sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Independência e Patriotismo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

No dia 7 de setembro de 2019 comemoramos 197 anos do grito da independência lançado em 1822, em tese, representando a libertação do regime colonialista português, para que sob o regime imperial viéssemos a ter ocupando o trono Dom Pedro I.

O primeiro país a reconhecer essa situação foram os Estados Unidos da América, talvez por causa disso o Brasil também teve o nome de Estados Unidos do Brasil (na Proclamação da República). Somente 03 anos depois, em 1825, foi que Portugal, que manteve o Brasil praticamente no regime escravocrata por mais de três séculos, também prestigiou a independência.

Existe correlação entre independência e patriotismo nos tempos modernos e, em razão desse retrocesso, a nossa incipiente democracia também naufragou em função da metodologia que cercou o regime colonizador?

Apesar de todas as críticas feitas ao atual regime governamental, consagrou-se um estado de maior preservação de valores ético e moral, deixando de lado o sucateamento da máquina pública, aversão ao risco e drástica redução da corrupção.

É verdade, deve ser dito, no mesmo tom do grito do Ipiranga, que a República Federativa do Brasil ainda não tem do que se ufanar em razão da grave situação social de 13 milhões de desempregados, sistema de distribuição de renda, subemprego e por aí vai afora nossa pouca credibilidade no exterior, além de dados estatísticos relativos às queimadas na Amazônia, e um sistema burocrático que aplaude a impunidade pelo garantismo e não melhora e aperfeiçoa o serviço público de uma forma geral.

Muitas reformas virão pela frente, porém, o termo independência hoje não está ligado ao conceito de governo ou de regime, mas sim à globalização.

Nações distantes dos mercados globais e das riquezas mundiais não conseguiram, a exemplo do continente africano, progredir, aumentando substancialmente o número de refugiados na Europa e também nos Estados Unidos.

O grito dado há 187 anos, portanto há quase dois séculos, ainda ecoa forte e firme nos mais de 200 milhões de brasileiros, os quais, na sua maioria, apresentam graves contrastes sociais, regionais, de crescimento e desenvolvimento.

Desalgemados de Portugal, desde então atravessamos mares bravios, ficamos atolados em dívidas externas do FMI e, depois de pagas, caímos na mesmice de uma impagável dívida fiscal de quase três trilhões de reais, rolada diariamente pelos spreads bancários.

Dado o grito de independência ou morte, a violência do país e as condições econômicas de milhões de brasileiros endividados, esses ingredientes estão a sinalizar pouca ou quase nenhuma independência econômico-financeira, com o grito alarmante de morte dos desvalidos e excluídos.

A comemoração, portanto, é mais festiva do que correspondente ao estado geral do brasileiro, e os países vizinhos também apresentam distúrbios sociais, a exemplo da Venezuela e da vizinha Argentina, o que conduz ao mapa de miséria e fome incrementado pela predatória globalização, cujo mercado brasileiro ainda é insipiente em termos de tecnologia e produtos de ponta para competir no exterior, mas 7 de setembro deixa na consciência de todos os brasileiros o grito de liberdade das amarras do passado das circunstâncias do presente para projetar um futuro à altura da grandeza do país.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo e autores de diversos livros jurídicos.

5 comentários:

Anônimo disse...

Dados estatísticos dependem de interpretação, e as queimadas são benéficas ao solo.

Ramiro Diego Staudinger disse...

197 anos de independência.

Ramiro Diego Staudinger disse...

197 anos de independência.

Anônimo disse...

Ôps! Alguém andou matando aulas de matemática! 2019 - 1822 = 197.

Anônimo disse...

Ao anônimo das 4:59 PM

Eu nem leio os textos (antes de ler os comentários). PONTO. Eles são funcionários públicos. PONTO. Eles interpretam as leis, do jeito que melhor lhes convier (inclusive as leis da física e da matemática).