terça-feira, 28 de abril de 2015

Uma auto-crítica pós-socialismo real


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I.S. Azambuja

Após o desmoronamento do socialismo real muitas foram as autocríticas de militantes que perderam o rumo. Reconheça-se, no entanto, que alguns persistem. Uns sugerem um retorno a Marx. Outros afirmam que a culpa foi de Stalin, que distorceu Marx e Lênin.

"Definitivamente, os modelos de militância que marcaram os setores mais radicais da esquerda por cerca de 70 anos se esgotaram. Figuras como o bolchevique, o agitador anarquista, o guerrilheiro urbano, o soldado-partido, não mais existirão, pois as regras que regulavam o funcionamento dos coletivos que constituíam essas figuras jurássicas foram derrubadas. Uma dessas regras, a fundamental, foi aquela que a Rainha Vermelha, do livro "Alice no País das Maravilhas", bradava: “Primeiro a sentença. Depois o veredicto”

Após o desmoronamento do socialismo real foram muitas as autocríticas de militantes que perderam o rumo. Reconheça-se, no entanto, que alguns persistem. Uns sugerem um retorno a Marx. Outros afirmam que a culpa foi de Stalin, que distorceu Marx e Lênin.

Entre estes últimos, há também aqueles que, embora sem deixar de acreditar na utopia, fizeram uma autocrítica, como o kamarada que escreveu o texto abaixo, culpando não a doutrina científica, mas aqueles que não souberam colocá-la em prática:

"A derrota da Frente Sandinista, em 1990, nas eleições presidenciais na Nicarágua demonstra que, sem paz e pão, não se pode esperar que o povo reconheça na esquerda a sua vanguarda".

De fato, é a esquerda que, histórica e teoricamente, se tem autodenominado vanguarda, termo pomposo que dá a quem o pronuncia a ilusão de comando. Não fossem tão pretensiosos, talvez preferissem se considerar retaguarda.

Ora, como poderia o povo rejeitar, pelo voto livre e secreto, a sua vanguarda, e escolher a candidata do imperialismo, se a teoria determina que os trabalhadores no poder não podem cometer suicídio de classe? Pode-se resolver o enigma admitindo-se que a teoria está certa, o povo é que anda errado...

O antigo militante, companheiro de lutas e mutirões, virou dirigente e, logo, ocupante de um cargo de destaque na estrutura de poder. Enquanto os jovens partiam para a frente de combate e as mulheres perdiam o alento diante da acelerada desvalorização do córdoba e do crescente aumento dos preços, alguns dirigentes viviam em condições privilegiadas, distantes do trabalho de base e da população.

Se a Nicarágua sandinista fracassou por culpa do imperialismo, o mesmo não se pode dizer a respeito do socialismo europeu. Não houve agressão militar e nem o espectro da fome rondou os lares. Foi a própria população que, saturada da burocracia e fascinada pelo consumismo neoliberal, deu um basta naquele modelo político imposto em decorrência da partilha da Europa, ocorrida no fim da Segunda Guerra. Onde imperava a ditadura do partido, o povo exigiu democracia; onde se impunha severo controle ideológico, sob aparato policial, o povo pediu liberdade.

A desintegração da União Soviética, por sua vez, deixou a nu o socialismo cubano. Desde que assumiu o Poder, em 1959  a Revolução não logrou criar uma infraestrutura mínima de auto-sustentação. A dependência entranhou-se nas próprias estruturas do Estado. E, a exemplo do que ocorreu na Nicarágua, as fronteiras entre o Estado e o partido perderam nitidez. 

Não é nada fácil resistir quando se defronta com um apartheid turístico, pelo qual os estrangeiros têm acesso aos mais sofisticados bens de consumo e aos melhores espaços de lazer da ilha, enquanto a população carece de sabão e enfrenta filas intermináveis para comprar um simples sorvete.

Só haverá socialismo se houver socialistas revolucionários. E estes só terão êxito se fortalecerem a organização popular".

A matéria acima não é um relatório da CIA e também não é um texto escrito por exilados cubanos em Miami. Foi escrita por Frei Betto. Está nas páginas 409 a 413 do seu livro "O Paraíso Perdido", editora Geração Editorial, 1993.


Carlos I.S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Anônimo disse...

AQUI VAI UM DESAFIO LADRAO QUE ROUBA LADRAO TEM CEM ANOS DE PERDAO FUI ROUBADO MINHA VIDA INTEIRA DIFERENTE DE HOJE ROUBARAM MINHA INFANCIA MEUS ESTUDOS MEU EMPREGO MATARAM MEU PAI PRENDERAM MEUS AMIGOS ROUBARAM MEU DINHEIRO MEUS SONHOS NAO TINHA O QUE COMER VESTIR CALÇAR DENTES CONDUÇAO E NAO ERA O PT QUE ESTAVA NO GOVERNO .DESAFIO PESQUISAREM QUEM FOI OS LADROES DESTA\ EPOCA TENHO 57 ANOS DE IDADE E EU NUNCA ROUBEI.

Anônimo disse...

Jogaram minha cabeça oca no lixo da cozinha e eu vi meu corpo sem ela pela primeira e única vez fui posto a mesa com mais três e foi o metre quem fez .pois então roubaram mataram enganaram sabotaram venderam e ainda querem voltar não vocês vao para o inferno dos tucanos e bodes ...