quinta-feira, 23 de abril de 2015

Os batalhadores, a conta e o castigo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hélio Duque

“O que surgiu no Brasil nos últimos anos não foi uma nova classe média, mas uma nova classe trabalhadora precarizada, super explorada.” Em 21 de março de 2013, o sociólogo Jessé José de Souza, professor da Universidade Federal Fluminense, no seu livro “Os batalhadores brasileiros – nova classe média ou nova classe trabalhadora””, contestava a teoria oficial de surgimento de uma nova classe média. Expressão criada pelo economista Marcelo Neri, então presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e posteriormente promovido a ministro no governo Dilma Rousseff. Recentemente demitido, para o seu lugar foi nomeado o ministro Mangabeira Unger. Ao assumir alertou que nos últimos anos o “keynesianismo vulgar” agravou os problemas do Brasil, adiando o dia da conta e do castigo.

O Ipea, órgão subordinado ao seu ministério, passou a ter um novo titular. E o escolhido, surpreendentemente, foi o sociólogo Jessé José de Souza, para restabelecer e resgatar a credibilidade do órgão. No seu livro afirmava: “Dizer que os emergentes são a nova classe média é uma forma de dizer, na verdade, que o Brasil finalmente está  se tornando uma Alemanha, uma França ou uns Estados Unidos. Nossa pesquisa empírica e teórica demonstrou que isso é mentira”. Na mesma direção o ministro Mangabeira Unger, não deixa por menos, constatando que a política econômica dos governos Lula e Dilma teria gerado alto nível de emprego, mas a grande maioria empregada em serviços de baixa produtividade e sem futuro.

A realidade, nesse segundo mandato presidencial, está dando total razão às contundentes constatações de Mangabeira Unger e Jessé José de Souza. Eles parecem ter emergidos do realismo fantástico do escritor Gabriel Garcia Marques, autênticos personagens do romance “Cem Anos de Solidão”. Na verdade o governo vendeu para a sociedade no curto prazo um cheque especial sem cobertura, esquecendo o futuro, enxergando com “ativo populismo”, unicamente “objetivos eleitorais”. Por algum tempo o engodo deu certo, alicerçado nos marqueteiros e suas campanhas milionárias. Agora a crise econômica e social se espalha anulando conquistas e travando a ascensão social de milhões de brasileiros. A fragilidade das instituições econômicas atingiu o ápice.

As famílias estão sendo obrigadas a apertar o cinto, tarifas públicas, aluguel, remédios e alimentos absorvem a quase totalidade do orçamento doméstico. As finanças familiares podem ser medidas, no que ocorreu no mês de março: os recursos da caderneta de poupança foram sacadas para pagar dívidas no montante de R$ 11,4 bilhões. Paralelamente o endividamento está levando ao desespero enormes parcelas da população. Agravado com o desemprego, atestado pela Pnad-Continua, se expandindo nos grandes centros urbanos. Mesmo quem continua empregado teme o que pode vir a acontecer. É um cenário preocupante. Onde a alta da inflação é perigoso combustível.

Resultado de tudo isso é economia em recessão, desvalorização da moeda, inflação ascendente, queda de salários e ajuste fiscal penalizador da sociedade. Para piorar: crise política expondo a fragilidade dos “apelidados” partidos políticos e escândalos de corrupção explodindo como um rio caudaloso.

Atônito o governo queda-se perplexo engolfado em um terremoto que ele próprio produziu. E negado pela candidata à reeleição Dilma Rousseff na campanha eleitoral. Gerando no bojo da crise, a frustração da sociedade por ter sido enganada. Agora tardiamente tenta corrigir a rota, reconhecendo na prática os erros cometidos, mas sem admitir publicamente. O governo é uma metáfora.


Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

3 comentários:

Anônimo disse...

1978 deputado federal dono de uma rede de supermercados juntou ganancia e patifarias com Antônio Ermínio criam moeda própria Talao de cheque salario da CBA seria aceito e deveria ser trocado apenas nas lojas da rede se gastassem a metade foi a mesma época que você afirma ter sido deputado federal e ladrão ou não ...

Anônimo disse...

A década perdida graças aos seus comparsas não tínhamos o que comer nem vestir não tivemos empregos nem de orelha seca conhecidos como o pais dos desdentados pois ate os 14 anos tínhamos direito ao inps depois tínhamos que nos virar não recebíamos férias nem horas extraseramos roubados por você e os seus de todo o modo você merece pena de morte você e todo o resto da sua DITADURA.

Anônimo disse...

Este tal de Hélio Duque deve ser perseguido preso interrogado no pau de arara e ser obrigado a contar de onde ele conseguiu esses títulos que ele julga tao importante mas se esquece de tudo e todos que ele roubou perseguiu e matou ele sim assassino se não de pessoas de sonhos sonhos de uma década inteira...