quarta-feira, 18 de setembro de 2019

A maior verdade na declaração de Carlos Bolsonaro seria ele próprio?



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Em todos os tempos da distorcida política brasileira nenhuma declaração jamais causou tanta confusão, desconforto e embaraço, no meio político, e também na própria  grande mídia, quanto a polêmica declaração do vereador carioca  Carlos Bolsonaro, no sentido de que “por vias democráticas, a transformação que o Brasil quer não acontecerá com a velocidade que almejamos”.

Tudo indica que o citado vereador não  seria dotado da  capacitação intelectual  que seria necessária para compreender  a profundidade e a veracidade  da sua própria  declaração, que ao que mais parece  teria lhe  “escapado” pela boca, talvez inadvertidamente , sem refletir o suficiente antes, dentro do único objetivo de se promover e causar impacto, como “bom” político, sempre com uma “latinha” da imprensa à sua mercê, na busca de maior espaço, como sói acontecer com a imensa maioria dos políticos demagogos que grassam no país inteiro.                                                                                                                                                            

Nessa polêmica declaração, que tanto  “deu pano  para mangas,” e alvoroço causou nas “hostes” políticas, mais parece que o principal órgão “pensante” de Carlos Bolsonaro teria sido a sua “língua”, mais que  o cérebro. Apesar de tudo, sua “língua” não deixou de pensar e falar  uma grande verdade.

Mas “apesar dos pesares”, Carlos ainda foi demasiadamente otimista na sua declaração, relativamente  à  (pseudo) democracia praticada no Brasil, no sentido de que  o seu alcance  seria “certo”, porém  condicionada a sua realização a uma  menor  “velocidade” do que deveria. Carlos não declarou que a democracia “que almejamos” não chegaria nunca, somente “retardaria”.                                                             

Apesar de tudo, a sua “fala” está perfeitamente sintonizada  com a maioria dos “entendidos” em democracia, que sempre “acham” que tem que ser assim mesmo, que a democracia é “demorada”, ”lenta”. Porém tudo não passa de desculpa “esfarrapada”.  O que esses pilantras da política na verdade fazem  é jogar contra o tempo, acenando sempre com uma democracia “maravilhosa”, mas “lá na frente”, onde os atores já serão outros, não eles próprios. E assim vai se levando  um Brasil que em relação ao alcance das potencialidades do seu povo, não tem ”passado”, nem  “presente”, somente uma “promessa” de futuro.

E as gerações vão se sucedendo. E nada muda. O prometido “amanhã” nunca chega. Os brasileiros  se alimentam somente  de promessas. São “vítimas” dos políticos.

Não existe maior prova que a “democracia” brasileira não passa de lixo do que a simples análise dos seus resultados durante toda a sua existência, onde ela  já nasceu “torta”, viciada, após a Proclamação da República, em 1891, chegando a um desvio tão profundo que hoje o mando da política fica concentrado exclusivamente nas mãos da pior escória da sociedade, levada a fazer política por um povo absolutamente incapacitado de indicar e escolher os seus  melhores representantes, ficando nas mãos da “ditadura” dos partidos políticos, e que é “elevado”  exclusivamente  pelos  políticos beneficiários dos seus votos “trouxas”, e que são, ”coincidentemente”, os únicos que elogiam sem reservas essa democracia degenerada que se pratica.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

Por isso Carlos Bolsonaro fez o mesmo que dar um chute nos “culhões” desses  patifes que se beneficiam dessa democracia  política malformada, apesar de ser  também um dos “atingidos” por esse chute que ele mesmo deu. E essa democracia degenerada,corrompida,malformada, deturpada, que gerou quase todos esses políticos  beneficiários, foi denominada por Políbio, historiador e geógrafo da Antiga Grécia, de OCLOCRACIA, à sombra da qual o Brasil seguirá vivendo enquanto não praticar a verdadeira democracia.

Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

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