domingo, 17 de maio de 2015

Contra-ataque ao terror

Atletas israelenses vítimas em 1972: vingados?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I.S. Azambuja

Uma resenha do livro "Contra-ataque", mostrando a retaliação do governo israelense diante do massacre de seus atletas nas Olimpíadas de Munique.

“Sylvia era uma ‘cæsariana’ de linhagem nobre, que se ofereceu voluntariamente para combater pela nação de Israel... Dizem que aqueles que não agem, não cometem erros e nunca têm problemas. Nós agimos! Fizemos muitas coisas e tivemos êxito. Quando tivemos êxito, fomos chamados de ‘profissionais’, ‘a mão de Deus’ e muito mais. E quando falhamos, nos chamaram de “shlomeils”. A verdade é que não éramos ‘shlomeils’ e não éramos ‘profissionais. Nós simplesmente cumprimos nossa missão de defender a nação de Israel” (Mike Harari, comandante do grupo Cæsarea e de uma missão que levou a combatente Sylvia Rafael, uma judia nascida na África do Sul, à morte).

Apenas 27 anos depois de seis milhões de judeus terem sido levados a campos de concentração e assassinados, as feridas do Holocausto voltaram a sangrar nas Olimpíadas de Munique, em setembro de 1972, com o assassinato de 11 atletas israelenses pela organização terrorista palestina intitulada Setembro Negro.

O fracasso das autoridades alemãs em lidar com o seqüestro não tem um equivalente moderno. O amadorismo, os erros de cálculo e as falhas na condução da crise não têm paralelo. Até hoje, ninguém assumiu a responsabilidade pelo fracasso em evitar o massacre nas Olimpíadas: nem o governo bávaro, nem a então República Federal da Alemanha, nem qualquer repartição alemã.

“Os erros no planejamento e na organização da missão de resgate da polícia no campo de aviação Fürstenfeldbruck, em 6 de setembro de 1972, foram especialmente intoleráveis e exasperantes. Os componentes operacionais do plano evidenciam, na melhor das hipóteses, a condução não profissional e negligente da missão. Na pior, os resultados apontam para uma repreensível covardia e um imperdoável abandono do dever” (Aaron J. Klein, autor do livro “Contra-Ataque”, 2006, editora Ediouro, de onde foram extraídos os dados que compõem esta matéria).

Em 12 de setembro, uma semana depois do chamado Massacre de Munique, a Primeira-Ministra de Israel, Golda Meir, em Jerusalém, recebeu em seu gabinete os familiares das vítimas e, após as condolências costumeiras, encarou-os diretamente e falou: “Quero partilhar meus planos com vocês. Decidi perseguir cada um deles. Nenhuma pessoa envolvida de qualquer forma vai continuar andando por este mundo por muito tempo – disse ela, batendo na mesa para enfatizar. Vamos caçá-las até a última”. Ninguém disse uma só palavra. Não houve aplausos.

No mesmo dia, foi realizada uma sessão do Knesset (Parlamento), com a presença de todos os seus 120 membros. A oposição, do partido Herut, de direita, pela voz de seu líder, Menachem Begin, pediu que a guerra de Israel contra o terror mudasse de rumo: “A retaliação não basta mais. Queremos um ataque prolongado e sem fim contra os assassinos e suas bases... Devemos sufocar todos os seus planos e operações e eliminar a existência dessas organizações assassinas... Precisamos eliminar esses criminosos e assassinos da face da Terra, fazê-los ter medo, fazer com que não sejam mais capazes de disseminar a violência. Se precisarmos de uma unidade especial para isso, está na hora de formá-la”.

Como líder da oposição no Knesset, Menachem Begin não tinha idéia de que tal unidade secreta já existia. Era chamada Cæsarea, que operava secretamente em território neutro e também no território inimigo, sob o comando de Mike Harari. Colocada em prática a nova estratégia, mesmo os terroristas mais duros teriam de gastar muito tempo e energia cuidando da sua segurança pessoal.

Cada missão seria antes aprovada pela Primeira-Ministra que era quem decidiria, em última instância, o destino de cada pessoa. Mike Harari dispunha de três equipes com 12 homens cada uma.

Golda Meir não era o tipo de comandante-em-chefe que examinasse detalhes operacionais, fazendo perguntas críticas a respeito das missões propostas. A sua principal preocupação era: o que vai acontecer aos “rapazes” se forem apanhados em solo estrangeiro?

Em 29 de outubro de 1972 o vôo 615 da Lufthansa, de Damasco para Frankfurt, decolou às 5:35 hrs. O avião, com sua tripulação de 7 pessoas pousou em Beirute, onde 13 homens embarcaram. A 16 milhas ao norte de Chipre o avião foi seqüestrado. Um dos seqüestradores se apresentou aos passageiros como Abu-Ali e disse que a missão que chefiava era a “Operação Munique”, destinada a libertar os três terroristas do Setembro Negro capturados vivos no campo de aviação de Fürstenfeldbruck. Se a Alemanha concordasse em libertar “os três heróis”, ninguém no vôo seria ferido; se isso não acontecesse, ele e o outro terrorista a bordo explodiriam o avião. O governo da Alemanha, sem informar os israelenses, imediatamente concordou em libertar “os três heróis”.

Os terroristas foram levados para Zagreb, Iugoslávia, embarcados no avião seqüestrado e foram todos para a Líbia, onde os “três heróis” deram uma entrevista à imprensa. Platéias internacionais ouviram dos terroristas, em primeira mão, a versão do que ocorrera em Munique e testemunharam a total rendição do governo alemão, que se sentia ameaçado por manter terroristas encarcerados em seu solo. A rápida liberação dos militantes do Setembro Negro causou assombro e raiva em Israel. Dias depois, quando Zvi Zamir e Mike Harari foram até seu gabinete pedir autorização para assassinar Mahamoud Hamshari, representante da OLP em Paris, Golda Meir rapidamente concordou.

Fontes alemãs, palestinas e israelenses discutiram se o seqüestro, realizado por especialistas da FPLP (Frente Popular de Libertação da Palestina) sob o comando de Wadi’a Hadad, foi previamente coordenado com autoridades alemãs. Alguns diziam que o governo da Alemanha Ocidental havia pago pela missão, transferindo 5 milhões de dólares para a conta da FPLP em função do seqüestro simulado.

Quando perguntaram a Ulrich Wagner, importante assessor do Ministro do Interior Genscher, da Alemanha, à queima-roupa e ao vivo, o que pensava do alegado esquema germano-palestino, ele respondeu: “Sim, acho que provavelmente é verdade”.

Um detalhe apontado para a probabilidade do esquema era a composição dos passageiros: poucos, e todos homens. Esse fato incomum corrobora, embora não prove, a teoria conspiratória.

A morte de Mahamoud Hamshari, que foi mandado pelos ares quando trabalhava em seu escritório, em sua casa, fez com que os líderes da OLP na Europa começassem a temer por suas vidas e o efeito da repressão passou a funcionar: os agentes palestinos, em vez de estarem planejando o próximo ataque violento, começaram a se concentrar na própria sobrevivência.

Em meados de janeiro de 1973, Golda Meir autorizou o assassinato do terceiro alvo desde Munique: Hussein Abu-Khair, emissário da OLP em Nicósia, Chipre, o que ocorreu em 26 de janeiro.

Naquela manhã, bem cedo, o telefone acordou Ankie Spitzer, viúva de Andrei Spitzer, um atleta assassinado em Munique. Uma voz masculina desconhecida ordenou que ela ouvisse o noticiário das 10 horas. “Quem é?”, perguntou ela. “Não interessa”, disse a voz. “Isso é pelo Andrei”. E desligou. O noticiário das 10 horas divulgou que uma misteriosa explosão tinha matado o representante da Fatah em Nicósia. Ankie iria receber mais algumas ligações como essa nos meses seguintes.

Uma alta fonte da Inteligência israelense disse ao autor de Contra-Ataque:
“Nosso sangue estava fervendo. Estávamos em uma missão conferida diretamente pela Primeira-Ministra. Não era preciso que alguém tivesse sangue nas mãos para que o matássemos. Se houvesse uma informação da Inteligência, o alvo estivesse ao alcance e houvesse uma oportunidade, nós executávamos. Até onde nos importava, estávamos agindo na repressão, forçando-os a rastejar para sua concha protetora e a não planejar ataques contra nós. Muitas vezes as decisões foram tomadas com base em facilidades operacionais. Não é que as vítimas fossem inocentes, mas se existia um plano e eles eram freqüentemente os alvos mais fáceis, estavam condenados a morrer”.

Diversos terroristas ou simples representantes da OLP ou da Fatah foram, assim, mortos durante os anos 70, ocorrendo no entanto um trágico erro, quando foi morto um inocente, confundido com o terrorista Ali Hassan Salameh, chefe da Força 17 da Fatah e membro do círculo íntimo de Arafat, em Lillehammer, na Noruega, em 21 de julho de 1973. Ali Hassan Salameh só seria executado em 22 de janeiro de 1979. Manteve-se vivo durante tantos anos em virtude de suas conexões com a CIA. Era a ligação de Arafat com as agências de espionagem, um canal secreto que possibilitava a comunicação entre o líder palestino e a administração norte-americana que se recusava publicamente a reconhecer a OLP.

Em decorrência do assassinato do inocente, seis membros da Cæsarea - quatro homens e duas mulheres - foram presos em Oslo, submetidos a julgamento e cinco deles condenados a penas de um a cinco anos e meio. Somente em 1996, o então Primeiro-Ministro Shimon Peres concordou em negociar uma compensação para a família da vítima, embora sem assumir oficialmente a responsabilidade pelo ato. Israel pagou uma compensação de 400 mil dólares à família.

Trinta e um anos depois do veredicto do tribunal norueguês, os combatentes e um corpo de oficiais veteranos da Cæsarea compareceram ao funeral de uma das duas mulheres que eram membros  da Organização, a combatente Sylvia Rafael, uma judia nascida na África do Sul. Na tarde de 15 de fevereiro de 2005, com 67 anos de idade, ela foi sepultada no pequeno cemitério do kibutz Ramat Há’Kovesh, no meio dos campos e à sombra dos ciprestes. Mike Harari, comandante do Cæsarea, o homem responsável pela missão de Lillehammer que a levou à morte, fez o elogio fúnebre:

“Sylvia era uma ‘cæsariana’ de linhagem nobre, que se ofereceu voluntariamente para combater pela nação de Israel... Dizem que aqueles que não agem, não cometem erros e nunca têm problemas. Nós agimos! Fizemos muitas coisas e tivemos êxito. Quando tivemos êxito, fomos chamados de ‘profissionais’, ‘a mão de Deus’ e muito mais. E quando falhamos, nos chamaram de “shlomeils”. A verdade é que não éramos ‘shlomeils’ e não éramos ‘profissionais. Nós simplesmente cumprimos nossa missão de defender a nação de Israel”.

A verdade é que a capacidade de Israel atacar e matar os representantes de Arafat em seus próprios quartos de dormir, em qualquer lugar do mundo, deixou uma marca indelével sobre todos os terroristas e ativistas. A ameaça de uma morte inesperada passou a segui-los por todos os cantos.

Dados Bibliográficos:
Livro 
“Contra-Ataque”, de Aaron J. Klein, editora Ediouro, 2006.

Carlos I.S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Anônimo disse...

A meu ver, a única falha cometida pelo Cæsarea em todos esses anos foi a interrupção dos trabalhos de aniquilamento sumário de todos os inimigos de Israel.
Essa unidade deveria ser permanente e atuante contra todos que atacam muitas vezes covardemente a nação de Israel.

GRIFÃO disse...

PRESTEM ATENÇÃO NOS ACONTECIMENTOS

É essa atenção que falta à maioria dos brasileiros. Por exemplo, muitos pediam, pedem (eu também) intervenção militar constitucional por parte das FFAA brasieiras, mas todos esquecendo um fato bem simples, o das manifestações de militares da cúpula de comando afirmarem que não o farão. Mas oras, não só isso, pois acontece que o povo também poderia passar a uma ação mais efetiva, ou seja o próprio povo poderia depor Dillma Rousseff, poderiam promover uma rebelião, mas lhes falta coesão, união. Observem a miríade de grupos existentes no Facebook, por exemplo, cada um querendo construir seu grupo, ser o salvador da Nação. E tais formadores de grupos aceitam fusão inter grupos, lutarem por uma bandeira, um objetivo simples, unificado? Não, não aceitam. Mas oras, militares sabem como emular espíritos, criar união, mas alguém sabe, viu, leu, sobre ações de militares tipo gal. Paulo Chagas, promovendo ou buscando união entre os civís? Não, claro que não, pois isso não é do interesse deles militares, muito ao contrário, pois a presente situação lhes é conveniente, pois gestaram e pariram Lulla e o PT. O que vivemos a muitos anos, desde até que iniciou o governo de José Sarney, corrupção e completa impunidade, inseguranca publica e povo e Estado desarvorados, é fruto do trabalho de militares das FFAA brasileiras e da sua cria Lulla da Sillva e PT, inclusive PSDB e outros partidos.

Resumindo, o que nos acontece hoje, o que acontece à nossa Nação, ao nosso povo, ao nosso Brasil, é resultante de estratégia das FFAA brasileiras, de Lulla da Sillva, do PT e suas crias malditas e de nossa omissão e até desconhecimento de muitos do que acontece nos bastidores políticos e institucionais.

Ou nos unimos e promovemos uma rebelião geral, armada, ou pereceremos como escravos do socialismo satânico.