segunda-feira, 2 de setembro de 2019

A Grande Escapada de Bendine



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

Dias atrás, assistimos boquiabertos o último número de ilusionismo do STF.

Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás condenado a 11 anos de detenção por corrupção passiva pelo então Juiz Sergio Moro, escapa magistralmente da punição, graças a três ilusionistas da segunda turma do STF.
Foi-me impossível não lembrar de Harry Houdine, escapista e ilusionista, mestre das fugas impossíveis.

No início do século XX, o ilusionista húngaro mostrou ao mundo atônito, não haver algemas, cadeados ou correntes que pudessem prendê-lo dentro de sacos, caixões e até celas. Reza a lenda que ele engolia as chaves das algemas ou cadeados que o prendiam antes do show, e as regurgitava quando estava dentro da embalagem que o detinha.

Gilmar Mendes, Carmem Lúcia e Lewandowski, como as três bruxas de Macbeth, cumpriram a previsão dos que não acreditaram nunca em justiça provinda de tal tribunal.

E como Houdine, em um momento longe dos olhares de curiosos, regurgitaram a chave mágica para soltar os amigos,“vítimas” da lava jato,  com uma regra sobre a ordem da manifestação dos réus na fase final do processo.

Alguma excrescência do raciocínio matemático como: a ordem dos fatores altera sim, o produto.

Pronto, o precedente está aberto.

O truque dentro do truque, Houdini teria ficado estupefato com a maestria dos três.

O “muar de São Bernardo” já requereu à justiça para ser beneficiado pela mesma decisão, pedido parcialmente (parcialmente, o que significa isso?) aceito por Edson Fachin (a quarta bruxa, a que não estava na história e que serviria para ser a que desvia a atenção dos verdadeiros objetivos das outras três).
Atento a seu papel na ilusão, esse último envia ao plenário um despacho, pedindo que a questão seja analisada pelo Supremo, para que não restem dúvidas sobre  a segurança jurídica e a estabilidade da jurisprudência do tribunal.

Não percebeu ainda que “o me engana que eu gosto acabou, ô inocente”!

O povo nas ruas é a prova disso.

Não ousem seguir com seus planos, estamos atentos. 

Nós e a onça, e ela aparenta estar faminta.

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

Um comentário:

nandoathayde disse...

sem tirar, nem pôr ponto final