quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Rombo nos Fundos de Pensão

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Newton
A maior caixa preta da corrupção do governo federal não é a Petrobras. As irregularidades nos fundos de pensão são ainda mais dissimuladas, e no caso delas o que está sendo desviado são recursos dos planos de previdência, que resultam das contribuições mensais das empresas estatais e de seus funcionários.
Os atuais gestores dos fundos de pensão são todos ligados ao PT. Segundo reportagem de Alexandre Rodrigues e Daniel Biasetto, publicada em O Globo, “o currículo de alguns gestores dos fundos de pensão alimenta as denúncias de aparelhamento. Vários já passaram por outras fundações com indicações políticas ou de sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Desde o início do governo Lula, em 2003, ex-integrantes do Sindicato dos Bancários de São Paulo dominam os principais fundos: Previ, Petros, Funcef e Postalis. João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT, é originário desse grupo, assim como Wagner Pinheiro, ex-presidente da Petros e atual presidente dos Correios, que indicou o presidente do Postalis, Antonio Carlos Conquista. Este, por sua vez, já foi gestor da Petros e da Fundação Geap (de servidores federais)”.
FAPES SE REBELOU
A única exceção entre os fundos de pensão é o discreto e poderoso Fapes, dos funcionários do BNDES, que no primeiro governo Lula se uniram e conseguiram impedir que um preposto de José Dirceu, chamado Marcelo Sereno, colocasse as garras no caixa do fundo de pensão dos empregados do banco de fomento.
Nos outros fundos, porém, as denúncias se multiplicam há anos e a agência reguladora Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), também controlada pelo PT, nada faz para coibir as irregularidades.
O pior é que, para abafar as constantes acusações dos sindicatos e das entidades representativas dos empregados das estatais, o PT conseguiu controlar também a estratégia Associação dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar), que é presidida por Cláudia Ricaldoni, uma militante que defende ardorosamente os interesses do partido e vive a elogiar a agência reguladora.
“A Previc tem tomado bastante cuidado com todas as denúncias. Não concordo com os que acham que o órgão é lento e irregular em suas fiscalizações”, diz a dirigente da Anapar.
E a própria agência reguladora, quando procurada pela imprensa, justifica sua omissão nos seguintes termos: “Como autarquia de supervisão, a Previc não trata publicamente de situações específicas, em face da necessária preservação de fatos e dados”. Se alguém conseguir explicar o que a Previc está tentando dizer com essa frase, por favor nos oriente, porque a justificativa foi feita naquele linguajar estranhíssimo que a presidente Dilma Rousseff costuma usar e está se disseminando pelo resto do governo.
LAVA JATO
A oportuna reportagem de Alexandre Rodrigues e Daniel Biasetto no Globo mostra que investigadores da Lava-Jato já encontraram indícios de ramificações do esquema do doleiro Alberto Youssef em fundos de pensão. “Em outubro, o advogado Carlos Alberto Pereira Costa, um dos principais auxiliares de Youssef, disse em depoimento que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, frequentou uma empresa em São Paulo entre 2005 e 2006 para tratar de negócios com fundos de pensão com um operador do doleiro. Carlos Alberto Costa menciona, ainda, um suposto pagamento de propina a dirigentes da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras”, dizem os repórteres.
A denúncia de O Globo acentua que a “PF também encontrou e-mails em computadores de pessoas ligadas a Youssef atribuindo à influência de Vaccari a aplicação, em 2012, de R$ 73 milhões das fundações Petros e Postalis, este último dos funcionários dos Correios, na empresa Trendbank, que administra fundos de investimentos, causando prejuízos às fundações. Vaccari negou as acusações. Também em 2012, o Postalis teve prejuízo ao aplicar R$ 40 milhões num fundo no banco BNY Mellon, por meio de uma gestora de investimentos indicada a dirigentes da fundação por operadores de Youssef”.
Traduzindo: a busca da Polícia Federal está apenas começando.  Como dizia Roberto Carlos, daqui para a frente, tudo vai ser diferente.
Carlos Newton é Jornalista. Originalmente publicado no site da Tribuna da Imprensa on Line.

4 comentários:

Sérgio Alves de Oliveira disse...

O Jorn. Carlos Newton acerta na mosca.Nos anos 80 e 90 fui Diretor de Seguridade e depois Presidente de um grande Fundo de Pensão no RS,além de presidir a associação delas (AGEFEPPA).Já se praticava muitos ilícitos naquela época. Mas era brinquedo de criança perto do que é hoje.Como quase toda boa ideia que surge neste país de "m..."a "coisa'acaba degringolando em corrupção. O Sistema de Fundo de Pensão deveria ter como objetivo principal a complementação previdencial da aposentadora,+ou- a exemplo do funcionário público.
Mas quem manda no patrimônio dos participantes é o Governo.Ele que diz onde e como aplicar. As fundações não têm nenhuma autonomia. Imagine-se,então,como ficará qdo o Governo for de ladrões? "Quebrei-a-cara"na minha experiênca ao me negar a atender "recomendações governamentais". Claro que caí fora. Hoje deve estar um "Deus-me-acuda".

luiz Parussolo disse...

Disso sei um bocado por ter sido associado da PREVI entre 1976 e 1995 quando desliguei-me e fui roubado, entre milhares desligados e outros milhares em número muito maior aposentados continuam sendo, em meus recursos e meus direitos pelo governo FHC e depois pelo governo do PT (Lula e Dilma) através do Poder Judiciário, este devidamente remunerado pela PREVI em Brasília, Rio de Janeiro e no STJ.
Os trambiques em fundos de pensão começaram na década de 1980, mais no no governo de tristes recordações Sarney.
Observo contrariando o entrevistado gaúcho que fundo de pensão até 1998,como a previdência geral que o poder público embolsava e embolsa até os valores consignados em folhas de empregados celetistas e não recolhe nenhum e nem outro,o patrocinador nada recolhia e poderia socorrer algum desencaixe. Também os fundos complementares são privados e dos associados a eles vinculados e não como na prática que passam a pertencer aos governos, ao MPAS, aos sindicatos, às associações constituídas pelos fundos e às diretorias dos próprios fundos e dos representantes dos funcionários como sempre ocorreu.
Esse povo todo nada cria e produz por si mesmos, mas para dar barretada com o chapéus dos trabalhadores e aposentado e do erário são gênios e foi neles que os líderes pentecostais espelharam para enriquecerem e chegarem ao poder político e quem sabe dominá-lo, não parcialmente e sim totalmente, voltando ser o Brasil novamente um estado teológico. A Presidente Dilma, por exemplo, criou uma loja de R$ 1,99 em Porto Alegre no ano de 1995 e 17 meses depois tinha quebrado. Sua inovação foi tão genial que por duas vezes foram ela e sua sócia ao Panamá comprar brinquedos para abastecê-la tendo dado ainda o nome sugestivo de pão e circo onde ninguém entrava com medo de ser enganado como foram em Roma no passado medieval.
Em 1978 o decreto que regulamentou a lei dos fundos impondo o regime de capitalização obrigava o cumprimento a partir do início de 1980. No início de 1980 uma resolução da Secretaria de Previdência Complementar (SPC) do Ministério da Previdência prorrogou seu cumprimento para 20 anos e manteve o regime de repartição (ou nenhum)simples vigente até então o que parece que a resolução deveria partir do conselho, mas aqui é eternamente Brasil e fundos de trabalhadores é como bunda de bêbedo, quem chegar primeiro come, o segundo, o terceiro...também. Falar a verdade, por convívio, todos os fundos, público e privado, os corvos estão em seu entorno e enquanto tiver carniça não abandonam.
O regime de capitalização acabou implementado em 1998 e em 2001 as contribuições associado e patrocinador foram parelhadas 1 x 1 em atendimento à EC.20/98 e mesmo assim o governo FHC andou fazendo retirada na PREVI e transferindo ao BB para cobrir a parcela patronal.
O regime de capitalização obriga a reserva matemática em contas individualizadas do associado e contabilmente atualizada mês a mês sendo que o regime de repartição simples fica a vontade desde os balanços, somente tendo a preocupação de contratar os mesmos auditores (corruptos); os melhores sindicalistas; ter o MPAS sob controle e estar sempre de bem com os jornalistas, nunca esquecendo das milionárias verbas de publicidade porque é nisso que enriquecem mídia e jornalistas destacados.

Luiz Parussolo disse...

Os fundo já no governo Sarney passaram a sustentar desde compras de moedas podres do governo no mercado até financiamentos agropecuários em substituição a recursos do Tesouro que ficou pelado em seu governo e tudo mais, sem ver como sempre dinheiro do patrocinador e ainda sustentando aposentadorias de funcionários dos patrocinadores de antes de 1967, caso PREVI, estas do patrocinador,chegando em 1994 sem poder esconder nem na contabilidade os rombos.
O governo FHC entre todos os golpes de seu governo preparou o PDV com a ajuda da imprensa com em tudo e forçou adesões. Só em 1995 3.500 e no final de 1997 acima de 30 mil até 40 mil.
Se todos recebesse suas contribuições depositadas mês a mês, de alguns salários mínimos mês e a proporção corrigidas devidamente sem expurgos e com os índices reais na forma da legislação e estatuto e das cotas patronais proporcionais previstas todos estariam capitalizados e seguros na sobrevivência e na criação de outra atividade. No entanto manipulou sujamente as atualizações e deu um dinheirinho para cada um ficando todos sujeitados ao grande algoz dos trabalhadores de classe média, o Poder Judiciário com todos os seus militantes, juízes ordinários, desembargadores, ministros, serventuários, advogados, técnicos judiciais, OAB, lobbies do poder público e do econômico etc..
Corrida de milhares ao judiciário com advogados de Brasília e com vínculo às associação de funcionários e seu presidente e ao Banco sem presumir que seria parte da carniça que enriqueceria muitos desde os com afinidade ao fundo e ao BB até militantes do judiciário de Brasília e do Rio no caso da PREVI. Acabou o governo PSDB e o governo PT encheu da turma dele, incluindo a CUT que é o próprio PT e também dentro do judiciário, encheu de procuradores seus e como no governo PSDB nas privatizações barravam as liminares no lugar dos ministros do STJ, fornecem as decisões prontas como fazem no INSS e outras ações e se desobedecer não cumprem. Acreditar que um instruído em direito faz tudo por liberalidade seria o mesmo que acreditar em médico dando consultas e fazendo cirurgias de graça por espírito de mera benevolência, acredito.
No final os amigos importantes e aqueles com amigos importantes lá em cima, Brasília e Rio, receberam antecipadamente as cotas pessoais devidamente corrigidas e com os juros contratuais devidamente cumpridos e a grande massa de carniça, entre esses eu próprio, ficamos com um dedo no nariz e outro naquele lugar revezando de vez em quando.
Quanto à Previ que estava deficitária em 1994 (e o BB também por assumir dívidas externas, além das internas de fomento assumidas e não transferidas pelo Tesouro e o BC, do Governo Federal e transformar dívidas de agricultores em volume não transparente em poucos milhões parcelados em 10 anos)perdendo arrecadações no plano com os desligamentos e tendo que desembolsar os pagamentos irrisórios, perdendo todas as aplicações em moedas podres, os investimentos no mercado de capitais em ações de empresas nacionais tornando-se micos pela quebradeira geral e os bens imóveis sofrendo depreciações em até 75% de acordo com o segmento etc..em 1995 apresentou superavit de R$ 3,3 bilhões; em 1996 quase R$ 12 bilhões e disparou. Não dá para entender.
Em 2012 por imposição dos representantes dos associados foi realizada uma auditoria competente e apareceu desvios do governo FHC da PREVI para o BB entre 1997 e 2001 no importe de R$ 13,7 bilhões fora alguns desvios poucos relatados de um ex presidente e alguns diretores que foram apenados em alguns anos de cadeia mas nã devem ter cumprido e nem devolvido o dinheiro e esses valores corridos e acrescidos com os juros representavam à época 2,28 do patrimônio líquido do banco.

luiz Parussolo disse...

Omitiu-se informações do período PT e somente consideraram R$ 7,5 bilhões de 2010 desviados ilegalmente para o banco tomados dos associados. Mas devem ter muitos pombos e coelhos para serem retirados dos esconderijos talvez.
E quanto ao roubo de nossos recolhimentos, os 40 mil menos os amigos do rei, podemos deduzir para onde foram desviados, para cobrir o rombo do Banco do Brasil em substituição aos recursos do governo federal que seriam obrigatórios por serem rombos do próprio governo provocados pela corrupção generalizada como nos bancos e superintendências regionais e estaduais. ânus de pobre pode-se colocar até caibros de madeira, ripas, furadeiras...só possui valor sentimental. No final vários ex associados suicidaram, outros contraíram doenças letais e morreram e muitos na total miséria e a Previ zombando e torturando juntamente com o banco na existência de financiamentos e empréstimos contraídos e não cumpridos até hoje quando promoveram em conjuntos com o judiciário e os escritórios contratados verdadeiro assalto de organização criminosa mafiosa. São satânicos e quem sofre esse e outros massacres dentro do poder judiciário por imposições do governo e suas subsidiárias diretas e indiretas tem certeza que o governo PT não pode continuar, de jeito nenhum, e a oposição também pertence à mesma estrutura especulativa financeira sem ética e aptidão para inovar em criação, desenvolvimento e produção internamente e continuará submetendo, extorquindo e escravizando a população profissional técnica e produtiva mais esclarecida fazendo a equivalência na base da massa. Prova é a proposta de terceirização das atividades fim onde como já ocorre nas atividades meio todos os trabalhadores serão submetidos a micro firmas e perderão todos os recolhimentos sociais, férias e décimo terceiro e ficando incumbido do recolhimento total previdenciário. Esse projeto diabólico dos grandes empregadores e capitalistas é adotado por toda a oposição e grande parte da situação comprados pelas milionárias verbas de campanhas e demais doações.