domingo, 29 de setembro de 2019

Observações sobre um jogo de futebol no Maracanã

Maracanã de outrora

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Tasso Vasquez de Aquino

Por convite do meu filho mais novo (51 anos), que nos visita vindo de Brasília, fui ontem, 26 de setembro, ao jogo Fluminense x Santos, no Estádio do Maracanã. Somos ambos botafoguenses, mas acompanhava-nos meu cunhado, torcedor do clube praiano, porque nascido na bela cidade do litoral paulista, o que nos levou a ficar no meio da torcida visitante, também alvinegra, diminuta, minoritária entre os cerca de onze mil presentes, mas muito animada e barulhenta na animação do seu clube do coração. Havia muitas senhoras, moças e até mesmo crianças no público.
Gostaria que as reflexões que se seguem pudessem surtir algum efeito, por chegar ao conhecimento do Ministro da Educação, do Governador e do Prefeito do Rio de Janeiro e de outras autoridades com responsabilidade e ingerência nos assuntos focalizados.
Minha grande decepção foi logo de início, por ocasião da execução do Hino Nacional. A imensa maioria dos presentes manteve-se sentada ou escarrapachada nas cadeiras, conversando, chapéus na cabeça, totalmente alheia ao respeito devido ao Símbolo Nacional!
A deseducação cívica e social da nossa população clama por medidas urgentes e generalizadas, para remediar tão dolorosa situação. Lembro-me da eficácia, há alguns (muitos) anos, nas décadas de 1960, 1970, quando meus filhos eram crianças, das campanhas como a do “Sujismundo”, veiculadas pelos meios de comunicação, por auspício do governo federal. Ninguém, por exemplo, queria ser assemelhado ao personagem porcalhão, que sujava todos os ambientes em que se encontrasse! E assim, todos eram bem educados nas regras de higiene e no relacionamento com a casa, a escola, as ruas e demais logradouros públicos, desde a mais tenra infância!
Hoje, as pessoas, de quaisquer idades e níveis sociais, esqueceram-se, majoritariamente, das gentilezas devidas umas com as outras. Estão em completo desuso as palavras mágicas “por favor”, “com licença”, “desculpe”, obrigado”, bem como se revela prática comum a de homens sentarem-se à mesa, para as refeições, em restaurantes, com chapéus/bonés à cabeça, fato que observei, igualmente,  nas igrejas, em Missas, nas filas para a Comunhão!
No trânsito, a tônica é não ceder a vez, mesmo que com risco de provocar colisões. E nas estradas, nos dias ou momentos de grande tráfego, comuníssimo e recorrente é o fato de “espertos” e oportunistas andarem pelo acostamento. Em tudo e por tudo, a regra é “se dar bem”, “levar vantagem em tudo”, sempre às expensas dos direitos dos outros, das boas maneiras, do sadio convívio social e da característica básica da Democracia, segundo a qual a liberdade de cada um vai até onde começa a do semelhante!
Se não educarmos nosso povo nas coisas mais comezinhas, como o respeito a tudo que represente e configure a Pátria e o acatamento às normas de harmonia na vida em comum e no convívio com os concidadãos, corremos o risco de persistir no caminho da barbárie, como era a intenção planejada, programada e executada pelos governos anteriores, de inspiração ideológica extremada, e não atingiremos bons resultados em qualquer outro projeto de redenção nacional! Educação, fortalecimento da Expressão Psicossocial do Poder são, pois medidas fundamentais e imperativas e impostergáveis!
Quanto ao Estádio em si, foi a terceira vez em que lá estive, depois das caríssimas reformas pelas quais passou, com tanto desvio de dinheiro e corrupção comprovadamente ocorrentes, como, de resto, nas obras de todos os Estádios (arenas?) e instalações esportivas açodadamente construídas para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
O Maracanã perdeu a majestade inicial, de sua arquitetura original e de maior estádio do mundo, capaz de abrigar até 200 mil pessoas. Hoje, nada mais é que mais um dentre tantos mundo afora, com capacidade para pouco mais de 60 mil torcedores. E está gasto e mal cuidado, pelo menos aos meus olhos, acostumados com a impecável limpeza e arrumação dos navios e instalações terrestres da Marinha do Brasil e dos ambientes domésticos e sociais em que habito e pelos quais transito. As cadeiras, banheiros, fachada, corredores, rampas, calçadas estão a exigir conservação bastante mais apurada. E bom seria criar, nos frequentadores, o hábito japonês de cada um recolher, em recipientes plásticos para isso trazidos de casa, o próprio lixo, os restos de alimentos, plásticos, papéis... ao final de cada jogo/evento, e dar-lhes o destino devido nos camburões para isso a ser colocados nos lugares próprios, e não os atirar ao chão, a esmo, como agora!
Por fim, o comentário altamente elogioso à segurança e aos seus procedimentos e aos integrantes, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e da empresa particular contratada pela administração do Estádio.
Com firmeza e gentileza, as torcidas foram encaminhadas aos seus locais separados próprios, procedeu-se à inspeção prévia de cada espectador, para verificação e garantia de que não portava armas ou outros objetos perigosos, ocorreu eficaz vigilância durante todo o jogo e, ao final, a torcida visitante só foi liberada para deixar o estádio meia hora depois que o mesmo fizera a do Fluminense e embarcado no metrô e demais meios de transporte disponíveis. Do lado de fora, contingentes da PMRJ garantiram segurança e tranquilidade para o retorno de todos às suas casas. Desse modo, nenhum incidente foi verificado.
CONFORME O COSTUME MARINHEIRO, E COM MUITA SATISFAÇÃO E RECONHECIMENTO, ICEI  O SINAL BZ - Bravo Zulu (MANOBRA BEM EXECUTADA) NA ADRIÇA DE COMUNICAÇÕES PARA TODO O PESSOAL ENVOLVIDO NA SEGURANÇA!
(Rio de Janeiro, RJ, 27 de setembro de 2019).
Sérgio Tasso Vasquez de Aquino é Vice-Almirante, reformado.

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