sentenças. Tais magistrados são torturados, porque são funcionários de Estado sem participação nos lucros ou qualquer comissão pelas sentenças. Como a Justiça sempre ganha, no processo acusatório, seja de uma parte ou de outra, o dinheiro das causas reverte para palácios suntuosos, olhados de longe pelo povo admirado que, quase sempre, neles não entram.

Sou, por conseguinte, inteiramente favorável a que os juízes, desde a primeira instância, recebam comissões sobre as sentenças, a partir de certo patamar e do grau de morbidade das causas, incluindo aí as consequências sociais e exemplares dos delitos e que os médicos forenses possam avaliar neurológica e psicologicamente o comportamento de nossos delinquentes milionários, a fim de ofertar ao mundo uma contribuição brasileira para a mitigação de uma doença tipicamente nacional: a nossa velha propensão genética para roubar e se apropriar, alegremente, do que é alheio.


Waldo Luís Viana é escritor, poeta, jornalista e economista e não tem nenhum juiz na família.

2 comentários:

Loumari disse...

A homosexualidade é uma abominação. Nisto a Bíblia está categórica. Deus fez o homem e fez a mulher para ser a companheira do homem. A homosexualidade sai da própria perversão do homem. Produto de sua desobediência a lei divina. Deus nos colocou neste jardim seu e nos deixou um mandamento para que nele andemos. Mas, quem cumpre? E nos surpreende por que a força do mal se tornou a poder dominante???
Alguém conhece algúm senhor que tem seus cães no seu pátio e este senhor ser governado pelos seus cães?



Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á a sua mulher, e serão ambos uma só carne. ( GENESIS 2:24 )


Com varão te não deitarás, como se fosse mulher; abominação é.
(LEVITICO 18:22)


Quando, também, um homem se deitar com outro , como com mulher, ambos fizeram abominações;
certamente morrerão; o seu sangue é sobre eles. (LEVITICO 20:13)


Não haverá rameira de entre as filhas de Israel; nem haverá sodomita de entre os filhos de Israel. ( DEUTERONOMIO 23:17 )



Ora, quando vós virdes a abominação do assolamento, que foi predito, estar onde não deve estar (quem lê, entenda).
( MARCOS 13:14 )



Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos.
Mas vós vede; eis que de antemão vos tenho dito tudo.
( MARCOS 13:22 )



MAS o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores,
e a doutrina de demónios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência.
( 1 TIMOTEO 4 )



Não podeis beber o cálix do Senhor e o cálix dos demónios;
não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demónios.
( I CORINTIOS 10:21 )



Na verdade, na verdade vos digo que, aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque eu vou para o meu Pai.
Se vós conhecêsseis a mim, também conhecerieis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.
Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.
Ninguém vem ao Pai senão por mim.
( SÃO JOÃO 14 )



Mas, qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante do meu Pai que está nos céus. ( MATEUS 10:33 )




A zelos me provocaram com aquilo que não é Deus; com as suas vaidades me provocaram à ira;
( DEUTERONOMIO 32:21 )



Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo,
homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.
Mas quero lembrar-vos, como a quem já uma vez soube isto, que,
havendo o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egipto, destruiu depois os que não creram.
( Ep. São Judas 1:4 )

Anônimo disse...

Caro senhor, nossos juízes, promotores, procuradores, quando podem, também avançam no meu, no seu, no nosso dinheirinho. Haja vista o tal auxílio moradia que agora vai engordar o bolso dos já muito bem remunerados magistrados e, como não poderia deixar de ser, reivindicado por promotores e procuradores pois, se os magistrados podem, dizem eles, eles também podem. Se eles, como defende o senhor defende, deveriam receber um percentual sobre as causas que vencessem em casos de corrupção e desvio de dinheiro público recuperado e, digamos, fosse estabelecido uns 5%, logo estariam reivindicando 10%, mais tarde 20%. Essa gente não tem limites meu caro. Veja nossos juízes do Supremo e STJ, com toda a mordomia, estão sempre querendo aumento de salários e outro penduricalhos, ainda que o país esteja passando por dificuldades. Compare o salário deles ao salário mínimo. É uma afronta o que eles ganham. E se aposentam com rendimentos integrais. Isso aqui, meu senhor, é o Bananão. Sempre avançarão, como aves de rapina, sobre os cofres públicos. Se não o fazem por meios criminosos, sempre arranjam um jeitinho de criar uma lei que torne legal a imoralidade.
Mauro Moreira