domingo, 11 de agosto de 2019

O Brasil tem futuro? - 6


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Fábio Chazyn

Capitulo VI: “Sartre versus Einstein?”

“Mudar para continuar o mesmo” (Sartre). “Sem mudar, o resultado é sempre o mesmo” (Einstein).

Com qual das frases vamos ficar?

Com primeira frase, Jean-Paul Sartre estava procurando justificar seu afastamento do partido comunista francês. Achava que a busca da liberdade tinha que passar pela relativização no pensamento. Ou seja, como a realidade se transforma, então nosso pensamento também tem que mudar para podermos continuar ‘existindo’ com liberdade. Do contrário viramos presidiários de nós mesmos...

Já Albert Einstein, o pai da relatividade no mundo físico, aparentemente chegava à conclusão contrária. Só aparentemente! Se disse que “louco é aquele que, fazendo sempre a mesma coisa, fica esperando um resultado diferente”, foi querendo dizer que “o mundo que criamos é o produto do nosso pensamento e, portanto, não pode mudar a menos que mudemos a nossa maneira de pensar”.

Sartre e Einstein estavam no mesmo diapasão! Os dois disseram, por caminhos diferentes, que precisamos deixar para trás o que somos para podermos ser o que seremos. A idéia da democracia passa por aí. Ou, no futuro, o Brasil não será um país democrático!

Se é assim, então estamos no mau caminho. Basta entabular qualquer, repito, qualquer assunto com as pessoas no dia-a-dia e logo quase sai porrada...
Quem não vê que a sociedade está irritadamente dividida, “pensando” que está polarizada?

É uma primeira impressão, digo, sensação. Na verdade estamos todos no mesmo diapasão: todos estamos fartos de sentir que o Brasil não tem futuro...
É natural que eleições polarizadas tenham plantado sementes diferentes. Agora estamos colhendo os frutos da discórdia: todo mundo contra todo mundo, para prejuízo de todos.

No fundo o que está acontecendo é a síndrome do torcedor. As pessoas estão se confrontando como se estivessem num fla x flu. O que acreditam ser um confronto de ideologias, não é mais do que óticas aparentemente opostas de ver a História: há os que olham um futuro hipotético, enquanto outros preferem ver o passado fático. No final as duas posturas não são excludentes.

Aliás, são complementares. O passado serve para saber que rota evitar, enquanto sem ter rumo definido não aportaremos no Futuro.

De fato, estamos navegando todos no mesmo barco. Temos que cooperar para evitar motins ou acidentes de percurso. Temos que mudar comportamentos para continuar navegantes. Se nos orgulhamos de sermos democráticos, então temos que mudar para continuar sendo democráticos.

Precisamos de todos remando na mesma direção para discutir e realizar o “Projeto Estratégico de Nação” que nos levará ao porto seguro.
Vale a pena querer o fracasso do Bolsonaro e ajudar a tempestade a botar o barco a pique?

Estamos retornando à fase infantil do “adoro ou detesto”, do “tudo ou nada” e, inconsequentemente, renunciando aos benefícios da relativização que os sábios tentaram nos ensinar?

Será que vamos ter que sofrer para acordar a nossa autocrítica? Talvez sim, pois está parecendo que cidadania no nosso País ainda está em fase embrionária e ainda não nasceu. Se não mudarmos, o parto não vai ser natural...

Seja como for, contanto que ela nasça, terá valido a pena.

Pelo bem do futuro do Brasil!

Próximo Capítulo da Série “O Brasil tem Futuro?” – Cap. VII: “Por uma Ordem Jurídica Justa”

Fabio Chazyn, empresário, engenheiro, cientista político, mestre em história econômica pela London School of Economics e escultor. Autor do livro: “Consumo Já!” – Por um Novo Itamaraty (2019)
fchazyn@chazyn.com

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