segunda-feira, 15 de julho de 2019

Dois Brasis ou o Brasil de cá e o de lá



Poesia Política no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Felipe Júnior

O Brasil que atualmente
É manchete dos jornais,
Confunde-se com o Brasil
Das belezas naturais.
O Brasil que é verdadeiro
E envaidece o brasileiro,
É o mesmo país da gente;
Mas, deixando o “Brasil lindo”,
Aos pouquinhos vai surgindo
Outro Brasil diferente.

País que abraça o seu povo,
Sem dúvida, é o Brasil de cá.
Totalmente diferente
Desse tal Brasil de lá.
Valorizando quem sonha,
O de cá tem mais vergonha
Pelo que foi no passado.
Enquanto o de lá disfarça
Sobre o caminho da farsa
No que deixa de legado.

O de cá tem mais cultura
Com músicas maravilhosas;
O de lá exalta à mídia
Do “Funk das Poderosas”.
O Brasil de cá – de graça,
Põe o seu bloco na praça
No carnaval da alegria;
E o de lá põe, com presteza,
A máscara da safadeza
No lugar da fantasia.

O Brasil de lá venera
O deus que visa o valor;
Enquanto o de cá abraça
O seu Cristo Redentor.
O de lá levanta os muros
Sobre a base dos seus juros
Desejando o capital.
E o de cá, de braços dados,
Com seus 26 Estados
E um Distrito Federal.

O Brasil de lá corrompe;
O de cá reprime o fato,
Clamando a devolução
Dos milhões da Lava-Jato.
O de cá não tem partido
E quer o pão dividido
Numa frequência diária.
Com a falácia já pronta,
O de lá não se dá conta
Da cegueira partidária.

Enquanto o de lá derrama
A sujeira pelos canos,
O de cá pinta o seu rosto
Pelos Direitos Humanos.
O outro Brasil sem par
Tira em primeiro lugar
No ranking dos homicídios;
E entende, o Brasil de cá,
Que a solução não está
Na construção de presídios.

O Brasil de lá ostenta
Seu falso patriotismo;
O de cá faz com que os jovens
Busquem seu protagonismo.
O de lá vê a cultura
Sem ter base de arte pura.
Diferente do daqui…
Que a cultura é necessária
Numa reta imaginária
Do Oiapoque ao Chuí.

No de lá tem quem se esconda
Por debaixo dos tapetes
Ou pelas trancas douradas
Dos seus próprios gabinetes.
O Brasil de cá não muda…
Não tem um “Deus nos acuda”
Pra mudar de opinião,
Pois tem sempre em sua mente
Que a mudança está presente
Na cultura e educação.

O Brasil de cá almeja,
E tem grande confiança,
Que um dia o Brasil de lá
Trilhe os rumos da mudança;
E em vez de cavar aterros,
Que o de lá corrija os erros
Pra desatar esse nó,
Pois, vendo à luz da razão,
Pra que ter numa nação
Dois  brasis num Brasil só?

Por isso, mesmo descritos
Por diferentes perfis,
O povo tem que escolher
Só um desses dois brasis.
Um Brasil de todos nós,
Onde o sem vez e sem voz
Fale à pátria mãe gentil
Com espírito de guerreiro
E grite pra o mundo inteiro:
SOU MUITO MAIS MEU BRASIL!

O poeta Felipe Júnior nasceu  em Patos/PB, residindo, atualmente em Recife/PE.

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