sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O Brasil tem futuro? - 4



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Fábio Chazyn

Capitulo IV: “Barão Eduardo Bolsonaro?”

O José-Maria da Silva Paranhos foi um político de sucesso, culminando sua carreira como primeiro-ministro na monarquia constitucionalista de D.Pedro II. Durante a sua gestão, nomeou seu filho de 31 anos como consul no centro do mundo da época, a Inglaterra. Deu no que deu. O rapaz virou o patrono da diplomacia brasileira. Virou Barão. O Barão do Rio Branco! Chanceler vitalício durante quatro Presidentes da República recém inaugurada!

O nosso contemporâneo Eduardo Bolsonaro terá o desafio das altas referências. Tanto melhor!

Já começa bem. Conquistou o voto do maior número de eleitores na história do País. Como seu pai, conseguiu fazer do limão uma limonada. Que chorem os invejosos. Que conseguiu, conseguiu!

Agora se prepara para mais um desafio. Sob as luzes da ribalta e fofocas dos críticos mais implacáveis e contumazes.

A polêmica sobre a indicação do deputado Bolsonaro por seu pai como Embaixador nos Estados Unidos está recheada de inveja e despeito. Os carreiristas do Itamaraty reclamam por uma coerência que não resiste a exame de forma, nem de mérito.

A carreira de diplomata no Brasil, perseguida no âmbito do Itamaraty, consta de um processo de qualificação profissional especializada de certos funcionários públicos para desempenhar os serviços disciplinados pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, à qual o Brasil aderiu em 1965. A partir do cargo de terceiro-secretário, o profissional, por competência, pode galgar a escala hierárquica na carreira como segundo-secretário, primeiro-secretário, conselheiro, ministro de segunda classe e ministro de primeira classe.

O chefe do Itamaraty, ou ministro do Ministério das Relações Exteriores, não é escolhido necessariamente entre os membros da corporação, por não ser um cargo técnico e sim político, ou seja, um cargo de confiança do mandatário eleito por sufrágio universal. É um cargo que pertence ao governo e não ao Estado, que é o caso da instituição-Itamaraty.

Os chefes das representações do Itamaraty no exterior seguem a mesma norma. São chamados Embaixadores. O mesmo nome que se dá à alcunha do ministro de primeira classe. O mesmo nome, mas não o mesmo mérito, pois um cargo de Embaixador não é um cargo técnico, mas sim político. É um cargo confiado a quem o mandatário acha que seguirá a conduta que ele preconiza.
Analogamente, o chefe de uma empresa, hoje mais vulgarmente chamado de CEO (Chief Executive Officer), não é necessariamente pinçado entre os profissionais que fizeram carreira na empresa, mas sim um profissional da confiança dos seus investidores majoritários.

Por outro lado, a escolha dos outros cargos a ele subordinados segue um critério técnico, com parâmetros objetivos perseguidos pelo chamado DRH – Departamento de Recursos Humanos, da mesma forma que os diplomatas de carreira subordinam-se a critérios técnicos para desempenhar as atribuições precípuas do Itamaraty sob a orientação dos Embaixadores empossados.

Não faria sentido que os funcionários de uma empresa contestassem as indicações dos acionistas, assim como não faz sentido que os carreiristas do Itamaraty façam reservas às indicações do mandatário do País. Ministro de Primeira Linha do Itamaraty não é necessariamente um Embaixador, assim como um Embaixador não é necessariamente um Ministro de Primeira Linha.

Opor-se à indicação do Presidente da República configura um ato de insubordinação para o demérito do funcionário público. Não saber discernir entre atribuições técnicas e políticas desmerece a sua habilidade de seguir ordens. Da mesma forma que um funcionário de empresa tem que ‘vestir-a-camisa’ da empresa independentemente de quem é o CEO, o diplomata do Itamaraty tem que trabalhar em equipe sob a batuta dos Embaixadores de plantão e não comprometer a imagem da corporação.

A opção é se demitir. É o que se espera daqueles que outrora foram dignificados e que, pelas declarações que têm declinado, denotam, egoisticamente, que  não têm mais nada a perder. A ingratidão para com a corporação que lhe ensejou as honrarias é prova de desmerecimento.

O presidente Trump empossou, em dois anos e meio, 212 novos Embaixadores pinçados na sociedade civil e não se ouviu qualquer comentário desabonador da sua conduta. Foi entendido naquele país e no mundo como uma corriqueira decisão-de-ofício do mandatário no cumprimento de suas atribuições.

Aqui, como lá, o presidente Jair Bolsonaro tem o direito de escolher seus ajudantes para atender a obrigação de levar a cabo a sua missão. Foi escolhido pela maioria da população brasileira para realizar as reformas estruturais para destravar os impasses que têm impedido o desenvolvimento do Brasil. Se não conseguir, pagará o preço do fracasso. Por isso tem o direito de tentar. Os desafios para descortinar um futuro para o Brasil são enormes. Errados são os que lhe criam ainda mais problemas.

A opção do Bolsonaro em colocar o “Brasil Acima de Tudo”, a exemplo do Trump que está comprometido com a linha do “America First”, implica tomar decisões patrióticas. “Brasil Acima de Tudo” não quer dizer superávit comercial ou equilíbrio fiscal acima de tudo. Quer dizer decidir com estratégia para ensejar nosso desenvolvimento sustentado, que é o tema que abordaremos no próximo capítulo.

Aqui vamos nos limitar em augurar que relações estreitas com o país mais poderoso do mundo nos propicie sua cooperação nesta nova fase de relações internacionais em que os antigos Blocos Comerciais estão dando lugar a parcerias privilegiadas e que a substituição do modelo da globalização, que rasgou o nosso tecido industrial, dê lugar a favorecimentos políticos que contemplem as nossas cadeias produtivas mais caras, como foi o caso sintomático do episódio da tributação seletiva do aço e do alumínio importados pelos Estados Unidos.

As relações pessoais dos dois mandatários, Trump e Bolsonaro, abrem uma janela invejável de oportunidade.  Criar dificuldades ao novo Embaixador Eduardo Bolsonaro é o mesmo que dar um tiro-no-pé. É um desserviço antipatriótico.

Do meu lado, vou torcer para que seus méritos lhe confiram as insígnias de Barão! Pelo futuro do Brasil!

Próximo Capítulo da Série “O Brasil tem Futuro?” – Capítulo V: “Comércio Exterior Patriótico”

Fabio Chazyn, empresário, engenheiro, cientista político, mestre em história econômica e escultor. Autor do livro: “Consumo Já!” – Por um Novo Itamaraty.

7 comentários:

Anônimo disse...

Desonestidade intelectual sua dizer que a imprensa americana não criticou amplamente diversas indicações de Trump para diversos cargos, principalmente entre os familiares de Trump e pessoas próximas a ele. . Para quem lê em inglês comumente se vê em grandes jornais como Nytimes, Washington Post, Guardian, Independent que os Trumps são despreparados, ridículos até, e muitas vezes agem em favor de suas agendas pessoais, celebrando acordos que beneficiarão seus próprios negócios. Não desinforme o leitor tão descaradamente. O paralelo com os Trumps na realidade põe o clã dos Bolsonaros como nepotistas, no mínimo. O pior é que sejam despreparados, no caso do Eduardo Bolsonaro fica ainda mais acintoso por ele ser mais um boçal que saiu da Barra da Tijuca com péssimo inglês e, achando ser representante do Brasil, vai para os Eua bater continência e adular aqueles que ele considera seus superiores em Washington.

Anônimo disse...

Desonestidade intelectual sua dizer que a imprensa americana não criticou amplamente diversas indicações de Trump para diversos cargos, principalmente entre os familiares de Trump e pessoas próximas a ele. . Para quem lê em inglês comumente se vê em grandes jornais como Nytimes, Washington Post, Guardian, Independent que os Trumps são despreparados, ridículos até, e muitas vezes agem em favor de suas agendas pessoais, celebrando acordos que beneficiarão seus próprios negócios. Não desinforme o leitor tão descaradamente. O paralelo com os Trumps na realidade põe o clã dos Bolsonaros como nepotistas, no mínimo. O pior é que sejam despreparados, no caso do Eduardo Bolsonaro fica ainda mais acintoso por ele ser mais um boçal que saiu da Barra da Tijuca com péssimo inglês e, achando ser representante do Brasil, vai para os Eua bater continência e adular aqueles que ele considera seus superiores em Washington.

Anônimo disse...

Ao Anônimo das...10:18 PM
Tem gente que não olha o próprio rabo.
O "cara" (o amante do) fala em desonestidade intelectual no mesmo paragrafo em que cita como grandes jornais os únicos responsáveis pela camuflagem da verdade. Só faltou a CNN do amigo (dos amigos?) do Cara. PS: E olhe como os USA evoluíram com apenas um canal (Fox News) que presta, pena que no Brasil não tem nenhum.

Anônimo disse...

Parabéns pelo artigo, Fábio Chazyn, deste uma aula de história sobre a diplomacia brasileira relembrando o inesquecível Barão de Rio Branco e seus intermináveis cigarros de palha. Parabéns também ao anônimo 10:32 que em uma missão impossível tentou iluminar as trevas!
Ao anônimo (mais comuno-petralha devoto!) das 10:18 PM e as 10:19 PM, meus mais sinceros e respeitosos sentimentos pela enlutada e inconsolável viuvez de seus saudosos " Barões do Rio Branco" Celso Amorim, na intimidade tratado carinhosamente como "anão diplomático" e Marco Aurélio Garcia, o inesquecível e aclamado pela imprensa como o "boca-de-latrina", ícones da maior roubalheira com propinas a que o Brasil já foi submetido em suas relações internacionais disfarçadas de "financiamentos do BNDES" e "mais médicos", na realidade um "mais escravos"!
Para concluir, por estas e muito mais que ainda virá, quem tem moral mais suja do que pau de galinheiro e culpa no cartório desde A até Z como tem o nobre comuno-petralha, abstenha-se de dar parecer, pois:
O LULA ESTÁ PRESO, BABACA!!!!

Anônimo disse...

Anônimos das 10.32 e 2.34, qual o problema de vocês ? Nada do que disseram diz respeito ao que eu disse.

Sugiro humildemente que releiam o que escrevi, pois nada do que vocés responderam desfaz a desonestidade intelectual do artigo acima. Como vocês me parecem ser maníacos obsessivos autotreinados para achar PT/Lula/Comunismo nas entrelinhas de qualquer texto ou fala, não sei se explicar pode ser útil à mente teleguiada de vocês, mas vou dar o benefício da dúvida e tentar:

1) Não fiz qualquer menção a nenhum regime político ou ideológico.

2) Meu comentário só se referiu aos Trumps a aos Bolsonaros enquanto chefes de famílias que estão no poder/política, da mesma forma que cidadãos menos notórios que eles ocupam posições de deputados, ministros, secretários, senadores e farreiam com nomeações de familiares ou indivíduos de índole duvidosa para cargos de confiança.

3) É sim desonesto dizer que a imprensa americana aceitou docilmente as práticas nepotistas do Trump, para não dizer da falta de critério técnico em suas escolhas. Trump é amplamente ridicularizado. Isso não é qualquer novidade.

4) É sim desonesto o autor ao contar uma história gloriosa da diplomacia brasileira no século XIX aproximá-la da ocasião atual em que um presidente bufão e boçal aponta o próprio filho para o cargo máximo da nossa diplomacia nos EUA com base em uma amizade com os filhos do Trump (quase um chegado), experiência de trabalho no país em questão (fritando hambúrgueres no passado) e fluência no inglês (adquirida fritando hambúrgueres no passado e comprovada atualmente se constragendo publicamente ao falar o referido idioma).

5) Ainda sobre o ítem acima, o que tem a ver a história do Barão do Rio Branco, proveniente de uma família de consolidada carreira pública e grande preparo intelectual, com a história de Eduardo Bolsonaro, proveniente de uma família de carreiristas políticos chegados em bravatas e de inteligência diminuta ? Apenas o fato de terem sido indicados pelo pai? Se for isso, tragam o Aécio Neves para o holofote novamente, já que ele possui melhor retórica e seu nome já suscitou suspiros entre os muitos fascinados de hoje pelo clã dos Bolsonaros.

(CONTINUA...)

Anônimo disse...

6) Além disso, o título é bem duvidoso (esquisito até): "Barão Eduardo Bolsonaro"? Será que analogia é um ato falho por conta do desejo de volta ao 'bom e velho' Brasil, com os títulos de nobreza e domínio de terras definindo os senhores, a gentalha e os escravos? Quem sabe. Já que o Eduardo terá a tarefa de vender o Brasil aos americanos, pode ser que nas escrituras tenha algum tipo de domínio ou royalty para ele - prata, ouro, madeira, soja, água, logística de produção e transporte da coca, reeleição etc. Experiência para tanto ele tem, da ampla convivência com milicianos - certamente experiência maior do que com a chapa de fritar hambúrguer.

7) Vejam bem, não há nada de errado em fritar hambúrguer. Porém, não necessariamente lhe dá um atributo especial ou histórico relevante para o bom desempenho da função de Embaixador. Aliás, uma curiosidade: como ele poderia atualizar a própria pérola "Basta um soldado e um cabo para fechar o STF" para o caso do Itamaraty quando ele vier a envergonhar internacionalmente a instituição?

8) É desonesto (ou vasta ignorância) o comentário do Anônimo das 10.32 ao dizer que os mencionados "grandes jornais os únicos responsáveis pela camuflagem da verdade", pois eles são muitos. Perante a imprensa mundial, Bolsonaro hoje talvez tenha menos crédito do que teve o Kadafi, um militar que se empossou como ditador e também era sádico, possivelmente um sociopata. Dentro dessa leitura, a revista The Economist se juntou a eles recentemente, chamando a atenção para a ameaça que o "presidente aprendiz" vem se tornando para o Brasil e o mundo. Será que todos eles estão alinhados em um complô internacional contra o nosso messias?

9) Se eu fosse militante, e, principalmente, fosse muito burro, ofereceria um texto bonito de nosso passado 'glorioso', e faria um paralelo com a história do homem que está preso, injustiçado, e por isso potencialmente um herói, um mártir, um líder histórico a ser celebrado eternamente em nossa história. Seria tão honesto quanto esse texto dos "Barões". Seria tão recomendável quanto fazer cocô dia sim, dia não.

10) Pelo bem do Brasil, sejam patriotas, mas não sejam burros !

Fico na esperança de ter sido didático. Este site não é ruim, só é chegado a um fanatismo que já é uma vergonha nacional ainda não totalmente detectada.

Boa semana a todos.

Anônimo disse...

"Fritar hamburguers" significa ter imergido na cultura norte-americana, o que será de grande valia para o intercâmbio de visões de mundo necessário ao diálogo diplomático.
Na atual quadra brasileira, o alegado fanatismo é contraponto ao isentismo suicida em relação à esquerda que nos trouxe a esta situação-limite.