domingo, 26 de maio de 2019

De como funciona o inferno das boas intenções quando estado tenta fazer o bem em economia




Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sílvio Grimaldo

Foi aprovada a MP que libera 100% de capital estrangeiro em companhias aéreas brasileiras. Ou seja, o mercado brasileiro vai atrair as empresas de baixo custo européias e americanas, a oferta vai aumentar e o preço das passagens vai diminuir. E todo mundo vai ficar feliz. 

Aí um político tem a brilhante idéia de deixar o passageiro ainda mais feliz e tasca na lei a obrigatoriedade da empresa oferecer a gratuidade de uma bagagem de 23kg. 

Mas a lei número 1 da economia afirma que não existe almoço grátis. A número dois, que não existe logistica e transporte de bagagem grátis. O custo do transporte da bagagem será embutido no valor da passagem, obviamente. Bem, deixasse nas mãos do mercado, quem quer levar bagagem, paga separadamente. Quem não quer, não paga, e sua viagem sai mais barata.

Agora, com as boas intenções dos políticos, quem viajar com bagagem, paga. E quem viajar sem bagagem, também paga. E a viagem sai mais cara para ambos. 

Ao tentar forçar que nenhum passageiro pague pelo transporte da bagagem, a única coisa que os senadores conseguiram foi fazer com que todos paguem. 

Não é uma maravilha?

Isso é só um exemplo de como funciona a regulamentação estatal da atividade econômica num setor bastante modesto. Agora multiplique isso para todos os âmbitos da vida em que o Estado mete suas patas regulatórias e você vai ter uma idéia da razão das coisas serem tão caras no Brasil.

Silvio Grimaldo é Cientista Político.

Um comentário:

Anônimo disse...

Acontece que o prometido pelas empresas foi: Cobrança das bagagens e obviamente redução do custo das passagens. Foi como um acordo. Imediatamente, implantada a cobrança das bagagens, parece até que os preços subiram, ao invés de caírem. Nada contra o argumento do sr. Silvio, também sou defensor da economia de mercado, contudo, é preciso que os nossos empresários tenham um mínimo de coerência e honestidade em suas atitudes. Por certo, com o mercado liberado para as empresas estrangeiras, mesmo com a cobrança pelas bagagens a tendência seria a queda dos preços forçada pela concorrência. Apenas quero frisar que houve sim uma deslealdade dos empresários do ramo para com seus clientes.