sábado, 16 de maio de 2015

Mais-valia versus corrupção no Brasil


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Começo fazendo uma provocação aos especialistas na área para que façam um estudo no sentido de se obter informações sobre qual a quantia em dinheiro que o trabalhador  brasileiro deixa de receber como remuneração pelo seu trabalho, e que é desviada em benefício do CAPITAL, a título  de MAIS-VALIA, e, ao  lado  dessa informação, e para comparação, qual é a  quantia que deixa de compor a remuneração  dos trabalhadores para  municiar a corrupção e outros desvios ilícitos no serviço público. Certamente são dois números perfeitamente identificáveis. A dúvida que poderia surgir dessa proposição seria a seguinte: o que tem a ver  a “mais-valia” com a “corrupção”  no serviço público?

Também sou um crítico do marxismo. Mas jamais pelo modelo teórico que o pensador alemão idealizou, porém  pelos fracassos e desvios da aplicação da ideia pelo mundo afora. As deficiências dos trabalhadores, concorrendo com as dos governantes, de todas as latitudes e longitudes geográficas onde foi aplicado, jamais permitiram que o modelo socialista desse certo. Nem na Rússia funcionou, como os seus protagonistas antes imaginaram. Mas parece que  nem mesmo o fracasso histórico do socialismo foi o suficiente para que muitos “insistentes” e “teimosos” que andam por ai desistissem da ideia de implantá-lo, agora, mais  particularmente, na  América Latina.

A sua eventual adoção, em  toda, ou parte da América Latina, como pretendem os líderes do “Foro San Pablo”, teria um lado bom. Mas outro ruim. Muito ruim. Nas regiões onde fosse implantado seria um desastre para  elas, não só pelos nefastos exemplos históricos do passado, mas também  por estarem  envolvidos no plantio e cultivo dessa ideologia elementos da pior escória política dos seus países, inclusive por ladrões que provocariam inveja até naqueles outros ladrões que já morreram e foram para o inferno.

Mas o lado “bom”, para os antissocialistas e, consequentemente, ruim para os socialistas, seria o fato da adoção desse modelo aqui pelas terras latino-americanas proporcionar o fim do socialismo, que já anda em estado cambaleante, após o fim da União Soviética e a derrubada do Muro de Berlim. Seria ele sepultado para todos os tempos e lugares, para a “eternidade”, de  tão desmoralizado que ficaria.

No caso do Brasil, por exemplo, não é este país que deve temer o socialismo, porém é o socialismo que deve temê-lo. Significa dizer: é até possível supor que o socialismo se instalasse no Brasil. Mas seria o fim da sua “linha”, da sua “vida”, da sua “trajetória”. Um mal para o Brasil e um bem para o mundo.

Poderia aparentar estarmos vendo no capitalismo uma alternativa melhor que o socialismo. Nada disso. O capitalismo tem tantos defeitos quanto o socialismo. Só que essas incorreções estão em lados opostos. Mas quando se analisa o capitalismo, vê-se que a sua teoria e a sua prática são bastante convergentes.  Significa dizer que não há contradição entre um e outro.

Mas isso não acontece no socialismo. A teoria é completamente diferente da prática. A contradição é enorme. Enquanto a teoria socialista de Marx tem muitas virtudes, as práticas “marxistas”, adotadas no mundo até hoje,  foram desastrosas, ou, no mínimo, não convincentes. E não seria pelo fato da supervisão do “Foro San Pablo”, na América Latina, que  o resultado seria diferente. Mas se isso acontecesse, por hipótese, seria um desastre político ,social e econômico nas  regiões atingidas, e  o preço a ser pago pelas  gerações  futuras ,de um valor enorme, inestimável, com  a vitória do que há de pior no caráter político da região.

Após essa digressão,retornamos ao foco prioritário do problema  em estudo, qual seja, descobrir  qual a “montanha”  maior de dinheiro e  que mais causa prejuízos ao povo brasileiro,se a MAIS-VALIA ou a CORRUPÇÃO.

Arrisco até a concluir que se Carl Marx vivesse no Brasil de hoje ele apontaria a sua espada não mais para a “mais-valia” dos empresários, contudo  para a “corrupção” no serviço público.  Até porque os perversos índices da mais-valia na época do filósofo se amenizaram em grande parte do mundo.                                                                                                                                  
Porém a mais-valia se tornou um problema menor no Brasil se comparado com a corrupção. A origem do dinheiro, no primeiro caso, além de legal, tem  grande fundo MORAL. O empresário não só fornece todos os equipamentos que irão servir à produção, como sofre, integralmente, todos os riscos da sua atividade econômica. Mas apesar disso ele não tem nenhuma garantia da remuneração do seu capital, nem do seu trabalho em administrá-lo. Portanto a remuneração do seu trabalho à frente do seu capital vai depender do seu esforço e capacitação.
Mas também é verdade que a remuneração do trabalhador deve ser a mais justa possível. Mas deve ficar nos limites da capacidade do empregador. Se ultrapassar essa fronteira, o trabalhador deixará de ser “vítima” da  mais-valia para ser um desempregado da “menos-valia”.

Voltando à corrupção. Uma das suas espécies é a chamada “propina”, que consiste em ilicitamente dar dinheiro ou algum bem a qualquer representante  do Serviço Público a fim de obter alguma vantagem em negócio com a Administração.

Quem perde e quem ganha com a “propina”?

Estou propenso a concluir que a propina é paga, não pelo trabalhador diretamente, mas com o dinheiro que deixou de entrar no seu bolso como salário para formar o “caixa” da corrupção, por seu patrão. A razão é simples. O pagamento da “propina” gera uma despesa que tem que ter alguma fonte de onde tirar. Tudo leva a crer que o “cofre”, a “poupança” mais acessível, está  na retirada de uma fatia do salário dos trabalhadores para desviá-lo  em pagamento de propina. A conclusão é que os empregados pagam as propinas sem saberem.

Mas o “roubo” vai mais longe. Toda a sociedade ajuda a pagar essas propinas. É evidente que o pagamento de propina pelos empresários vai ser “compensado” com o valor correspondente no preço da mercadoria ,obra ou serviço vendido à Administração. Portanto vai sair mais caro para a Administração. Mas quem paga esse valor corrompido não é o Poder Público, e sim o contribuinte que é achacado com impostos por todos os lados.

Resumidamente podemos dizer, a “mais-valia”, apesar das críticas que sofreu em todos os tempos, tem papel importante na sociedade, tem   justa-causa, ao  passo que a corrupção é uma desgraça que prejudica  não  só o trabalhador, porém  toda  a sociedade.

Em vista dessas considerações, não sei  se é de rir ou chorar com esse projeto do Foro de São Paulo que pretende implantar o socialismo no que chama de “União das Repúblicas Socialistas da América Latina”, com pleno apoio do Brasil. Isto porque a “mais-valia”, na sua definição original, é a inimiga número um do socialismo. Mas essa “tchiurma” que se diz de esquerda, socialista, se alimenta justamente de uma “sobretaxa” sobre a mais-valia, que também poderia ser chamada “taxa da corrupção”. 

Fizeram para si próprios uma “justiça social” muito esquisita. Boa parte dos líderes esquerdistas subiram, e muito, na  pirâmide social, passando diretamente da classe baixa para a alta, sem intermediações, num salto impressionante ,que daria medalha de ouro em qualquer competição do mundo.  Tudo produto da “taxa da corrupção” sobre a mais-valia. Nada fizeram ou produziram para isso. O único segredo foi saber roubar os cofres públicos, que  pertencem ao povo que paga essa conta.

Como pode essa gente, por conseguinte, demonizar algo (mais-valia) que satisfaz seus interesses mais mesquinhos e ilícitos?


Sérgio Alves de Oliveira é Sociólogo e Advogado.

Um comentário:

José Netto disse...

Sua abordagem é muito pertinente, mas não creio que Marx ficaria surpreso com a corrupção de seus seguidores. Marx não criou um modelo econômico, mas um sistema de destruição social sem precedentes. Deliberadamente.