sexta-feira, 19 de julho de 2019

Escola Sem Partido – O Fim?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Miguel Nagib

O ESP (Escola Sem Partido) começou em 2004, já com pelo menos 15 anos de atraso, com o objetivo de dar visibilidade ao problema da doutrinação e da propaganda ideológica, política e partidária nas escolas.

Por 10 anos, durante os governos Lula e Dilma, o ESP manteve acesa a chama da luta contra o uso das escolas e universidades para fins políticos e partidários.

Ao longo desse tempo, o ESP se tornou a principal referência sobre o assunto no Brasil. Possuímos hoje o maior acervo de provas dos abusos que acontecem nas escolas e universidades. Ninguém no Brasil se dedicou tanto e por tanto tempo a esse assunto como nós. Graças ao trabalho realizado pelo ESP nenhuma pessoa minimamente honesta pode negar a existência e a gravidade do problema da doutrinação nas escolas e universidades brasileiras.

E tudo isso foi feito sem apoio de ninguém. Sem o apoio de nenhuma empresa ou instituição, pública ou particular. Sempre que falo em nome do Escola sem Partido procuro passar a impressão de que se trata de um trabalho coletivo, mas, na verdade, quem faz tudo sou eu.

É claro que o ESP tem muitos simpatizantes e defensores espalhados pelo país. São pessoas extraordinárias, que fazem o que podem para combater a praga da doutrinação. Mas quem produz o conteúdo, cuida das páginas, lê e responde e-mails, escuta os áudios, edita os vídeos, analisa o material didático que nos é enviado; redige petições, denúncias e pareceres; orienta os estudantes, pais e políticos, dá palestras e entrevistas, sou eu. Além disso, sou eu que pago todas as despesas relacionadas à nossa associação, às nossas páginas e aos eventos realizados em Brasília. Se necessário, pago também as minhas passagens e hospedagens quando sou convidado para dar uma palestra fora de Brasília. Não cobro para dar palestras (só fiz isso duas vezes). Se somarmos todas as doações em dinheiro e material (como camisetas, por exemplo) recebidas pelo ESP nos últimos 15 anos, o valor não chega a R$ 10 mil.

Como se vê, lutamos com extrema dificuldade. Enfrentamos, por outro lado, algumas das instituições mais poderosas do país, que são os partidos de esquerda ‒ especialmente o PT, PSOL  e PCdoB ‒ e seus braços nas universidades, nos sindicatos e associações docentes, no movimento estudantil, MEC e secretarias de educação, na imprensa, no Ministério Público, no Poder Judiciário, na OAB, nas ONGs educacionais (como o Todos pela Educação, Ação Educativa e Campanha Nacional pelo Direito à Educação) etc. Até a ONU entrou na briga contra o Escola sem Partido. Enfrentamos, ainda, o sinistro legado de Paulo Freire, o Patrono da Educação brasileira.

Diante disso, é claro que ficamos esperançosos quando Bolsonaro foi eleito com a promessa de combater a ideologia de gênero e implantar o Escola sem Partido. No debate promovido pela TV Bandeirantes, Bolsonaro disse com todas as letras: “Nós precisamos de um Presidente que honre e respeite a família; que trate com consideração criança em sala de aula, não admitindo ideologia de gênero, impondo a escola sem partido...” 

De lá pra cá, todavia, Bolsonaro não tocou mais no assunto. Desde o início do governo de transição, não me lembro de tê-lo ouvido falar em Escola sem Partido. Por alguma razão, o tema sumiu do radar do Presidente. 

Depois da posse, fiquei esperando um contato por parte do MEC. Não veio. Em fevereiro, tentei marcar uma audiência com o Ministro Vélez. Ligava, deixava recado, e não retornavam a ligação. Finalmente, consegui. No dia marcado, porém, o Ministro se desculpou dizendo que havia urgido um compromisso urgente… Uma assessora insistiu que o Ministro fazia questão de falar comigo; disse que ligaria na semana seguinte para marcar outra reunião, mas não ligou. Fiz papel de bobo. 

Na posse do atual Ministro da Educação, foram proferidos dois longos discursos, um de Bolsonaro, outro do empossando. Incrivelmente, nenhum deles sequer tocou no problema da doutrinação e da ideologia de gênero. Nem uma palavra sobre Escola sem Partido.

Em junho, a deputada Bia Kicis ‒ que é autora do projeto Escola sem Partido na Câmara ‒ pediu para que eu a acompanhasse em uma reunião com o Ministro Weintraub. Fomos, mas não conseguimos muita coisa. O ministro estava mais preocupado em falar do que ouvir. 

Na semana passada, o MEC divulgou os planos do ministério para os próximos 3 anos e 5 meses de governo. De novo, nem uma palavra sobre doutrinação, ideologia de gênero e Escola sem Partido. 

Tudo isso é muito frustrante para nós. A reforma da previdência explica e justifica perfeitamente que o Projeto Escola sem Partido não esteja tramitando no Legislativo. Mas e o Executivo? O Executivo poderia ao menos escutar as sugestões do nosso movimento. Mas nem isso. 

Entendo que, no cenário de polarização atual, o ESP tem poucas chances de avançar sem o apoio político do Presidente Jair Bolsonaro. Ele foi o único candidato que apoiou a proposta do movimento durante a campanha. Seus adversários políticos ‒ especialmente o PT, PSOL e PCdoB ‒ são adversários declarados do ESP.

Gostaríamos de ter o apoio de todos os partidos, afinal, o que estamos propondo é uma política de Estado, não de governo. Mas sabemos que isso não vai acontecer. Para a esquerda ‒ notória receptadora dos furtos ideológicos realizados todos os dias nas escolas e universidades do país ‒, apoiar o ESP seria suicídio. O próprio José Dirceu já declarou que "a pior ameaça que nós [da esquerda] vamos viver é o Escola sem Partido".

Sem o apoio de Bolsonaro ‒ não me refiro ao governo, mas à liderança política do Presidente ‒, o Escola sem Partido dificilmente conseguirá avançar. Batemos no teto. Nas nossas redes sociais, possuímos cerca de 300 mil seguidores. Ora, isso não é nada, se pensarmos no número de pessoas impactadas, direta ou indiretamente, pela propaganda ideológica, política e partidária que come solta nas escolas e universidades. 

Mas não é só. Precisamos de apoio material, recursos para ampliar o alcance do nosso trabalho. Precisamos de uma fonte de custeio estável; precisamos de mão de obra qualificada e dedicada profissionalmente ao movimento. Não podemos contar com doações ocasionais e trabalho voluntário, embora isso seja muito bem-vindo. Ora, sabemos que muitos empresários admiram o trabalho do ESP. Mas onde eles estão? Por que não nos apoiam, a exemplo do que fazem, por exemplo, as fundações Bradesco, Lemann, Itaú Social, Unibanco, Telefônica, Natura, Roberto Marinho, Votorantim, Suzano, Cyrela, Península, Vale, C&A e outras, que despejam milhões em iniciativas de viés marxista-freireano como a revista Nova Escola, e ONGs como o Todos pela Educação e Ação Educativa?

Em resumo, uma causa tão importante, com adversários tão poderosos, não pode ser defendida da forma como estamos fazendo. Evidentemente, se as autoridades constituídas — nos três níveis de governo — e, sobretudo, o Ministério Público cumprissem o seu dever, o ESP nem precisaria existir. Mas é notório que isso não está acontecendo, nem há sinais de que esteja para acontecer.

Miguel Nagib é fundador do Movimento Escola Sem Partido. Por absoluta falta de apoio, o Escola Sem Partido suspende as atividades no perfil do Facebook, a partir de 1° de agosto. Daí pra frente, denúncias, pedidos de socorro e orientação deverão ser dirigidos ao MEC, secretarias de educação, Ministério Público e políticos que se elegeram com a bandeira do ESP.

Um comentário:

Anônimo disse...

Acredito eu, que o que as pessoas apoiam, é: "Uma escola sem partido". Você quer empurrar seu método goela abaixo (não aceita nenhuma adaptação); não sei se é verdade, mas é isso que a "estrema imprensa" informou para a população.