terça-feira, 6 de agosto de 2019

A Cultura Individualista


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gaudêncio Torquato

São múltiplas as razões para a extensão das redes criminosas que agem à sombra do Estado. Uma das fontes desse poder oculto é a própria Constituição de 88. Parece uma sandice, pela antinomia expressa: a lei maior, no mais elevado pedestal da Pátria, ser responsável por mazelas. Há lógica?
Ao abrir o leque de direitos sociais e individuais, a Carta construiu as vigas institucionais com autonomia, liberdade e competência funcional. Sistemas e aparelhos se robusteceram para exercer com independência as funções constitucionais. O Estado liberal e o Estado social convergiram suas posições em direção ao Estado Democrático de Direito, sob o qual o Poder Judiciário assume posição de relevo, fato que explica seu papel preponderante na pavimentação da via democrática. 
A judicialização da política, fenômeno bastante observado nos últimos tempos, leva em consideração a ausência de legislação infraconstitucional, o que tem permitido ao Judiciário entrar no vácuo legislativo e interpretar as normas de comando.
Instituições do Estado, voltadas para a defesa do regime democrático, da ordem jurídica e dos interesses sociais e individuais, ganharam impulso. O Ministério Público, por exemplo, alçado à condição de instituição essencial à função jurisdicional do Estado e acrescida bagagem normativa, passou a incorporar a missão de guardião maior da sociedade. Sua atuação, se, de um lado, ganhou o respeito dos cidadãos, passou a ser questionada por causa de ações consideradas exageradas.
A Polícia Federal reforçou a identidade como órgão encarregado de exercer a segurança pública para a preservação da ordem e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, passando a agir em parceria com instâncias do Judiciário. Sua extensa folha de serviços, alargada por um fluxo de maior profissionalismo, penetra nos espaços mais obscuros da vida criminosa e nos porões incrustados nas malhas da administração pública.
A par de sua contribuição para a consolidação dos pilares éticos e morais e a preservação das boas práticas políticas, ganhou uma legião de críticos e adversários, também por conta de operações espetaculosas, marcadas por nomes simbólicos. Como pano de fundo temos a Constituição de 88, que propiciou ao aparelho do Estado a competência para organizar estruturas e métodos capazes de garantir a sua segurança e alcançar o equilíbrio social.
Às ações do MP e da PF se somam tarefas de outros sistemas que também fazem apurações e controles, como o Gabinete de Segurança Institucional, o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria-Geral da União, além dos aparatos do Parlamento, como as Comissões de Inquérito. O Estado possui máquina mais que suficiente para monitorar retas e curvas de pessoas físicas e jurídicas. Mas nessas trilhas a coisa começa a desandar. A pletora de instrumentos de controle abre imensos vácuos. A política é como a água corrente: preenche os vazios.
Tarefas assemelhadas se repartem entre alguns órgãos, espaços se bifurcam e dirigentes são atingidos pelo fogo das vaidades. Cada qual procura chamar para si a atenção. Afinal, as luzes do Estado-Espetáculo propiciam ampla visibilidade. Se as ferramentas a serviço do Estado fossem desprovidas de sentimentos, teríamos gigantesca estrutura de controles comprometida com o bem comum. Coisa difícil.
O bem da coletividade passa pela filtragem personalista. Somos um País que privilegia a marca pessoal. A ação da entidade é precedida pela louvação do dirigente. O ministro Sérgio Moro ganha estátua de xerife-mor. Mesmo sob tiroteio. Juízes e procuradores dão o tom da justiça e da política, imprimindo à orquestra o seu compasso. Alas e grupos se formam no interior de estruturas, matizes políticos dão o tom de operações e a algazarra do espetáculo acende altas fogueiras.
A querela se espalha, como estamos vendo hoje entre os três Poderes. O que fazer com a massa contenciosa que agita atores e instituições? O óbvio: cumprir o dever nos limites prescritos pela lei, despir-se de vaidades, usar o bom senso para evitar duplicação de tarefas e profissionalizar as estruturas, deixando-as imunes aos partidarismos. Cada Poder deveria se ocupar de suas funções. Sem mais nem menos. Se for criado um novo controlador para comandar o já existente, o País andará em círculos.
Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato

6 comentários:

Loumari disse...

Porque, segundo o seu juízo é a constituição que entra na cabeça da pessoa e a transtorna, convertendo-a a ser corrupta, violador de leis republicanas, que torna a pessoa perversa, imoral, incita a pessoa a furtar, a desrespeitar mãe e pai, a mentir e induzir o povo ao erro, obriga as pessoas a não trabalhar, agita os espíritos das gentes e tornando-as violentas, força as pessoas a matar outras pessoas como messias bolsobesta prometeu matar outra parte da população que não adere a sua ideologia diabólica? É a constituição que entra na cabeça de vossos juízes e os leva a ditar sentenças por dinheiro e interesses pessoais?
Não é porque a constituição de Brasil em seus parágrafos e incisos tem vírgula onde não devia haver vírgula, que isso implica que os juízes e políticos deste país invalidem a constituição e façam o que bem lhes apraz.
O homem cria a constituição mas a constituição não faz o homem. Se o povo brasileiro é de natureza perversa, abominavelmente iníquo, não é por culpa da constituição. É que o povo brasileiro não é povo de Deus o Criador. Este povo é de entranhas tão malignas que para levar livremente a cabo suas obras de gentes das trevas, começaram por modificar a Palavra de Deus, falsificar o Testamento de Deus e tornando a Bíblia unicamente como instrumento de manipulação e a bíblia servir aos interesses dos homens. A MALDIÇÃO DE BRASIL ESTÁ NA PRÓPRIA BÍBLIA. Brasileiros expulsaram Deus, extinguiram o Espírito Santo. Este povo tem por deus o demónio. Esta é a nação do anticristo. Consequência do desafio a Deus o Todo-Poderoso, inserindo na Bíblia falsos profetas e falso Cristo dissimuladamente (até porque nem estão dissimulados, porque todo mundo sabe que o que há na bíblia dos brasileiros é falso), e toda a nação que aceita coisas que nenhum outro povo no mundo desde a criação tem por fundamento.
Bíblia falsa, o Espírito Santo extinto, Deus que se retirou do meio deste povo, consequência disso, esta grande e profunda confusão. A aristocracia brasileira é que comprometeu esta nação exercendo cultos em invocação a Satanás.
Todos estes que dizem: Brasil acima de tudo, são anticristo. O homem se coloca acima de Deus. A BESTA 666 é o deus desta nação.
A dita direita brasileira já está imersa em trevas das mais espessas que não tem perspectiva nenhuma, porque a besta lhes agita a violência de toda índole, e como bestas ruins que são justificam sua incompetência com sempre estar a apontar um culpado ideal, que varia, um dia é o PT e outro dia é a constituição. Portanto esta mesma constituição assegurou a república até aqui e os que a respeitaram puderam construir e edificar, levando a nação ao desenvolvimento.
A classe direitista brasileira é o cúmulo da incompetência. Classe de gentes terrivelmente INÚTEIS.
Colocaram nos poderes em cargo da nação verdadeiros Párias. Casta de indivíduos das mais baixas condições intelectuais. PREGUIÇOSOS, AGRESSIVOS E GRANDES MENTIROSOS.

Anônimo disse...

Parabéns Loumari, ótimo comentário!

Anônimo disse...

Certo, mas poderias pelo menos pedir aos seus ídolos, Lula e Dilma, para providenciarem a devolução do dinheiro que a quadrilha lulopetista nos ROUBOU? É coisa pouca, somente uns míseros 100 Bilhões (100 mil milhões)? Depois disso, podes continuar sua arenga dos infernos, senhor!!!!!

Anônimo disse...

Está certo, senhor, mas não será pedir-lhe muito: poderias instar seus desabençoados ídolos, Lula e Dilma, para que providenciem a devolução ao povo, dos 100 bilhões (100 mil milhões) que a quadrilha lulopetista ROUBOU? É que estamos a necessitar deste recurso ROUBADO, visto que nossa gloriosa Polícia Federal só conseguiu reaver cerca de 10 bilhões deste montante, o que é uma ninharia perto do que dita QUADRILHA nos surrupiou! Faria este grande favor, senhor? Após isso, nada obsta que continues com sua arenga empolada e contaminada dos eflúvios subterrâneos, se lhe faz bem ao espírito, senhor!!!

Anônimo disse...

"""Anônimo disse..Parabéns Loumari, ótimo comentário!10:18 AM

Sempre pode piorar (alguém apoiando o loumari).

Loumari disse...

Por quê uma pessoa digna deste nome se exprime oculto detrás do anonimato? Tem medo de quê?

Supomos que no comentário de 1:37 PM e 1:54 PM deve ser o mesmo insignificante? Para começar só podemos sentir lástima de si por você não ter existência própria.
Mas, como dignos de boa-fé, consideramos sua intervenção e lhe agradecemos. Estamos imensamente grato por você trazer a luz e pôr em evidência que a condenação de Luís Inácio Lula da Silva foi uma sentença pronunciada sem provas materiais. A condenação de Luís Inácio Lula da Silva foi arbitrária e com interesses políticos. Porque, se os vossos procuradores fossem homens justos e aplicados no rigor da lei, teriam sem falta achado o dinheiro que Luís Inácio Lula da Silva roubou. Se não acharam dinheiro nenhum, é porque não existe. O vosso deus e súper homem juizeco de sérgio moro, é a pior vergonha no mundo judiciário.
Sobretudo, não se esqueçam da lei da natureza. Ela é implacável. O que o homem semeia isso colherá.