sábado, 25 de maio de 2019

Todas as fichas num único cavalo?



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Rabello de Castro

Fere nosso senso comum achar que a economia brasileira se encontre travada – como, de fato, está! – em decorrência de um único fator de paralisia, o déficit da previdência social. Mas este é o insistente argumento da equipe econômica, desde o primeiro dia do governo.

Ainda na semana corrente, o encarregado da Receita Federal repetiu que o Executivo está concentrado no esforço de aprovar a reforma da Previdência para depois começar a falar de reforma tributária e outras medidas. A equipe confia que, em mais sessenta dias, a tramitação da sua reforma preferida esteja concluída na Câmara e no Senado.

O calendário de junho e julho, a cujas tradicionais festas nossos deputados não podem deixar de comparecer em suas bases eleitorais, mais as férias parlamentares, tudo conspira contra se apostar todas as fichas na rápida aprovação da PEC previdenciária. O mercado faz contas de rabo-de-cavalo sobre o PIB em 2019. O crédito e as arrecadações estaduais seguem retraídos. O Brasil está em estado de “recessão espiritual”.

Talvez por certa inexperiência no trato da gestão pública, o presidente e seus principais ministros desconheçam o estrago político que enfrentarão, nos próximos meses, caso sua aposta concentrada na previdência não se traduza em reversão do quadro recessivo já desenhado no horizonte.

O Brasil sempre convive mal com estagnação e desemprego crescente. Desde os anos 1970, sou testemunha de como o desapontamento com uma economia estancada faz rolar cabeças e derrete a popularidade de líderes políticos. Geisel, Figueiredo, Sarney, Collor, FHC e Dilma que o digam.

O País nunca perdoou a falta de crescimento, até porque é por meio do bom giro dos negócios que a população consegue se virar nas contas do mês e o empresário enfrenta os impostos em cascata, a folha de pagamentos, os fornecedores e os bancos.

A má notícia da atualidade é que a aprovação da reforma da previdência, por si, não trará qualquer mudança, por menor que seja, no panorama recessivo que ora enfrentamos. Custa crer que tanta expectativa de reversão da economia esteja lançada sobre um único setor, a previdência, cuja arrecadação é 100% dependente da própria recuperação do nível de emprego, que agora capenga.

De onde virá o tal trilhão de reais salvador da pátria, senão do aumento das contribuições previdenciárias? Mas essas contribuições dependem da base da arrecadação do INSS, que é o trabalho com carteira assinada. Então, como justificar a aposta concentrada do governo na única reforma cujos efeitos são defasados no tempo e só se medem após anos decorridos das mudanças?

Sem qualquer renda extra, o consumidor continuará retraído. E sem um quadro tributário e financeiro mais claro, os investidores pedirão licença para aguardar um pouco mais. Em qualquer situação recessiva, como nesta em que nos metemos, um forte estímulo vindo de fora do circuito interno da economia se faz necessário para reacender a chama da circulação dos negócios.

De um lado, mais investimentos públicos são urgentes, atuando em vários pontos do disperso território nacional. Mas temos tido, pelo contrário, retração de novas obras e o orçamento deste ano permanece contingenciado nos investimentos para poder enfrentar gastos correntes que não param de crescer.

Vivemos o quadro inverso ao desejável: menos investimentos e expansão do gasto corrente. E, do lado financeiro, o quadro de juro alto, em termos reais, é igualmente danoso para qualquer retomada de atividades. Apesar de mais baixos, em número absolutos, o juro Selic e o custo dos empréstimos bancários seguem elevados demais para termos chance de sair da recessão. Pior ainda, a concessão de crédito nos bancos públicos se retraiu à espera de mais oferta de dinheiro nos bancos privados, sem qualquer sinal de que isso venha a acontecer nos próximos meses.

As saídas do impasse precisam ser pensadas sem recurso a doutrinas ou crenças pré-concebidas. O diagnóstico da crise, que já se espalha por cinco anos recessivos, não tem cabimento no segmento exclusivo da previdência social.

Aliás, no campo do INSS, ou seja, na previdência contributiva dos trabalhadores urbanos, a receita de contribuições ainda superou os benefícios pagos até 2018, tendo mantido saldo de caixa positivo durante toda a crise.

O buraco previdenciário está noutras contas. As raízes do desencanto nacional são múltiplas e não serão vencidas com pensamento único, por mais iluminado que possa parecer.  

Paulo Rabello de Castro é economista e acompanha a economia brasileira há 50 anos.

7 comentários:

Anônimo disse...

Discordo. Se a economia melhorar só um pouquinho, o povão já pras compras e se "desmobiliza" (esquece a politica), e ai o congresso sem pressão (sem trabalho a favor do povo). Ass: anônimo (50 anos de vida, acompanhando politica só nos últimos 4 anos, quando "o calo apertou").

Anônimo disse...

Parece que a expectativa é que, aprovada a reforma da Previdência, os investidores despejem investimentos no país por terem retomado a confiança num ambiente de contratações mais amigável ao capital. Isso já aconteceu em 1967, quando o governo militar extinguiu a estabilidade no emprego dos trabalhadores após dez anos de trabalho, trocando-o pelo FGTS, para que empresas estrangeiras aceitassem comprar empresas nacionais ou se estabelecerem com as suas próprias no país. Agora, já há sugestão de extinguir o FGTS, provando que o objetivo desse terrorismo guedesiano é continuar o trabalho de solapamento das garantias ao trabalho digno, característico do capitalismo selvagem. Depois mostram falsa indignação com o contingente de jovens que são aliciados para o crime organizado, além de a prostituição já estar, providencialmente, classificada como profissão no ministério do Trabalho (mais revolucionário, impossível).
Costumam invocar o exemplo de países mais prósperos para defender essa mudança, mas, ou eles têm um sistema de seguridade muito mais abrangente que o nosso, ou têm moedas poderosas, como os Estados Unidos que conseguem se endividar com todo o mundo para manter sua economia funcionando.

Anônimo disse...

Parece que a expectativa é que, aprovada a reforma da Previdência, os investidores despejem investimentos no país por terem retomado a confiança num ambiente de contratações mais amigável ao capital. Isso já aconteceu em 1967, quando o governo militar extinguiu a estabilidade no emprego dos trabalhadores após dez anos de trabalho, trocando-o pelo FGTS, para que empresas estrangeiras aceitassem comprar empresas nacionais ou se estabelecerem com as suas próprias no país. Agora, já há sugestão de extinguir o FGTS, provando que o objetivo desse terrorismo guedesiano é continuar o trabalho de solapamento das garantias ao trabalho digno, característico do capitalismo selvagem. Depois mostram falsa indignação com o contingente de jovens que são aliciados para o crime organizado, além de a prostituição já estar, providencialmente, classificada como profissão no ministério do Trabalho (mais revolucionário, impossível).
Costumam invocar o exemplo de países mais prósperos para defender essa mudança, mas, ou eles têm um sistema de seguridade muito mais abrangente que o nosso, ou têm moedas poderosas, como os Estados Unidos que conseguem se endividar com todo o mundo para manter sua economia funcionando.

Anônimo disse...

Para quem entrou de boca fechada e saiu calado, tendo ocupado a presidência do BNDES que teve falcatruas de todos os tamanhos e para todos os gostos, este elemento que por lá passou com sua cara de paisagem deveria é ser banido dos meios da imprensa honesta e não festejado e bajulado como faz com ele o Alerta Total. De falcatruas este elemento é autoridade, tem conhecimento, pois viu no BNDES, mais ele é "discreto", não é,ele nem quis falar com Alerta Total sobre este assunto, não é verdade???

Rogerounielo disse...

Empresários consideram Previdência aprovada e pedem novas reformas para o Governo Bolsonaro - Digital Triangle Brazil a evolução do International Data Center Hub - Será que alguém no Governo Bolsonaro está acompanhando a implantação do DIGITAL TRIANGLE BRAZIL?

Fonte - Link https://rogerounielo.blogspot.com/2019/05/empresarios-consideram-previdencia.html?m=1

Observações:

A) Empresários consideram Previdência aprovada e pedem novas reformas para o Governo Bolsonaro, conforme matéria constante do link https://mobile.valor.com.br/politica/6274933/empresarios-consideram-previdencia-aprovada-e-pedem-novas-reformas

B) Segue, para conhecimento, detalhamento de reforma tecnológica (PROJETO DIGITAL TRIANGLE BRAZIL), que envolve todos os setores econômicos e todas as atividades econômicas do país), que o Governo Bolsonaro poderia considerar como opção de reforma (REFORMA TECNOLÓGICA DE TODA A ECONOMIA BRASILEIRA), a ser avaliada junto aos empresários, se for o caso, como mais uma reforma, além da reforma da previdência e da reforma tributária, a ser implementada pelo Brasil;

C) Este DIGITAL TRIANGLE BRAZIL estará conectado a outros 13 DIGITAL TRIANGLEs ao redor do mundo, a serem instalados em outros países distribuídos em todos os continentes. Ser instalado o DIGITAL TRIANGLE BRAZIL, no país, aumentará a integração do Brasil com o resto do planeta, uma vez que o fluxo da Internet mundial, que hoje está todo concentrado nos Estados Unidos, passará a ser dividido entre todos os DIGITAL TRIANGLEs, e nosso DIGITAL TRIANGLE BRAZIL fará parte deste compartilhamento. Isto colocará o Brasil definitivamente no cenário mundial da Tecnologia da Informação. Em se concretizando, este será um marco histórico tanto na área de TI, quanto na economia Brasileira como um todo e atrairá muitos outros investimentos para o nosso país;

D) A implementação do DIGITAL TRIANGLE BRAZIL, em avaliação por uma empresa Americana, líder mundial em Data Centers e pelo Governo Americano aceleraria a modernização da economia brasileira, gerando atração de investimentos em tecnologias de última geração, incentivando a INDÚSTRIA 4.0, fazendo com que a PRODUTIVIDADE e a COMPETITIVIDADE do país aumentem muito em curto espaço de tempo, em todos os setores econômicos e em todas as atividades econômicas e poderia ser uma opção de reforma a ser avalia pelo Governo Bolsonaro junto aos empresários que consideram Previdência aprovada e pedem novas reformas, conforme matéria do item 7 abaixo;

E) Será que alguém no Governo Bolsonaro está acompanhando a implantação de um DIGITAL TRIANGLE BRAZIL, em avaliação por uma empresa Americana, líder mundial em Data Centers e pelo Governo Americano para sediar nada menos que três CIDADES DIGITAIS em três cidades Brasileiras diferentes, conforme matéria do item 6 abaixo?

aparecido disse...

%0 anos e não aprendeu nada.. de nada.. escreveu tanto e não disse nada...O que segura a economia é a derrama tributaria...já ultrapassamos o ponto critico da curva de lafer.. todo aumento de imposto de agora em diante só diminui a arrecadação...

Rogerounielo disse...

A curva de Laffer, o aumento de tributos e a diminuição da receita tributária - Crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$9,4 trilhões em dezembro de 2018, correspondendo a 138% do Produto Interno Bruto (PIB) - CÁLCULO DA CURVA DE LAFER CONSIDERANDO APENAS A RECEITA TRIBUTÁRIA - CÁLCULO DA CURVA DE LAFER CONSIDERANDO A RECEITA TRIBUTÁRIA, operações de crédito dos demais setores institucionais residentes, os títulos de dívida públicos e privados e os créditos concedidos por não residentes - dívida externa - Receita diz que mudança em regra de lucro obtido com venda de imóveis não aumenta carga tributária - “Um estudo do Banco Mundial mostrou que, quando a relação dívida/PIB supera 77% durante um longo período de tempo, o crescimento econômico se desacelera e cada ponto percentual da dívida acima deste nível custa ao país 1,7% de crescimento econômico nos países desenvolvidos. Quanto aos países em desenvolvimento, a situação é ainda pior: cada ponto percentual adicional de dívida acima do nível de 64% reduzirá anualmente o crescimento econômico em 2%”

Fonte - Link https://rogerounielo.blogspot.com/2019/05/a-curva-de-laffer-o-aumento-de-tributos.html?m=1

Continua na matéria original