segunda-feira, 25 de maio de 2015

A Stressanta


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Um arquiteto sem vivência projeta um zoológico com a jaula do predador bem enfrente a do animal predado.

Não adianta explicar para os bichos que eles estão protegidos por grades ,valas e fossos. Um vê e sente o cheiro do outro. Morrerão ambos de stress.

Assim está a Anta. Sabe que para salvar-se tem que sacrificar o molusco.

Este por sua vez usa a tática do velho palhaço que repete sempre o mesmo truque. As crianças cresceram e já não aguentam mais a pantomima vista à náusea.

Cumpre-se o ciclo: de boi a touro, depois rufião e logo bife.

Carne de segunda é verdade; cheia de nervos, bernes e outros defeitos.

Talvez fuja para a terra onde as vacas são sagradas. Ele que não se importa em viver entre a sujeira e miséria que causou, decerto arrumará um triplex com mobília de bois-de rose. Afinal fez o que pode e o que falta intera com a pose.

Um dia acabará no frigorífico.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

3 comentários:

Loumari disse...

Sacrificar o mulusco mesmo?

Se a lenda diz que o gato tem 7 vidas, olha que este mulusco brasilês tem 10 vidas. Aquele mulusco aí vai arruinar o Brasil até o país se tornar um espanto. Estão a lhe subestimarem muito.

Loumari disse...

Crueldade e Sofrimento

A crueldade é constitutiva do universo, é o preço a pagar pela grande solidariedade da biosfera, é ineliminável da vida humana. Nascemos na crueldade do mundo e da vida, a que acrescentámos a crueldade do ser humano e a crueldade da sociedade humana. Os recém-nascidos nascem com gritos de dor. Os animais dotados de sistemas nervosos sofrem, talvez os vegetais também, mas foram os humanos que adquiriram as maiores aptidões para o sofrimento ao adquirirem as maiores aptidões para a fruição. A crueldade do mundo é sentida mais vivamente e mais violentamente pelas criaturas de carne, alma e espírito, que podem sofrer ao mesmo tempo com o sofrimento carnal, com o sofrimento da alma e com o sofrimento do espírito, e que, pelo espírito, podem conceber a crueldade do mundo e horrorizar-se com ela.
A crueldade entre homens, indivíduos, grupos, etnias, religiões, raças é aterradora. O ser humano contém em si um ruído de monstros que liberta em todas as ocasiões favoráveis. O ódio desencadeia-se por um pequeno nada, por um esquecimento, pela sorte de outrem, por um favor que se julga perdido. O ódio abstracto por uma ideia ou uma religião transforma-se em ódio concreto por um indivíduo ou um grupo; o ódio demente desencadeia-se por um erro de percepção ou de interpretação. O egoísmo, o desprezo, a indiferença, a desatenção agravam por todo o lado e sem tréguas a crueldade do mundo humano. E no subsolo das sociedades civilizadas torturam-se animais para o matadouro ou a experimentação. Por saturação, o excesso de crueldade alimenta a indiferença e a desatenção, e de resto ninguém poderia suportar a vida se não conservasse em si um calo de indiferença.

"Edgar Morin, in 'Os Meus Demónios'"

Loumari disse...

Encaminhamo-nos para uma Grave Crise

A situação económica tem-se agravado e tenderá a agravar-se. Tendo causas estruturais, as dificuldades da economia não podem ser vencidas por medidas através das quais o governo procura fazer face aos mais agudos problemas de conjuntura. O afrouxamento do ritmo de desenvolvimento, a baixa da produção agrícola, os défices sempre crescentes, do comércio externo, a inflacção, a acentuação do atraso relativo da economia portuguesa em relação às economias dos outros países europeus, mostram a incapacidade do regime para promover o aproveitamento dos recursos nacionais, o fracasso da «reconversão agrícola» e a asfixia da economia portuguesa pela dominação monopolista, pelas limitações do mercado interno provocadas pela política de exploração e miséria das massas e pela subjugação ao imperialismo estrangeiro. (...) O processo de integração europeia, dado o atraso da economia portuguesa, agravará a situação.

Os monopólios dominantes e o seu governo procuram sair das contradições e dificuldades, assegurar altos lucros, apressar a acumulação, conseguir uma capacidade competitiva no mercado internacional: 1) intensificando ainda mais a exploração da classe operária e das massas trabalhadoras; 2) aumentando os impostos; 3) dando curso à subida dos preços; 4) apressando a centralização e a concentração; 5) pondo de forma crescente os recursos do Estado ao serviço dos monopólios; 6) submetendo de forma crescente a economia portuguesa ao imperialismo estrangeiro; 7) procurando assegurar as fontes externas para o equilíbrio financeiro, designadamente turismo e remessas de emigrantes.

No plano económico, tal orientação encaminhará o país para uma grave crise. No plano social e político, a evolução da situação económica tenderá a aumentar a tensão social e a intensificar a luta de classes.

Álvaro Cunhal , in "Sobre a Situação Política e as Tarefas do Partido (1973)"