quarta-feira, 28 de agosto de 2019

1961



Jânio Quadros: vai que não foi...

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Emendabili Souza Barros De Carvalhosa

A História do Brasil, sobretudo a do Século XX, é muito pouco estudada, de maneira geral por todos, mesmo que de forma superficial, o que se dirá dos nuances que permearam momentos decisivos desta pobre República.

O general Góes Monteiro, chefe supremo das Forças Armadas desde o primeiro governo de Getúlio Vargas, conquistado pelas armas em outubro de 1930, bem como o seu chefe de polícia Felinto Müller, eram nazistas declarados, bem como fascistas eram quase todos os que gravitavam em torno de Vargas, que com ele idealizaram e deram o golpe, em 1.937, que criou o Estado Novo, outorgando a Constituição autoritária, logo apelidada de “Polaca”, escrita pelo fascista Francisco Campos, que a copiou literalmente da Constituição Italiana outorgada por Mussolini.

Getúlio passou, a seguir, sob a regência orquestral de Villa Lobos, a queimar todas as bandeiras dos Estados brasileiros, numa pira simbólica instituidora do Estado Unitário, de comando único e central, cassando toda e qualquer autonomia regional, e de lá para cá, sobra muita Capital Federal para pouco Brasil, em termos de arrecadação predatória dos recursos dos Estados, especialmente os do Sudeste e do Sul brasileiros.

Contudo, o ambíguo e hábil Vargas inovou, pois que enquanto Mussolini, Hitler e Stalin apoiavam seus regimes totalitários nos partidos únicos de massa por eles criados (Partido Nacional Fascista, Partido Nacional Socialista Alemão e Partido Comunista das Repúblicas Socialistas Soviéticas, respectivamente), Vargas, conhecendo bem a natureza humana, astuto, viperino, mandou Francisco Campos copiar e traduzir a Carta del Lavoro de Mussolini, instituindo a CLT e o salário mínimo no Brasil, obtendo para si o título de “pai dos pobres”.

Ao criar o DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda, a partir deste momento, permitido seria somente o culto pessoal ao Caudilho e à bandeira nacional, passando Vargas a governar sem partido nenhum, apoiando-se diretamente por sobre as massas, sem nenhum interlocutor parlamentar, centralizando todo o poder em sua pessoa.

Por muitas mais razões se entende pouco dos porques Vargas e os varguistas se bandearam para o lado norte-americano, democrata, onde imperava a livre imprensa, vivendo então o Brasil a pior ditadura de sua história, com cerca de 15 mil presos políticos, que lotavam cadeias imundas e eram torturados com requintes de crueldade, cotidianamente.

De certo, Vargas cedeu ao temor reverencial de que os EUA invadissem o Brasil para instalarem suas bases navais e aeronáuticas no Rio Grande do Norte, o que veio a acontecer, depois, mediante acordo bilateral, financiando os norte-americanos as despesas de modernizarem e equiparem as anacrônicas Forças Armadas brasileiras, instituindo a Aeronáutica militar, e, de quebra, a montagem e instalação da Usina Siderúrgica de Volta Redonda/RJ.

Fato é que os EUA, ao final dos anos 1930, realmente tinham planos de invadir o território nacional, por meio de sua Marinha de Guerra, desembarcando tropas no Rio Grande do Norte para tomarem parte do território do Nordeste, instalando ali a ponta-de-lança de ataque aéreo-naval à Europa, via África, em caso de guerra com o Nazifascismo. 

Somente depois de sua deposição em 1945, e a redemocratização do País, constitucionalizado pela Carta Magna de 1946, Vargas viria a criar o PTB, pelo qual voltaria ao poder pelo voto popular em 1950, até se suicidar no Catete em agosto de 1954, após a campanha-denúncia de Carlos Lacerda, no sentido que o segundo governo Vargas era marcado por um “mar de lama”, vertida aos borbotões do lixão da endêmica corrupção brasileira, abrindo uma crise política sem precedentes, que só terminou com a tomada do poder pelas Forças Armadas em 1964.

De todos os vícios e defeitos de Getúlio Vargas, um não pode ser a ele atribuído: o de que fosse ladrão e corrupto; pois que morreu relativamente pobre para alguém que governou o País por 19 anos (1930/1945 e 1950/1954), o mesmo não se podendo dizer de quem o ladeava; familiares, como o irmão Benjamin, e políticos, aliados e opositores; empenhados em negociatas de Estado, tanto para variar.

Getúlio, no bem e no mal, de forma acertada ou errônea, se dedicou ao Brasil, ao Brasil que era ele e que ele queria para si, isto do momento que acordava até o sono o vencer. 

Fato é que o Brasil tem a cara do Getúlio Vargas até hoje, bem como a Itália de Mussolini também, e não me refiro somente às edificações arquitetônicas do período, mas, sobretudo, às instituições, órgãos, ministérios de Estado, e suas autarquias e fundações, que caracterizam fundamentalmente, até hoje, os respectivos países.

No intermezzo 1954-1964, surge a figura meteórica de Jânio da Silva Quadros, em meio ao conturbado governo presidencial de Juscelino Kubitschek de Oliveira, enquanto este construía a toque-de-caixa Brasília sob a régia batuta de dois exponentes comunistas, o arquiteto Oscar Niemayer e o urbanista Lúcio Costa, para o deleite dos especuladores, dos atravessadores e dos superfaturadores de todos os tempos e épocas brasileiros, erguendo a NovaCap faraônica do Planalto Central com a mão de obra boa e barata de milhares de candangos migrantes, cujos descendentes hoje povoam os arredores de Brasília, inclusive a família de Michele Bolsonaro.

Como já escrevi, conheci o Jânio Quadros do último período de sua vida, pelas mãos do jornalista Maurício Loureiro Gama, que naqueles anos 1950 era o jornalista mais importante e destacado do Brasil, o primeiro âncora de um telejornal, escrevendo para oito jornais ao mesmo tempo, inclusive o “Clarin”, o qual era companheiro de juventude de Jânio, ambos lutando pela vida, dura para os dois, tendo Maurício me desenhado alguns fatos que marcaram a personalidade e o viver de Jânio Quadros.

Jânio era filho do médico Gabriel Quadros, e dele apanhava todos os dias, desde pequeno, fato este sabido por todos os vizinhos do bairro paulistano do Cambuci, inclusive do futuro e todo-poderoso Ministro da Fazenda Delfim Neto, vizinho de Jânio.

A carreira política de Jânio não começa na Vila Maria, como se acredita, mas sim na esquina da Alameda Jaú com a Rua Peixoto Gomide, no bairro paulistano do Jardim Paulista, como professor de Geografia do prestigiado colégio paulistano Dante Alighieri, pela ideia de Gigi Girardi, de poderosa família industrial italiana em São Paulo, líder estudantil, que formou um grupo de estudantes secundaristas para lançarem, apoiarem e divulgarem a candidatura de Jânio Quadros a vereador de São Paulo, alugando nas proximidades uma casinha a servir de comitê.

Jânio se elegeu suplente, e com a morte do titular, assumiu a cadeira na Câmara dos Vereadores paulistana, soltando a voz, fazendo ver e ouvir a sua cultura imensa e a sua inteligência ímpar, elegendo-se a seguir: prefeito, deputado federal, governador do Estado de São Paulo e presidente da República, em pouco mais de 5 anos.

Quando jovem, Jânio e um pequeno grupo de estudantes, ele magro, malvestido, pobre, foram a um gabinete político, a pedir dinheiro para comprarem uma passagem de trem para o Rio de Janeiro, encontrando ali Sana Khan, um vidente árabe famoso, que tinha realmente a capacidade de ler a mão das pessoas, a predizer o seu futuro.

Vendo a figura, viva e caricata de Jânio, o chamou e pediu para ler a sua mão, dizendo-lhe que a sua estrela seria meteórica, que galgaria em breve tempo todos os cargos da República pelo voto do povo, mas que também, em breve tempo, sua estrela se apagaria, só voltando a brilhar ao final de sua vida.

A profecia realmente se cumpriu como Sana Khan a proferiu, lembrando Jânio, por toda a sua vida daquelas palavras, contudo, acreditou que a sua estrela se apagaria durante seu mandato como governador de Estado, e não como presidente da República.

É que Gabriel Quadros, na esteira política do filho, elegera-se deputado estadual, e durante o mandato, escreveu virulento artigo contra o filho governador no jornal “O Estado de São Paulo”, acabando com Jânio, como pessoa e como político, que simplesmente se recolheu no seu gabinete tendo por companhia uma garrafa cheia de uísque escocês, preferindo não responder publicamente ao pai parlamentar...

Dia seguinte, numa feira livre no Jabaquara, um garoto carregador de caixas, foi interpelado pelo dono da banca, vindo a ser por ele expulso da feira por ter pego uma fruta, ou algo assim, em meio aos xingamentos do feirante, causando revolta no garoto que, de supetão e na frente de todos, dirigiu-se ao feirante, dizendo-lhe: 

- Ao invés de ficar de olho em mim, vá ver com quem a sua mulher está metendo em casa, na sua cama, seu corno de merda!

O feirante não teve dúvida. Pegou o revólver carregado de baixo do madeirame da banca e foi para casa, abandonando a feira, cheio de ódio, e lá chegando, deparou-se com Gabriel Quadros em sua cama, por sobre a sua mulher, cujos gemidos davam para ouvir na rua, com as pernas escancaradas e abertas ao ar.

Nenhum dos dois amantes tiveram tempo de passar do gozo ao espanto, pois que o feirante descarregou a arma em ambos, matando na hora Gabriel Quadros, ferindo gravemente a esposa.

Jânio, a pouco mais de 24 horas do artigo demolidor de seu pai contra si, publicado no jornal mais respeitado do País, mandou velar seu pai com honras de Chefe-de-Estado no salão nobre da Assembleia Legislativa de São Paulo, fechando-se em si mesmo como uma ostra em mar bravio.

Vencidas as eleições presidenciais de 1960, assumido o cargo em 1961, confessou-me Jânio em 1982, no jardim de sua casa no Guarujá, num fim de semana, que a potência estrangeira que mais temia como presidente da República não eram os EUA, ou a extinta URSS, hoje Federação Russa, mas sim a França, isto porque os EUA já tinham suas bases militares no Brasil, via Getúlio Vargas, e jamais deixariam a URSS se apoderarem, territorial e politicamente do que fosse no Brasil, enquanto a França testava dezenas de bombas atômicas nos seus atóis asiáticos, arrasando-os ambientalmente, infestando a população do Haiti com radiação nuclear que se espalhava na atmosfera, temendo ele a instalação de bases nucleares na Guiana Francesa, capazes de atingirem o território brasileiro.

Jânio discorreu então, longamente, sobre as invasões e a expulsão dos franceses do território brasileiro durante o período colonial; a guerra que os EUA e a França empreenderam pelos territórios norte-americanos; as ambições e domínio francês por todo o Sudeste Asiático, que levaram à Guerra do Vietnã, arrastando os EUA para o conflito; o odioso colonialismo francês por meia África, submetendo e explorando povos pobres e ignorantes ao jugo francês, não raro pela força das armas e o emprego de tropas mercenárias locais para espalharem o terror; e até mesmo as ambições coloniais da França na Europa, quando De Gaulle, no poder após a liberação da França na II Guerra Mundial, ameaçou invadir e anexar Mônaco, tendo sido impedido pelo presidente Kennedy, a pedido expresso da princesa Grace.

Fomos mais além, discorrendo que a doutrina pangermanista, que pregava a supremacia ariana e branca, não surgira na Alemanha, nem antes, nem durante e nem depois do Nazismo, mas ao final do Século XIX, concebida de parte de pensadores franceses da estatura de Reims e de Chamberlain, considerando eles que todos os povos que estivessem abaixo da latitude dos Alpes, eram braquicéfalos alpinos, seres inferiores, indignos, asquerosos, portugueses, espanhóis, gregos e italianos, incluídos, podendo-se imaginar o que pensavam a respeito dos africanos, árabes, judeus, asiáticos e ... brasileiros ...

Neste sentido, a França invadida pelo Nazismo em 1940, em grande parte, se regozijou com a “invasão”, tanto que colaborou fortemente com os nazistas, inclusive empregando suas forças navais contra os ingleses no Oceano Atlântico e Mar Mediterrâneo, declarando a França guerra aos aliados, destoando dos nazifranceses De Gaulle, que veio da África com um punhado de meia-dúzia de gatos pingados, que nada poderiam fazer não fosse o apoio norte-americano, para o qual pediram penico para liberarem a França, com Macron hoje tentando esnobar Trump, como se pudesse fazê-lo, sem cair no ridículo...

Jânio, curto e grosso, disparou:

-Além de prepotentes, arrogantes, egoístas e ambiciosos, os franceses são perigosos para o Brasil e para qualquer país e povo sob a sua mira, por isso cogitei de invadir a Guiana Francesa em 1961, anexando-a ao Brasil, antes que os franceses, de olho na Amazônia, viessem eles a invadirem o Brasil, anexando a Amazônia, a partir da Guiana Francesa, mas fui impedido, me definiram como louco, provocando uma reunião de emergência com o embaixador dos Estados Unidos, que de todas as maneiras me dissuadiu de dar a ordem de invasão.

Pois é. Macron, como os nazistas que simulavam conflitos de fronteira para terem a desculpa moral da invasão de território estrangeiro e soberano, ameaça tomar a Amazônia pelas armas francesas, a proteger o “pulmão do mundo”, sabendo que todo o oxigênio que a floresta produz de dia, consome à noite, liberando CO2, declarando-a “nossa casa” e “bem comum”, passados 58 anos do acertado raciocínio, conclusões e temores janistas que, ao que parece, se concretizam.

Macron, que conta com o apoio da germânica Ângela Merkel, um Hitler de saias, tenta levar e convencer Trump a se engajar no ataque militar, mas ao que parece e transparece, Trump despreza maximamente a figura repulsiva de Macron, o bambino d’oro e ex-banqueiro da Casa Rothschild, iniciado sexualmente aos 14 anos por sua balzaquiana professora, hoje sua esposa-mãe.

A Bolsonaro cabe reforçar e reequipar as Forças Armadas por meio de seu maior aliado, os EUA, ocupando militarmente a Amazônia, deslocando e concentrando tropas na fronteira com a Guiana Francesa, enquanto a supervisiona, com a Marinha de Guerra, a movimentação por mar da Marinha francesa, não duvidando que Forças Armadas alemãs também, em apoio conjunto, visem também invadir, não se sabendo, ainda, se a França deslocou, no passado, artefatos nucleares naquele território colonial francês, para o fim de atacar o Brasil em algum momento, que agora se apresenta “justificado” pela “queima do pulmão do mundo”, após terem devastado suas florestas em três mil anos seguidos de aniquilação ambiental.

Neste dia de agosto, Dia do Soldado, dia da renúncia de Jânio em 1961, também mês do suicídio de Vargas, fica um pouco do que aconteceu neste País sempre invejado e ambicionado, apesar de todos os nossos males, desmandos e infortúnios, e também este alerta, máximo. 

Paulo Emendabili Souza Barros De Carvalhosa Domingo, 25 de agosto de 2019. 87º da Revolução Constitucionalista. Texto viraliza nas redes sociais da internet.

2 comentários:

Q disse...

Bom artigo.

Anônimo disse...

Brilhante artigo.
Só uma coisa: Você sabe porque os jornalistas e professores são contra a ditadura militar e não falam nada de Getúlio que foi bem pior em termos de prisão e tortura????
Simples, porque Getulio insentou este pessoal do imposto de renda e a ditadura acabou com esta aberração.
Vejam este artigo do prof. Kanitz::

Uma semana depois de assumirem o governo, os militares patrocinaram uma emenda constitucional número 9, que se tornaria o maior erro deles.

Promoveram a emenda constitucional número 9 de 22 Julho de 1964, e logo aprovada 81 dias depois, que passou a obrigar todo jornalista, escritor e professor deste país a pagar imposto de renda, algo que nenhum destes faziam desde 1934.

Este é um dos segredos mais bem guardado pelos nossos professores de história, a ponto de nem os novos militares, jornalistas, professores de história e escritores de hoje sabem o que ocorreu de fato.

http://blog.kanitz.com.br/erro-ditadura-militar/