domingo, 2 de junho de 2019

Tertúlia da Governabilidade



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

Foram cinco meses de tertúlia de governabilidade, embates entre os poderes institucionais e a grave crise econômica a qual se alastra sem precedentes, cujo produto interno bruto marca presença e demonstra o desaquecimento plural da atividade empresarial.

Há saídas e muitas, mas repisam os mesmos fatos e insistem em cometer os erros do passado, com rombos impagáveis na dívida pública, além das reformas que não andam com agilidade esperada. O nosso parlamento aposta no quanto pior melhor e as forças empresariais simplesmente estão paralisadas diante da inércia e falta de motivação.

Nosso tempo de horror político somado aquele econômico. Disse Obama que salvou a economia global em 2008 de um colapso, mas não se lembrou que aquele momento respinga hoje toda América Latina. Vejam a Argentina, a Venezuela ponto fora da curva, o Brasil, Uruguai, escapando apenas o Chile que adotou linhas mais conservadoras e liberais há mais de duas décadas atrás.

Bilhões saem pelo ralo da corrupção e pelo descrédito da população em aceitar a democracia limitada ao voto que de tempos em tempos nos visita à busca de uma ruindade sem precedentes, ou seja, não temos opção e votamos por falta de opção em candidaturas de melhor equação da crise saindo do controle e arruinando o emprego.

Precisamos crescer uma década no mínimo para absorção dos dez milhões de desempregados, e mesmo assim a nível sustentável entre 2 a 3%. Enquanto isso a criminalidade explode e a exclusão social mais ainda trilhando uma posição muitas vezes desastrosa.

Os governos estaduais de mãos atadas e as prefeituras esperando pelas
reformas para implementar programas semelhantes, já que ao nosso sentir a previdência social é matéria ligada ao Welfare State hoje vivemos o BadState, isto é, o estado penaliza o cidadão desde a tributação,multas de trânsito e nenhum serviço público de qualidade.

A espera por uma tertúlia de surdo mudo poderá levar o Brasil a um momento sem retorno, de grave retrocesso e de mais barulho pelas ruas. A população gostou e aprovou,aplaudindo,o caminho das ruas, mas isso não basta, temos que fazer um verdadeiro rolo compressor para que os poderes enxerguem o precipício, o buraco enorme do qual nos aproximamos se nada for feito, pois que não se resume a política de governo às escolhas dos menos ruins mas sim daqueles que se julgam capacitados para eliminar a mazelas e ver nos olhos da população.

São 210 milhões de brasileiro um momento de esperança e fé na renovação do passado, na pujança do presente e uma ruptura com as incoerências que nos cercam para um futuro brilhante.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Autores de livros jurídicos.

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