terça-feira, 23 de julho de 2019

Julho cheio de Tensões



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gaudêncio Torquato

Há muita eletricidade no ar. Os curtos circuitos aumentam porque as redes de distribuição de energia falham por falta de manutenção. Julho tem sido um mês de sístoles. 
Convém explicar. Sístole e diástole são dois estágios do ciclo cardíaco nas pessoas. Por sístole, entende-se a fase de contração do coração, em que o sangue é bombeado para os vasos sanguíneos, já a diástole é a fase de relaxamento, fazendo com que o sangue entre no coração.
O general Golbery do Couto e Silva, no ano de 1980, usou os dois conceitos para tratar do país sob a visão da política. Pregava que os militares, após o ciclo da contração, se retirariam da política de forma organizada e tutelando a transição democrática. Viria a diástole.
Pois bem, o Brasil atravessa julho sob muita sístole, ao contrário do tempo de descontração, relaxamento, situação esperada para o sétimo mês do ano. As tensões envolvem os três Poderes, órgãos como Ministério Público, Receita Federal, Coaf, OAB, entre outros.
Os campos de tensão começam entre o Executivo e a esfera política na reforma da Previdência. Têm como pano de fundo um “certo desprezo” do presidente a respeito do presidencialismo de coalizão, o que implica não aceitar o confessionário onde parlamentares contam agruras e indicam figurantes aos cargos da estrutura. (Bolsonaro nesse aspecto se parece com a ex-presidente Dilma).
E mais, Bolsonaro despreza o esforço do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao mobilizar os participantes a votar assuntos de interesse do Executivo. Maia acaba respondendo com veemência as estocadas, tomando a si a responsabilidade de criar uma agenda própria para o Legislativo. A equipe econômica reclama da desidratação do projeto pela Câmara, esquecendo que o próprio presidente da República trabalhou por essa desidratação ao defender privilégios para o pessoal da segurança pública.   
As expressões presidenciais funcionam como fios desencapados de curtos-circuitos. “Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira”. Ou: “A economia vai às mil maravilhas”. Dados contrários desmentem o presidente.
A indicação do filho Eduardo para chefiar a mais importante embaixada do Brasil no Exterior recebe questionamentos. Se passar no Senado, será por via da articulação da “velha política”, que ele execra.
A pauta do Executivo é aceita pela base de simpatizantes do governo, mas cada vez mais recebe sinais contrários da sociedade, como a questão do porte e posse de armas. Alguns projetos do Executivo são considerados inconstitucionais.
Na frente externa, países repelem a política ambientalista do governo. Países desenvolvidos reclamam do desmatamento, do pouco cuidado do país com questões ambientais. Alemanha e Noruega ameaçam parar de financiar um fundo em favor da preservação da Amazônia. Bolsonaro responde que nenhum país do mundo cuida tão bem de seu meio ambiente como o Brasil.
Há tensão entre o STF e o Ministério Público por causa de decisão do ministro Dias Toffoli de condicionar todas as investigações à autorização judicial. Essas investigações partem de informações principalmente do Coaf e da Receita, que apuram movimentações suspeitas. Para o MP, pode ser um golpe de morte contra a Lava Jato.
Há tensão entre o Executivo, o Legislativo e o MP por causa da Lava Jato. Políticos querem minar a operação, o MP defende sua plena continuidade e o Executivo tenta manter acesa a chama com apoio ao ministro Sérgio Moro.
Na frente da reforma tributária, as tensões começam a aparecer em torno dos projetos em pauta: um do ex-deputado Luiz Carlos Hauly, outro do relator e deputado Baleia Rossi, o terceiro de Marcos Cintra, chefe da Receita, defendido por Paulo Guedes e mais um patrocinado pelo movimento Brasil 200. A sociedade não quer ouvir falar na CPMF, mas dois projetos lembram a malfadada contribuição. Bolsonaro promete que ela não volta.
Há tensão entre Executivo e conselhos federais profissionais. Como a Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho de Medicina, de Arquitetura, dos Engenheiros, etc. Projeto do governo quer acabar com a obrigatoriedade de inscrição dos profissionais em conselhos de classe.
Há conflito até na estratégia para animação da economia, como é o caso da liberação do FGTS para trabalhadores ativos e inativos. Não houve consulta nem à Caixa nem à construção civil, que faz uso dos recursos do Fundo para a moradia.
E assim, sob sístoles, o corpo nacional vive seu mês de julho.
Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato

6 comentários:

Loumari disse...

Intervencionismo é um câncer na economia brasileira

https://www.youtube.com/watch?v=fWXfsv1FILg

Loumari disse...

Definitivamente o messias bolsobesta está a fazer um excelentíssimo job. Este homem está a criar a situação que consiste em asfixiar a economia do Brasil, destruir as empresas exportadoras, desanimar os investidores estrangeiros, romper com intercâmbios comerciais que ajudavam muito a agro-negócio, multiplicar o desfecho de empresas da agro-indústria, romper com alianças que até aqui muito beneficiou o Brasil e estimulou muito as exportações de sua produção nacional, o número de brasileiros desempregados aumenta cada dia, gentes que são exonerados sem indemnizações porque a empresa caiu em falência.
A gente já vem dizendo: Nada de bom se constrói a partir de bases malignas.
Num país onde se publica de fontes oficiais uma estimativa de treze (13) milhões de desempregados.
E outras fontes, que são de trabalho de investigação de jornalistas independentes, publicam informes com estimativa de trinta (30) milhões de desempregados no país. Por que esta disparidade na estimação de número de desempregados? Explicam os investigadores que, a outra parte são gentes que desistiram de apresentar-se na direcção do trabalho em procura de emprego. Se cansaram e procuram outra maneira de sobreviver e muitos deles se dedicam a negócios informais.
E das investigações dos jornalistas independentes dão uma estimativa de cinquenta e dois (52) milhões de brasileiros que vivem em condições de extrema precariedade.
E do jeito que se multiplicaram pelas ruas das cidades crianças errantes a mendigar pão! muitas crianças para esquecer da fome que lhe rói o estômago, optam por inalar solventes e aquilo lhes embriaga e se atiram pelos passeios ou baixo pontes e dormem.
E estes fascistas fanáticos do messias bolsobesta, dizem que bandido bom é bandido morto. E são os mesmos que se julgam ter o monopólio de Deus. São destes mesmos que confessam ser católicos. Estão a ver o que acontece quando o joio se mistura com o trigo o que dá? Gera uma espécie de criaturas com aspecto físico humano mas de carácter feroz, mas feroz mesmo. Gentes extremamente violentas, odiosas, malévolas, um horror na superfície da terra.

Loumari disse...

A ditadura já está a tomar corpo no Brasil. As sanções a liberdade de expressão já é aplicada, e aos poucos se vai impondo o controle da media, imprensa, blogs críticos e páginas Facebook são sabotados até os donos desistirem de suas publicações.

Loumari disse...

¿El ‘boomerang’ de Lava Jato? Revelaciones afectan al juez que encarceló a Lula

https://www.youtube.com/watch?v=8tg0yAd7auA

Las revelaciones de The Intercept sobre el proceder de Sergio Moro, el juez que encarceló al expresidente brasilero Lula da Silva, llenan de dudas toda la Operación Lava Jato.

Você pode ativar legendas em português.

RT en Español
12 de Julio, 2019

Loumari disse...

35 milhões de brasileiros vivem sem água tratada

https://www.youtube.com/watch?v=N1gFvyJMMMo


OBS: Nem no Afganistan está nestas condições ambientais.

Anônimo disse...

O guardencio e o loumari se completam. Mas, se o guardencio resolvesse tomar vergonha na cara; ele poderia começar por esse clássico: https://www.alertatotal.net/2019/07/a-vagabundagem-explicita-da-esquerda.html