quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Acertos e erros da declaração de Carlos Bolsonaro



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

A polêmica declaração do  vereador carioca,  Carlos Bolsonaro, que quase fez cair “meio mundo” sobre ele,  de que “por vias democráticas, a transformação que o Brasil quer não acontecerá com a velocidade que almejamos”, e que causou  críticas ou constrangimentos de  todos os lados, especialmente dos   políticos, ESTÁ ABSOLUTAMENTE CORRETA, pela sua  CONCLUSÃO. Mas, por outro lado, está  parcialmente errada pelas PREMISSAS que ele utilizou para concluir  o seu raciocínio.                                                                      

Dentre a “multidão” de críticos, que não perdoaram o vereador, despontam os Presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, da Câmara, Rodrigo Maia, bem como  o próprio  Vice-Presidente da República, General Hamilton Mourão.
                                                                                                                Portanto, o declarante recebeu “chumbo grosso” de todos os lados. E foi só por ele  ter falado a verdade. E essa verdade se tornou absolutamente intolerável e muito “inconveniente”  para muita gente, que bem sabe que o Brasil não vive numa autêntica democracia, e que  jamais viveu, mas tentam esconder essa realidade em proveito próprio, até como forma de “sobrevivência” política, ou ignoram totalmente o  que seja uma autêntica democracia “pensando”  que  vivem nela... e “dela” !!!

E falar a verdade  muitas vezes é considerado  “crime”. Isso  ocorreu, por exemplo, na Grécia Antiga - como hoje   também está  acontecendo no Brasil – durante o  apogeu da “Escola Sofista”, de Górgias e Protágoras. Falar a verdade  na Antiga Grécia Sofista era crime muito mais grave que matar, roubar e estuprar. E foi nessa sociedade, moralmente decadente, que surgiu o filósofo  Sócrates, disposto a combater os sofistas, não abdicando de falar a verdade. E por isso não o perdoaram. Foi preso e condenado à morte, bebendo “cicuta”.

Mas o primeiro erro  de Carlos Bolsonaro está em que com essa “democracia” da qual ele fala o Brasil não só não terá uma transformação “na velocidade que almejamos ”, como, mais que isso, não terá qualquer transformação, no sentido positivo, do desenvolvimento moral, político, social e econômico, carcomido  que está pela inversão de valores e pela corrupção sem limites na política, que teve o seu apogeu com a ESQUERDA  GOVERNANDO, no meio de  uma democracia degenerada que “suga” quase todas as energias  e riquezas produzidas pelos trabalhadores e empresários brasileiros.

O segundo erro, mais grave ainda, e que causou enorme  desconforto  na maioria dos políticos, e na própria mídia, é que no Brasil não se pratica, nem nunca se praticou, nenhuma democracia, ou seja, jamais existiu uma democracia verdadeira. Apesar dela estar prevista na Constituição e em todas as leis, nos livros escolares, em todos os “manuais”, e na mente e boca de quase todo o mundo, essa história do Brasil viver numa democracia é pura mentira. A “democracia” brasileira está só no papel, não na vida política do seu povo. Por isso a declaração de Carlos foi tão mal recebida. Na verdade, mesmo que  ele não pretendesse esse resultado, Carlos  acabou desmoralizando essa “coisa” que chamam “democracia”, causando todo esse alvoroço.

A propalada “democracia” com que os contumazes delinquentes da política enchem o peito para justificar a própria ascensão ao poder, na verdade não é, nunca foi,  e jamais será uma verdadeira democracia. Trata-se de uma democracia deturpada, degenerada, corrompida. Não é democracia.

Em “Política”, Aristóteles classificava as formas de governo em PURAS e IMPURAS. As “puras” seriam a MONARQUIA  (governo de um só), a ARISTOCRACIA  (governo dos melhores), e a DEMOCRACIA (governo do povo); as “impuras”, a TIRANIA, a OLIGARQUIA e a DEMAGOGIA, que seriam, respectivamente, corrupções das formas puras.                                                                                                      
Seguiu-se-lhe POLÍBIO (203 a.C-120 a.C), geógrafo e historiador grego, que substituiu a forma impura de governo chamada por Aristóteles de “demagogia”, pelo que  ele denominou  OCLOCRACIA , ampliando os vícios  da democracia degenerada (demagogia) preconizados por Aristóteles.

Segundo Políbio, a OCLOCRACIA seria uma “democracia” meramente formal, sem qualquer  “substância”, enganosa, praticando-a a massa carente de consciência política, ignorante, alienada, portanto presa fácil dos trapaceiros da política.

Mas falar mal dessa “democracia”, como Carlos falou, se tornou um “crime”, algo absolutamente inconcebível, um “pecado mortal”. Nenhum  político desonesto beneficiado por ela vai concordar ou gostar. As urnas, segundo esses  “patifes”, representariam a “vontade de Deus !!!

Finalizo, observando que essa interpretação das palavras do vereador Carlos Bolsonaro, que nem conheço, não significa de nenhuma forma qualquer juízo de valor sobre a sua pessoa, ou  a sua condição de político . Mas que essa  sua “declaração” foi muito oportuna, não resta qualquer dúvida. Os delinquentes políticos tiveram ataques “histéricos” e acabaram mostrando as “garrinhas”.

Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

4 comentários:

Anônimo disse...

Só sinto a Democracia aqui no Brasil no meu direito de ir e vir, o STF continua impondo sua vontade como deuses,os políticos não estão respeitando a vontade manifestada pelo povo,no Senado, tentam enterrar a CPI da Lava Toga. Esses políticos se esqueceram de quem os elegeu como é o caso do Frota que não está preocupado com isso! Isso é Democracia?

Anônimo disse...

Eu costumo dizer a mesma coisa mas de forma diferente: "O BRASIL parece calhambeque, só anda no tranco".

Anônimo disse...

Eu costumo dizer a mesma coisa mas de forma diferente: "O BRASIL parece calhambeque, só anda no tranco".

Anônimo disse...

20 Note bem: Deus não rejeita o homem íntegro, nem faz aliança com malfeitores. 21 Ele encherá de novo sua boca de sorrisos e seus lábios com gritos de alegria. 22 Seus inimigos ficarão cobertos de vergonha, e a tenda dos injustos desaparecerá».
http://www.paulus.com.br/biblia-pastoral/_PES.HTM