quarta-feira, 14 de agosto de 2019

O Brasil tem futuro? - 8


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Fábio Chazyn

Capitulo VIII: “O Dever do Novo Embaixador do Brasil em Washington-DC”

As maiores potências do Mundo estão em guerra? Então o Mundo está em guerra!

Como o Brasil, um país com a 6ª maior população, com as maiores reservas minerais e o maior potencial agrícola, portanto detentor de alguns dos maiores mercados do Mundo, pode ver a disputa de mercados entre os dois principais países sem tomar uma atitude?

Será que o Brasil é terra-de-ninguém esperando passivamente que um estrangeiro venha tomar posse dela? Ou é formado de patriotas dispostos a defendê-la e a defender os valores que lhes são caros?

Se a questão que se coloca é se o Brasil tem futuro, então é o caso de acreditar que o futuro chegou e que é hora de defendê-lo.

O Brasil também está em guerra!

Quando se trata de conflitos que decidirão quem serão os conquistadores e os conquistados, dominadores e subjugados, como neste embate econômico travado entre os Estados Unidos e a China, envolvendo diretamente os nossos interesses, então não temos alternativa senão defendê-los.

A Pátria nos convoca para irmos lutar no front!

No passado recente, para não irmos muito longe com igual exemplo, os nossos “Pracinhas” foram às terras longínquas defender os valores da liberdade e voltaram com as honras que celebramos até hoje. As honras da luta e as da vitória!

A hora da luta chegou novamente. Se as honras da vitória do Brasil dependem da nossa “raça”, “verás que um filho teu não foge à luta, nem teme, quem te adora, a própria morte”.

O front da atual guerra é a diplomacia. Nossa tática passa pela sabedoria do bater, alternativamente, “no cravo e na ferradura para não assustar o cavalo”.

O governo Bolsonaro já deu as primeiras batidas. Marcou presença dentro das fronteiras dos dois beligerantes.

O General Mourão se encarregou de apoiar o projeto “BRI - Belt & Road Initiative”, que é a estratégia chinesa de marcar um enorme território econômico autônomo e protegido das represálias americanas pela cooptação de 80% dos países do mundo através da construção de um cinto de infraestruturas, a Nova Rota da Seda.

Na luta no front americano, Bolsonaro bateu ainda mais forte. Está determinado a fincar bandeira na capital americana colocando lá seu filho Eduardo que, apesar de não ser General, vai ter que vencer batalhas num território que é hostil por natureza dado o caráter nacionalista que Donald Trump imprimiu na sua gestão.

Para Trump, dominar o cyber-espaço não é só uma questão de honra. É “Estratégia de Segurança Nacional”, como tem insistido sem disfarçar. Não esconde que se não segurar a Huawei e sua nova geração de equipamentos acoplados na tecnologia 5G, a hegemonia do sistema Android da Google ficará em perigo. Alguns vão ainda mais longe e temem também pelo futuro do Facebook, Microsoft, Apple, IBM, Amazon, da mesma forma como foi sucateado o IBM 360 que foi a base da linha Univac, também superada no tempo apesar da façanha de levar o homem à Lua... 

Um país como o Brasil, representando a quarta “frota” mundial de celulares, perdendo somente para a China, a Índia e os Estados Unidos, tem a ‘autoridade comercialmente moral’ para ser um ‘player’. E mais, considerando que as instituições multilaterais, como o Banco Mundial, FMI, WTO, ficaram combalidas pela investidura Trumpista, o novo embaixador do Brasil nos Estados Unidos tem o dever de explorar a oportunidade política aberta com o recuo daquelas instituições.

Atuando em tandem com outras embaixadas brasileiras em países estratégicos, o sucesso da missão do Eduardo Bolsonaro poderia ser potencializado se seguisse o exemplo da China e sua tática de cooptação e avanço. A estratégia chinesa está centrada na construção de alianças estratégicas com algumas nações para conseguir avançar na cooptação de outras terceiras e concluir a construção do cinto de influência do BRI.

No nosso caso, a ‘grande estratégia’ seria a formação de uma ‘cidadela diplomática’ com as nossas embaixadas alinhadas e articuladas para blindar o Embaixador Eduardo no seu avanço sobre novos ‘territórios’.

A hora da conquista é agora. A vitória dos nossos compatriotas no front é a nossa vitória.

Viva o novo Embaixador do Brasil em Washington-DC! Viva o Brasil!

Próximo Capítulo da Série “O Brasil tem Futuro?” – Cap. IX: “O que é Futuro?”- Parte I

Fabio Chazyn, empresário, engenheiro, cientista político, mestre em história econômica pela London School of Economics e escultor. Autor do livro: “Consumo Já!” – Por um Novo Itamaraty (2019)
fchazyn@chazyn.com

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