segunda-feira, 2 de março de 2015

As Forças Armadas podem intervir?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves Oliveira

O objetivo que tenho em mente é fazer uma provocação ao mundo jurídico sobre a melhor interpretação  que pode se dar ao artigo 142 da Constituição Federal ,frente  aos recentes escândalos  levados à apreciação jurisdicional envolvendo políticos, autoridades governamentais e empresários.

As opiniões divergentes que andam por aí não têm a cientificidade que o caso requer. Delas não participaram as melhores cabeças jurídicas. A tendência majoritária dos próprios militares é no sentido de que a intervenção  com destituição da Presidenta da República não teria amparo jurídico. Isso também os têm levado, em grande parte, a apoiar o processo de impeachment, que, com certeza  não seria a saída mais inteligente, com  o país sendo re-entregue à sua pior escória  política, no caso, com a complacência, omissão e cumplicidade das Forças Armadas, que teriam se recusado a usar previamente da  prerrogativa constitucional que se lhes assiste.

Mas em grande parte a confusão e o errôneo entendimento se dá não só na interpretação do disposto no citado artigo 142 da CF, mas também quando combinado com a Lei Complementar Nº 97, de 1999, que  “pretende” regulamentar  tal  dispositivo constitucional. A lei complementar “avança-o-sinal” e dispõe sobre matéria para a qual não está autorizada, modificando - e não só regulamentando – o artigo 142 da Carta Magna, o que é inadmissível no ordenamento jurídico pátrio.Com a palavra os nossos “doutos”.

Para início de conversa, o art. 142 da Carta preceitua que  “AS FORÇAS ARMADAS...................... DESTINAM-SE À DEFESA DA PÁTRIA, À GARANTIA  DOS PODERES CONSTITUCIONAIS E, POR INICIATIVA DE QUALQUER DESTES, DA LEI E DA ORDEM”. Trocando esses  dizeres constitucionais em miúdos, significa dizer que as Forças Armadas devem intervir por iniciativa de qualquer um dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), tão somente para manter a LEI e a ORDEM. Nas hipóteses outras, ou  seja, DEFESA DA PÁTRIA e GARANTIA DOS PODERES CONSTITUCIONAIS, não será preciso provocação de nenhum dos Três Poderes, podendo as Forças Armadas, por via de consequência, agirem por motivação, decisão e ação próprias.

Resumidamente: As Forças Armadas podem intervir, com base no artigo 142 da Constituição para  DEFESA DA PÁTRIA e GARANTIA DOS PODERES CONSTITUCIONAIS, se ameaçadas ou violadas. Esse “julgamento” somente compete às Forças Armadas, sem qualquer interferência, seja  do Poderes Constitucionais, seja de qualquer outro.

A “coisa” poderia mudar de figura frente ao disposto no artigo 15 da Lei Complementar Nº 97/99. Porém poderia mudar de figurasse essa lei “tivesse” validade e não violasse a Constituição que regulamenta.  Talvez nunca tenha havido discussão judicial a respeito porque o problema é novo e jamais foi suscitado, por desnecessário.  Mas agora é. E urgente, antes que se faça “besteira”. E a “besteira” pode ser realizada  após 15 de março próximo, já que tal mobilização tende para o “impeachment”, sob a atenta  “torcida” do  PMDB.

 Ao que tudo indica, "descobriram” esse  risco (intervenção militar) só bem mais tarde. A Constituição é de 1988. O parágrafo primeiro do seu artigo 142 estabeleceu que a regulamentação do “caput” desse artigo dependeria de “lei complementar”. Ora a tal “lei complementar”  só   veio a ser expedida em 1999, ou seja, 11 anos após a Constituição. Foi tanta a demora, que é de se supor que os parlamentares  novos e antigos tenham “esquecido” dos limites a que estavam sujeitos para a missão de regulamentar  o dispositivo constitucional (art.142). Aí eles mudaram a Constituição. Deram ao Poder Executivo  prerrogativas muito além do previsto na Constituição, em detrimento, é claro, dos Poderes Legislativo e Judiciário, infringindo a Constituição.

Por tal Lei Complementar,  a INTERVENÇÃO MILITAR só poderá acontecer se “aprovada” e “acionada” pelo Presidente da República. Mas, pergunta-se agora, e se  a autoridade infratora , ou seja, o “réu”, se confundir com a pessoa do  Presidente da República? E se for o Presidente da República o agente que atenta contra a “pátria” e os seus “poderes constitucionais”? Poderia se esperar que   ele mesmo mandasse  demiti-lo ou prendê-lo ? Que determinasse a ação das  Forças Armadas contra ele próprio?

Ora, Senhoras e  Senhores, seria  estupidez essa interpretação.  Significaria configurar a tirania pura, que  apesar de tudo ,ainda nos negamos a aceitar, embora a  presença de muitos dos seus  traços mais marcantes.                                                                                                                   
A Lei Complementar   97, portanto, é flagrantemente inconstitucional. E se as entidades competentes para propor  a respectiva ação direta de inconstitucionalidade  ficaram “dormindo” e nada fizeram até hoje, não significa, evidentemente, validação do dispositivo questionado, e que a situação não possa ser levada  a qualquer momento  à apreciação de juiz.

E dito artigo dessa lei complementar também não poderá impedir que seja cerceado o direito constitucional das Forças Armadas  de intervirem ,por iniciativa própria, para DEFESA DA PÁTRIA e GARANTIA DOS PODERS CONSTITUCIONAIS.

Urge, por conseguinte, colocar luzes jurídicas sobre a INTERVENÇÃO MILITAR, da mesma forma que já existe, com  fartura,  em relação ao IMPEDIMENTO (impeachment). Mas o “impedimento”, na verdade, não seria tão “traumático” ao poder político, quanto a “intervenção  militar” porque  com certeza meramente seriam trocadas as “moscas”.

Reformas profundas mesmo somente mediante o IMPEDIMENTO, pelas  razões  e procedimentos que já expus em texto anterior , ao qual me reporto, e que o presente artigo pretende complementar ("Demissão da Presidenta: na caneta ou baioneta?).



Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

7 comentários:

Cavallier Bus disse...

Sabem para quê está servindo essa crise? Para todos mostrarem quem realmente são em suas almas.

Roubo terrorista na Petrobras descoberto. E vimos o cinismo e a arrogância dos ladrões. Eles são impiedosos, o roubo é uma missão de projeto de poder russo-satânico.

Os tucanos que deviam ter pintado seus bicos com tinta vermelha, são sempre jogados as culpas dos petralhas pelos próprios petralhas e correm para não pedir impeachment, evitar CPI do HSBC e só reclamam para fazer teatro que estão a nos defender.

Toda essa dialética é ensinada nas escolas deles, a maçonaria de rito do zé-pilintra, porque nem francês mais é, é do capeta mesmo. A maçonaria inglesa defende a Rainha Elisabeth. E aqui no Brasil há um membro dela, o vampiro vice-presidente da terrorista de plantão, a corcunda dos corredores do Palácio do Planalto. Há um outro que tem ligações com a Erenice.

E cá pergunto. Como pode ainda frequentar a Maçonaria gente desse naipe tão sujo?

Toda essa bagunça anunciada no Apocalipse é como o fogo. Ele destrói tudo e auto-consome.

O mal é insustentável. No fim após dores, sangue e lágrimas, verão que fazer o bem, o correto é tão simples, não oneroso e muito mais fácil do que costurar as lascas de gelo do mal sob o sol tropical.

Cristiano Arruda.

Anônimo disse...

AF disse:

É permitido (e exigido) pela CF que haja uma intervenção militar para a defesa da pátria e para garantir os poderes constitucionais. Não obstante, a situação atual é ainda atípica, tendo em vista que os inimigos corromperam todo o sistema democrático, inclusive as eleições, gerando total insegurança quanto ao processo eleitoral. Sendo assim, tal situação, ao meu ver, não está contemplado CLARAMENTE na CF. Todavia, o dispositivo constante no art. 142 permite e exige que haja intervenção militar para, principalmente, a defesa da pátria, pois nesta situação atípica, a pátria corre perigo, pois até a Constituição Federal vem sendo completamente reformada e corrompida por esta horda de apátridas terroristas comunistas.

A letra é clara. Mais ainda, estamos em SITUAÇÃO ATÍPICA, pois todo o sistema de governo nos 3 poderes foi comprometido, principalmente o próprio chefe do executivo.

Agora, quem está assessorando juridicamente o comando das FFAA? Um advogado do PT? Ah, faça-me o favor... ou será que é desculpa de quem está de conluio com os apátridas? é... Deus nos ajude! Dia 15 de Março estaremos juntos.

Universidade de Direito á Distância disse...

Punir e acusado de assassinato seu opositor, mas pede o controle das apurações. Eduardo Campos, assassinado,mas Quem assume a sabotagem? Caprilles, preso naVenezuela,por ordem de um impostor, Maduro? HUGO CHAVES, assassinado ou morto Por Cuba? O crime e o projeto de poder dos comunidaassassinos.Estao usando o o Brasil para invadirem à América do Sul.

Anônimo disse...

Preguiça ..,,,lkkkkkkk

LUMAR SILVA disse...

NA ATUAL CONJUNTURA SERIA O MAIS SENSATO INTERVENSÃO CONSTITUCIONAL COM A NOMEAÇÃO DE UM INTERVENTOR CIVIL.NA MINHA OPINIÃO O IDEAL SERIA DR.JOAQUIM BARBOSA PARA PROMOVER TODAS E NECESSÁRIA REFORMAS PARA AJUSTAR O PAIS PARA A GOVERNABILIDADE DEMOCRATICA.LUMAR SILVA

Unknown disse...

CONCORDO EM GÊNERO, NÚMERO E GRAU LUMAR SILVA...
ACRESCENTO QUE EM APOIO AO INTERVENTOR DEVÍAMOS COMPOR UMA EQUIPE COMPOSTA DE MEMBROS DAS FORÇAS ARMADAS, POLÍCIA FEDERAL, OAB, JURISTAS E UNICA E TÃO SOMENTE POLÍTICOS COM COMPROVADA HONESTIDADE E PATRIOTISMO. (INFELISMENTE, MUITO POUCOS)

RODRIGO MALENO GOULART ADVOGADO disse...


vamos esperar mais o que???