segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Histórias Flutuantes



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

No artigo dessa semana, peço licença aos meus leitores para dar uma breve pausa no falar da vida alheia, e falar um pouco sobre mim mesmo, levando em consideração que não vão se importar que eu esqueça um pouco as canalhices do STF, da OAB, do Congresso e das mídias progressistas; então vamos lá:

Era o princípio dos anos setenta, época de ouro da publicidade.

Eu era diretor de arte de uma agência de propaganda em São Paulo, que detinha em seu portfolio as - na época - prestigiosas contas do, Jockey Club de São Paulo, Móveis Hobjeto, Hope, Basf e outras de menor porte. Havia ganho o prêmio Colunistas, o então mais importante prêmio da publicidade brasileira, com todas as citadas, e minha campanha “Grave com Basf e agudos também”, onde  em diversos comerciais de 30 segundos, pela primeira vez mostrava de forma visual, graves e agudos; para meu orgulho, era objeto de estudos de semiótica na Universidade Sorbonne em Paris.

Dirigia um dos somente 500 Pumas conversíveis fabricados por ano, e que para usufruir de tal “privilégio”, havia que entrar na fila e pagar uma entrada adiantado, tal a procura. Ganhava muito bem e vivia no que se chamava “Sul Maravilha”.

Estava a um passo de entrar na J. Walter Thompson, onde me tornei parte do seleto grupo que hoje pode ser visto na serie de Televisão Mad Man (acrescentaram um M à expressão Ad Man, publicitário, e a transformaram em homens loucos). Éramos todos um pouco, mas antes disso, quis o destino que eu tomasse um banho de realidade e humildade.

Um amigo, diretor da melhor e mais bem cuidada revista de bordo que já existiu nesse país, sabendo que eu ia sair de férias, me convidou para fazer as fotos de uma viagem “sui generis” de oito dias em uma gaiola no rio São Francisco.

Digo “sui generis”, porque os passageiros dessa viagem seriam especiais, tudo no intuito de mostrar um certo “glamour” onde dificilmente alguém pensaria haver. 

Revistas de bordo e turismo andam sempre de mãos dadas.

As fotos da revista eram sempre feitas por grandes fotógrafos, e isso seria bom para mim, além de haver um bom dinheiro envolvido.

O que vi, nos oito dias a bordo da barcaça navegando nas águas barrentas do “velho Chico”, as pessoas com as quais convivi, foram de tal maneira importantes, que jamais naufragaram no “Aqueronte” que flui por meu cérebro, onde jazem as lembranças perdidas.

À medida que os dias passavam, aquela pequena mostra social semovente, ganhava mais relevância e ia moldando uma nova realidade até então desconhecida para mim.

Um dia talvez escrevesse um livro sobre tudo aquilo, então para não esquecer, e como não tinha um gravador, passei a escrever poesias sobre os sentimentos e emoções até então desconhecidos sobre meu próprio país e sua gente.

Desde então, escrevi muitos livros que foram publicados aqui, em Portugal e nos Estados Unidos, mas todos de ficção, onde o único compromisso do autor, seria o de divertir o leitor, e que como sabiamente disse Stephen King,  fazê-lo virar a página. 

Em 2012 finalmente tomei coragem e escrevi o livro que dá nome a este artigo: “Histórias Flutuantes” e estou lançando essa semana.

O objetivo dele é muito maior que dos meus livros anteriores, é o de desnudar nos anos setenta, a mim e um país para o leitor.

Talvez nunca o fizesse, não fosse o fato de ele estar atualmente sendo roteirizado para o cinema, fato esse que me levou a crer que acontecimentos nele contidos não impactaram somente a mim.   

Esses relatos insólitos e surreais vividos por mim, entremeados com as poesias escritas na época, vão ver a luz pela primeira vez desde que sucederam, nessa quinta-feira 08/08/19.

Vocês, meus leitores, estão todos convidados.

O lançamento será no Nacional Clube, na Rua Angatuba, 703, Pacaembu SP das 20:00 às 22:30.

Venham viajar comigo por um Brasil que poucos tiveram oportunidade de conhecer.

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

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