sábado, 15 de junho de 2019

Quando a Educação terá prioridade?



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Therezinha Saraiva

Embora o Presidente Jair Bolsonaro diga e repita que, em seu governo, a Educação terá prioridade, não é isso que se tem visto acontecer nesses cinco meses. Ao contrário. A começar pelas pessoas que escolheu para assumir um dos principais ministérios.

O primeiro, Ricardo Vélez Rodríguez, que permaneceu três meses à frente do Ministério sem ter dito a que veio, e acabou sendo exonerado pelas crises internas que marcaram seus 90 dias à frente do MEC, e pelas esdrúxulas declarações e ordens que deu nesse período. O Ministério da Educação ficou paralisado.

Sempre se soube que seu nome foi indicado pelo Sr. Olavo de Carvalho, lá da Virgínia, onde reside. Hoje, sabe-se que Jair Bolsonaro perguntou a Olavo de Carvalho, depois da exoneração, de onde conhecia Ricardo Vélez Rodríguez para o ter indicado, recebendo como resposta: “De publicações”.

Com a saída do primeiro ministro, esperava-se que o Presidente indicasse alguém que conhecesse a estrutura e o funcionamento do MEC e, sobretudo, os principais desafios a serem vencidos a curto, médio e longe prazos, e que indicasse para os postos-chave, pessoas que conhecessem as áreas em que iriam trabalhar. Não só conhecessem, mas soubessem o que e como fazer.

Lamentavelmente, não foi isso que aconteceu. O Ministro Abraham Weintraub também não conhece a estrutura do Ministério. Disse ele, ao assumir, que tinha como missão pacificar o Ministério. Há dois meses no cargo, especializou-se em criar crises externas. Suas declarações, sem exceção, são infelizes e, muitas vezes, ofensivas.

Suas idas à Câmara foram marcadas por bate-boca e, até vaias. Duas procuradorias do Ministério Público entraram com ações sobre sua conduta, e também a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, após o ministro ter enviado nota às escolas em que “desautoriza pais, alunos e professores a estimularem e divulgarem protestos”. O órgão fixou prazo de dez dias para que o MEC cancele a nota enviada, e orientou o Ministério a se abster de “cercear a liberdade de professores, pais e responsáveis pela prática de manifestação livre de ideias”.

Essa é uma das muitas declarações e decisões questionáveis, como por exemplo, fazer contingenciamento nas universidades, CAPES, institutos federais, Colégio Pedro II, primeiro dizendo que era porque faziam balbúrdia e o desempenho não era satisfatório. Após a reação, deu uma explicação injustificável: “tirar dinheiro das universidades para priorizar a educação básica. A educação básica precisa e deve ter prioridade, mas não da maneira que o ministro quer fazer.
Além disso, o ministro Abraham Weintraub tem sido protagonista de posturas e pronunciamentos condenáveis para quem é responsável pelo desenvolvimento da educação brasileira.

Uma das primeiras, ridicularizada por muitos, aconteceu quando o Ministro tentou explicar o contingenciamento nas universidades. Utilizou bombons para mostrar que de cem chocolates do orçamento, ele tirou só três e uma mordida – para serem comidos em setembro.

A seguir, para atacar supostas fake news sobre o corte de verbas, gravou um vídeo, com ele de guarda-chuva aberto, cantando “Singin’ in the rain”. Isso, e muito mais, é o que tem ocorrido no Ministério da Educação.

São tantos os absurdos ocorridos nesses cinco meses e meio que levou seis ex-ministros da Educação, José Goldemberg, Murilo Hingel, Cristovam Buarque, Fernando Haddad, Aloizio Mercadante e Renato Janine Ribeiro, a se reunirem e escreverem uma carta em defesa das políticas públicas da área, pedindo a garantia de recursos, maior autonomia universitária e igualdade de acesso. Os ex-ministros anunciaram a constituição de um Observatório da Educação, que será integrado por eles, a fim e orientar gestores municipais, estaduais e políticos.

Vejam os principais pontos da carta:

Educação e saúde devem ser priorizados em qualquer governo; os contingenciamentos ocorrem em todos os governos, mas “na magnitude” que estão sendo apresentados podem ter efeitos irreversíveis e até fatais; a educação é essencial para o crescimento estratégico da economia; economia não avança sem educação; é consenso que a educação deve ser uma política pública de estado; educação básica pública deve ser a grande prioridade nacional; investir em educação implica em valorizar professores, fazer a reforma do ensino médio, aperfeiçoar a gestão, construir diretrizes nacionais de carreira para professores e diretores do ensino público; inovação dos métodos, deslocando a ênfase do ensino para a aprendizagem; empenho na educação infantil e alfabetização na idade certa; melhoria das escolas, laboratórios e bibliotecas; profissão docente não pode ser submetida à perseguição ideológica; liberdade de cátedra e o livre exercício do magistério são valores fundamentais; fortalecimento da cooperação entre União, Estados, Municípios e Distrito Federal; autonomia das redes; constituição de um Sistema Nacional de Educação; aumento dos repasses do governo federal para estados e municípios; ampliação do FUNDEB; ingresso e permanência dos estudantes no ensino superior; maior qualidade no ensino superior.

Esse Manifesto assinado por seis ex-ministros da Educação é a prova mais contundente de que o Ministério da Educação está sem timoneiro, de tal modo que seus signatários se ofereçam para orientar gestores municipais e estaduais, papel que caberia ao Ministério da Educação.

Deu, também, “de bandeja” ao atual Ministro, o roteiro para formular o Plano de Ação do Ministério, que já devia ter sido apresentado tão logo teve início o governo de Jair Bolsonaro e posto em execução. A meu ver só faltou incluir na carta a colaboração para a elaboração dos currículos das três etapas de Educação Básica à luz da BNCC, bem assim como reformular os cursos superiores de pedagogia e licenciaturas para formação dos professores para lecionarem na educação básica.

Quando é que o governo atual vai dar prioridade de verdade à
educação brasileira?

Therezinha Saraiva é Educadora. Originalmente publicado na seção “Sem Censura” do jornal Folha Dirigida, edição de 13 a 17 de junho de 2019.

6 comentários:

ELTON PORTELA disse...

Desculpe a minha ignorancia, os seis ex ministros fizeram tudo certo, a nossa educação estava excelente até o dia 31/12/2018...é isso educadora

ELTON PORTELA disse...

Desculpe a minha ignorancia, os seis ex ministros fizeram tudo certo, a nossa educação estava excelente até o dia 31/12/2018...é isso educadora

Anônimo disse...

"investir em educação implica em valorizar professores," -
Os professores da cidade de São Paulo (as babás mais caras do mundo), já tem um plano de carreira que lhes permite receber (e se aposentar) R$ 5.500,00 por mês. PS: A única "contrapartida", é que ao final do fundamental, as crianças não estejam mais babando; pois saem sem saber ler e escrever.

Anônimo disse...

"São tantos os absurdos ocorridos nesses cinco meses e meio que levou seis ex-ministros da Educação, José Goldemberg, Murilo Hingel, Cristovam Buarque, Fernando Haddad, Aloizio Mercadante"

Anônimo disse...

O Haddad vive do que? Qual seria o salário do pesquisador? Onde (qualquer otário que acredita que ele é "esquerdista") poderíamos verificar todos as TETAS que o Haddad (e esses outros defensores da FALCATRUA) mama. PONTO. A professora eu sei que tem dois holerites (um do estado, e um do município). PONTO DE NOVO. E os outros companheiros--- seis ex-ministros da Educação, José Goldemberg, Murilo Hingel, Cristovam Buarque, Fernando Haddad, Aloizio Mercadante- Poderiam COLOCAR TODOS OS HOLERITES DE TODAS AS TETAS QUE ELES MAMAM.

Sirius disse...

Não estou acreditando que li essa defesa mo Alerta Total. Haddad ? Mercadante ? etc..etc...