segunda-feira, 17 de junho de 2019

Um sanduíche de tristeza com uma fina fatia de alegria


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

À medida em que vamos vivendo, vamos ficando mais conscientes de nossa transitoriedade.

Então se os gentis leitores e leitoras me permitirem, vou neste artigo esquecer um pouco (não totalmente) da política, e compartilhar um pouco de meus sentimentos a respeito da aventura de viver.

Contemplando as chamas da lareira em um desses últimos finais de semana frios na montanha, deixei-me   levar pela nostalgia dos amigos que ultimamente partiram para “os alegres campos de caça do além”.

Quem pode garantir que assim seja?

Por enquanto resta a saudade.

As chamas, que com lambidas lascivas consumiam a madeira, lembravam-me das que levaram meus amigos em uma cerimônia Viking genérica, pasteurizada em um moderno crematório.

Que espécie de Valhalla aguarda esses guerreiros que adentram seus domínios sem barcos ardentes e armas?

Não sei!

O silêncio da noite fria somente era quebrado pelos estalidos da madeira sendo transformada em calor, nem mesmo os Quero-queros que normalmente com seus gritos esganiçados enchem de vida e alegria minhas noites no campo, se atreviam a romper a quietude.

Pode parecer que este texto seja uma ode ao desalento, a inutilidade de nossos esforços para vencer uma luta que sabemos perdida desde o momento que entramos nela, mas não, é sim uma celebração à vida, e aqueles raros e preciosos momentos de alegria e felicidade que ela nos proporcionou.

A alegria imensa e a sensação de liberdade sentida, quando pela primeira vez percebemos que somos capazes de nos equilibrar em uma bicicleta e partimos contra o vento.

O cheiro de pão recém-saído do forno, que emana de uma padaria na madrugada.

O momento em que no escuro do cinema, conseguimos pela primeira vez vencer a timidez e nos arriscar a pegar com a mão suada, a mão daquela amiga que queremos que seja mais que amiga. 

O cheiro de poeira molhada pelos primeiros pingos de uma chuva de verão.

O nascimento dos filhos, certeza de continuidade, e porque não, (embora possa parecer exagero perto dos exemplos anteriores) o desabafo do General Heleno na última quinta-feira 13/06/19, quando com direito a soco na mesa, disse tudo que todos os homens e mulheres de bem nesse país traziam engasgado na garganta sobre o deboche do “muar de São Bernardo”.

São momentos como esses que valem a vida ser vivida e devemos valorizá-los ao máximo.

No final das contas  tenho certeza  que; se um sanduíche de pão com presunto fosse apresentado com duas fatias de presunto e uma de pão no meio, a única diferença  seria a de passar   a chamar-se  sanduíche de presunto com pão,  e certamente não teria o mesmo sabor delicado do primeiro, embora os ingredientes fossem basicamente os mesmos,  apenas em diferentes quantidades.

Seria além disso, bem menos estético e prático.
Estamos vivendo tempos difíceis, mas tenho certeza que valem a pena serem vividos.

Quando finalmente a razão e a honestidade vencerem, a   iniquidade e a prepotência das quadrilhas que se apoderaram do congresso, do judiciário e da mídia de nosso país, o regozijo será infinitamente maior, ai então, poderemos todos  esquecer as tristezas e usufruir da dádiva de existir.

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

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