quarta-feira, 19 de junho de 2019

Intriga privatizante derruba outro General



Edição Atualizada do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O Presidente Jair Bolsonaro tomou uma decisão que vai gerar polêmica e desagrado no meio militar: a saída do General Juarez Cunha da presidência dos Correios. O pano de fundo para a fritura foi a polêmica sobre a privatização ou não da estatal – vitimada pela roubalheira da politicagem desde os tempos do Mensalão, avançando pela Era da Lava Jato. O grupo do General perdeu a guerra.

Privatizar por privatizar vale a pena? No caso dos Correios do Brasil a resposta é negativa. Os militares são a favor de manter a empresa estatal. Este é projeto da equipe comandada pelo General Juarez Cunha. No começo do ano, o vice Presidente Antônio Hamilton Mourão advertiu que não concordaria com a desestatização da empresa. Se detonar o General Juarez, Bolsonaro pode deflagrar uma crise militar? O tempo, no curto prazo, mostrará se sim ou não.

Antes de pensar em privatizar, conforme furor manifestado publicamente pela equipe econômica, o Presidente Bolsonaro deveria tomar uma decisão que compete só a ele: livrar os Correios das influências políticas nefastas. Depois da limpeza – incluindo tudo que foi feito de errado pela ladroagem contra o fundo de pensão Postalis (cujo rombo é paga pelos 106 mil funcionários da empresa) -, aí sim basta firmar novas parcerias societárias para os Correios avançarem como uma empresa eficiente e lucrativa, cumprindo seu papel comercial e de universalização de serviços públicos.

Os militares querem limpeza nos Correios. O ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, também já se colocou à disposição para ajudar no processo de saneamento e combate à corrupção contra a empresa. Em vez de exonerar o General Juarez, o Presidente Bolsonaro deveria dar todo apoio ao combate à corrupção que quase destruiu os Correios.

Privatização de Correios é um assunto polêmico no mundo todo. Dos 192 correios vinculados à Universal Postal Union (UPU), 176 são totalmente estatais. Oito são privados (Aruba, Cingapura, Malásia, Malta, Países Baixos, Portugal, Líbano e Inglaterra). Oito têm participação de capital privado (Áustria, Bélgica, Alemanha, Grécia, China, Itália, Uzbequistão, Japão). Aliás, o correio de Portugal já estuda o retorno à categoria estatal, pois não deu certo privatizar.

Ao longo do último ano, os Correios tiveram um significativo crescimento nos índices de qualidade operacional, superando as metas mês a mês. A empresa saiu de um resultado de 83% de encomendas entregues no prazo em janeiro de 2018 para 99% em dezembro, um marco histórico. Os resultados podem melhorar com novos projetos e parcerias estratégicas. Os Correios são lucrativos em 324 municípios (que têm 92% do potencial de mercado).

Os Correios exercem uma função de Integração Nacional. É o único braço do Estado presente em todos os municípios do País. Os Correios podem fornecer serviços à população onde ninguém consegue chegar, tipo emissão de CPF, RG, Passaporte, Carteira de Trabalho, entre outros. Ao contrário do que muita gente pensa, os Correios não têm monopólio sobre a entrega de encomendas.

A mexida no General Juarez pode ser a segunda medida a desagradar o até então poderoso General Augusto Heleno. O ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional não foi favorável ao modo como o General Santos Cruz foi expelido do governo. Como Heleno reagirá a mais um gol contra? Será que o ministro-astronauta Marcos Pontes conseguirá mandar o General Juarez para o espaço? Bolsonaro terá mais uma crise inútil para administrar?

Enquanto isso, Jararaca deita e rola na cela de luxo curitibana...

Saideira

Confira a carta de despedida do General Juarez aos empregados dos Correios:

Meus caros amigos e amigas dos Correios!

Após sete meses à frente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, me afasto do vosso convívio com a consciência tranquila de ter empenhado o melhor dos meus esforços a serviço desta Empresa. 
Foram sete meses de trabalho em equipe, num ambiente de muito profissionalismo, dedicação, camaradagem e cooperação, onde obtivemos excelentes resultados. 

Os índices da qualidade operacional superaram todas as metas, a recuperação financeira no último ano apresenta resultados muito favoráveis e as perspectivas futuras são excelentes. Nossa Empresa prossegue num franco processo de recuperação iniciado em 2018.

A criação do Projeto Balcão do Cidadão me enche de orgulho, pois os Correios continuarão levando ao cidadão brasileiro, particularmente das localidades mais remotas, seu apoio, traduzido em cidadania e integração nacional.

Orientei minhas decisões com base na ética, na meritocracia e na restrição à influência político partidária. Fundamentei minha liderança na busca dos melhores resultados, no fortalecimento do espírito de corpo e no exemplo. Obtive um eco positivo no âmbito da maioria dos empregados, que alavancaram o moral, a confiança e o orgulho de pertencerem a esta empresa centenária.

Meus amigos!

Há 50 anos, prestei meu sagrado compromisso perante a Bandeira do Brasil. Naquele momento, jurei tratar com afeição os irmãos de armas e com bondade os subordinados. Nunca deixei de cumprir com este juramento. Durante minha longa carreira militar, atingindo o mais alto posto no Exército, cumpri com retidão as palavras professadas diante do nosso invicto Pavilhão Nacional. 

Assim como defendi e respeitei todos os soldados do Exército de Caxias, também respeitei e defendi todos os empregados dedicados que orgulhosamente envergam o uniforme azul e amarelo.

Se não fosse para exercitar minhas firmes convicções, eu não poderia ser o Presidente dos Correios. Se não fosse para recuperar os Correios, no contexto da recuperação do nosso País, eu não teria aceitado este grande desafio.

Esse é um momento de serenidade e confiança no futuro. Todos os integrantes da Empresa, desde a Diretoria Executiva até o Carteiro mais jovem, devem se conscientizar da necessidade de prosseguir na jornada de recuperação e modernização da ECT. Há ainda muito por fazer, existem muitos obstáculos a ultrapassar, mas nenhuma barreira poderá reter as ações empreendidas com coragem, dedicação e confiança. 

O meu muito obrigado a todos que contribuíram com minha gestão nestes poucos meses. A missão ainda não está cumprida, mas confiamos que esta briosa organização, com 356 anos completos, ainda tem muito a oferecer ao País.


Brasil Acima de Tudo! Correios no Coração de Todos! 

Leia, abaixo, o artigo de Ângelo Donga: 

Crônica de um Governo Desqualificado


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 19 de Junho de 2019.

5 comentários:

jomabastos disse...

Os correios do Brasil, obrigatoriamente têm que dar lucro.

O GRANDE PROBLEMA DAS ESTATAIS sempre foi a sua paupérrima gestão.

Mas o Brasil, em todos os seus governos, sem exceção, sempre teve uma má gestão, desde o Presidente da República até a um simples vereador.

E a população já se habitou ao fato de que as estatais do seu país viverem sempre quebradas.

É a lei da corrupção, a lei do mais autoritário e a péssima gestão política e estatal que mais mandam nesta Nação.

O Brasil é um país muito rico, mas, infelizmente para a maioria da população, empobrecido.

Quantas Nações no mundo têm tantas ou mais riquezas naturais como o Brasil?

O Grande problema do nosso país é a ganância, a usura, a agiotagem, a corrupção, etc.

Quo Vadis Brasil?

Loumari disse...

Decreto das armas: Bolsonaro perdeu outra vez

https://www.youtube.com/watch?v=U3T4gh_z9bU

William Robson disse...

👨 “Antes de pensar em privatizar, conforme furor manifestado publicamente pela equipe econômica, o Presidente Bolsonaro deveria tomar uma decisão que compete só a ele: livrar os Correios das influências políticas nefastas.”
==========
Se for privatizado não é o que vai acontecer!?

Anônimo disse...

Até as criancinhas sabem que os órgãos públicos para estatais são elefantes brancos utilizados pelos governos corruptos para desvios de recursos e cabides de emprego de parentes e capachos de governantes. Devem ser sim privatizados porque não tem utilidade alguma e dão enorme prejuízo ao orçamento da União para serem mantidos. Quanto as benesses absurdas do congresso nacional e do judiciário, só poderão ser extintas com a mudança do regime pseudo democrático que vivemos onde o povão excluído luta pela sua sobrevivência, enquanto os poderosos inventam todos os dias cada vez mais benesses,acintosamente a luz do dia, porque o país foi dividido em castas pelo PT para enfraquece-lo e domina-lo, e que enquanto houver miséria e ignorância, poderão voltar ao poder.

Anônimo disse...

General Juarez é maçom??? Se for, a defesa dele está explicada, se não for, também está, pois presidente de estatal não pode agir como presidente de sindicato!