terça-feira, 11 de junho de 2019

Os Jorginos do Senado



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Em 1991, o Brasil conheceu a advogada Jorgina de Freitas, integrante de uma quadrilha que, durante muitos anos, drenou um caudal de dinheiro do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS): em valores de hoje, foram desviado cerca de R$ 2 bilhões.

A quadrilha era encabeçada pelo juiz Nestor José do Nascimento, da 3ª Vara Cível de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. E incluía advogados e procuradores do INSS, além de um contador judicial, que calculava indenizações até 60.000% maiores.

Embora haja ficado milionária, Jorgina não foi quem mais enriqueceu com a fraude. Ela só ganhou maior notoriedade, inclusive emprestando seu nome ao escândalo (conhecido como Caso Jorgina) por haver fugido do Brasil e sumido por cinco anos, período no qual fez várias plásticas: mudou a aparência mas não escapou de ser recambiada e presa, cumprindo pena pelos crimes.

Existe a crença, que parece óbvia, de que a Previdência vem sendo fraudada desde que o INSS foi criado. Tem, no mínimo, verossimilhança. Afinal, onde há muito dinheiro, cresce a cobiça dos larápios. E o INSS movimenta uma montanha de dinheiro.

Faz todo sentido, pois, que o governo haja editado uma Medida Provisória (MP) para o fim de coibir fraudes nos benefícios do INSS. Depois da aprovação na Câmara, a MP chegou ao Senado e foi igualmente aprovada. E é aí que ocorre o inacreditável: 12 Jorginos votaram contra a MP. Presumivelmente, 12 senadores não querem que o INSS seja submetido a um pente fino, nada de combate à corrupção.

Ora, seria natural que alguém visse defeitos na MP e propusesse formas de melhorar o combate às fraudes. Mas ter votado contra já é outra coisa. "Essa proposta quer fazer revisão para cortar dos pobres, de quem precisa. Essa revisão poderá gerar possíveis injustiças", disse o senador Humberto Costa, líder do PT.

Ah, quer dizer que, para Humberto Costa, fraude praticada por pobre é lícita? Decerto ele não sabe que, no Caso Jorgina, os desvios eram realizados nas áreas de concessão de benefícios e de assistência médica, utilizando, inclusive, nomes de pessoas mortas. Sim, os pilantras se apropriavam dos benefícios de gente pobre, calculando errado, maximizando os valores e embolsando o dinheiro.

Na real, o líder petista só aceitaria uma MP para combater sonegação de empresários, insinuando que o governo tolera os maiores desvios - o que é falso, evidentemente!

Convém que o público, que é o verdadeiro prejudicado pela roubalheira, aprenda a enxergar esses Jorginos e deles se lembre nas próximas eleições.
É para que sejam conhecidos e jamais esquecidos que aqui estão os nomes desses filhos da pátria:

Angelo Coronel (PSD-BA), Eliziane Gama (CIDADANIA-MA), Humberto Costa (PT-PE), Jaques Wagner (PT-BA), Otto Alencar (PSD-BA), Paulo Paim (PT-RS), Paulo Rocha (PT-PA), Randolfe Rodrigues (REDE-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Rogério Carvalho (PT-SE), Veneziano Vital do Rego (PSB-PB) e Zenaide Maia (PROS-RN).

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.

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