quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Oh, Tempora! Oh, Mores!



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gaudêncio Torquato

Que maravilha! As últimas décadas produziram mais tecnologia para a Humanidade do que todo o resto do século. Assistimos a uma nova ordem de avanços: drones, clones, drogas milagrosas, pílula contra a impotência, controle da Aids, entre outros. Muitas variedades de câncer – o mal dos séculos XX e XXI – já podem ser dominadas. As conquistas disparam em todas as áreas, das comunicações aos transportes, da biogenética à informática, da medicina ortomolecular à tecnologia de alimentos. Alguns dos mais avançados apetrechos tecnológicos do mundo moderno fazem a festa, entre nós, a partir desse aparelhinho que, pelo WhatsApp, nos aproxima na aldeia global. Daqui a pouco conquistaremos a tecnologia 5G e uma nova era será aberta.
Que vergonha! Nos últimos anos, o mosquitinho da aedes aegypti tem minado as energias de milhões de brasileiros, infestando famílias com dengue, zika e chikungunya,  doenças do século passado, ao lado da febre amarela, da tuberculose, do tifo. Pasmem, agora, um surto de sarampo ameaça a população. Como explicar o paradoxo? A festa da tecnologia, que nos oferece a química salvadora de vida e apetrechos para o bem-estar das pessoas, e a ressurreição de doenças seculares, ceifando a vida de pessoas? Descaso, incompetência, falta de recursos, dinheiro mal aplicado, ausência de planejamento, inércia, politicagem? Tudo isso, e mais alguma coisa.
Esse mais se chama inércia moral que os governantes desenvolvem na vivência do poder. Enfrentando pressões, jogos de interesse, decisões complexas em todos os setores da vida econômica e política, os governantes acabam criando camadas que vão se superpondo e tornando dormentes seus instintos. Perdem o sentido de prioridade. Adquirem pele dura e impermeável. As grandes catástrofes já não os abalam. Mesmo eventos de impacto não disparam a adrenalina. Sua máquina psíquica entra em coma. A ebulição social não provoca quentura em suas pestanas. Até parece que só pensam na próxima eleição.
Só assim se explica o tiroteio diário do presidente Bolsonaro contra adversários, que considera comunistas, palavras ríspidas e até chulas contra protagonistas importantes da política internacional, contra a imprensa, que “só traz notícias negativas contra o governo”. E os puxões de orelha em assessores e ministros passaram a fazer parte da liturgia do poder. (Até quando Sérgio Moro suportará a fritura?)
O desemprego está acima dos 12 milhões de pessoas. Que olham desesperados para os horizontes da sobrevivência. Doenças dos tempos antigos voltam com força; a região amazônica é uma tocha gigantesca de incêndios e devastação; os tributos continuam nas alturas; a água do São Francisco, que deveria chegar aos fundões do Nordeste, deixa de correr por dutos mal conservados. Já o presidente da República, impassível, do alto do palanque, dispara verbos e adjetivos para animar seus simpatizantes e conservar 30% de seguidores que ainda lhe são fiéis. (Até quando?) A nona (ou décima?) economia do mundo não dá sinais de alento, e as margens periféricas catam centavos para garantir a sobrevivência. A extrema pobreza voltou com intensidade.
As casas congressuais até tentam votar uma agenda positiva e resgatar suas legítimas funções. Mas o Executivo não tem ajudado como deveria nessa direção. Parece desprezar a política. A união em torno de um projeto nacional não passa de uma utopia. Jair Bolsonaro insiste em querer nomear seu filho (o deputado Eduardo) embaixador nos Estados Unidos, nossa principal embaixada. A perplexidade vai às alturas.  Países da Europa, a partir da Alemanha e da França, olham de maneira atravessada para o Brasil.
E aqui por perto, no Chile, até a direita – que tem vergonha dos mortos pela ditadura de Pinochet – repudia as palavras repugnantes contra a alta comissária da ONU, a ex-presidente Michele Bachelet, e seu pai, proferidas pelo mandatário-mor do nosso país. Oh, Tempora, Oh Mores (ó tempos, ó costumes) bradava nas Catilinárias o tribuno Cícero no Senado Romano contra os vícios da política de seu tempo.  E por nossas plagas, até quando viveremos tempos tão vergonhosos?
Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato

3 comentários:

Mauro Moreira disse...

Esse melancia, tucano inveterado, chafurda na arrogância e no cinismo.
Certo que Bolsonaro está a dever em algumas promessas e exatamente por fazer alguns acordos nada republicanos, ao contrário do que prega o melancia, mas apelar para águas dos São Francisco, mosquitos da dengue, Michele Bachelet, que pouco sabe sobre a criminalidade no Brasil, que tem despencado, graças ao nosso ministro Sergio Moro, Amazônia ardendo em chamas, como se fosse um apocalipse florestal, o que não é verdade e está sendo explorado criminosamente pela imprensa canhota e partidos de extrema esquerda, no Brasil e no mundo. Professor da "CUSP",companheiro de Marilena Chauí e tantos outros canhotos que infestam essa universidade cujo orçamento, dilapidado, com mais de 100% usado para pagar os altos salários e mordomias de seus dirigentes e professores, que mais se dedicam em alienar seus alunos do que ensiná-los a ser verdadeiros cidadãos e técnicos competentes. Esse canhoto senhor deve estar magoado porque uma das acertadas decisões do Presidente e de seu Ministro da Educação foi reduzir as verbas dos cursos de humanas, onde o Torquato é catedrático, verdadeiras inutilidades diante da necessidade de técnicos do país, para investir nos cursos de exatas. De repente, todas as mazelas de anos em nosso país, são culpa de Bolsonaro e sua equipe. Ele se esquece da compra do segundo mandato praticada por seu ídolo, FHC, que também foi professor da CUSP, se esquece da privataria tucana de FHC - "Estamos no limite da irresponsabilidade, disse Ricardo Sergio", lembram-se? Todas as respostas de Bolsonaro a Macron e Bachelet fazem sentido, fomos ofendidos em nossa dignidade. Bachelet não olha para a Venezuela, para a Nicarágua, para Cuba, e se o faz, o faz de maneira branda, sem o rigor que essas ditaduras exigem. Macron, envolto em crise sem fim em seu governo, faz média com seus agricultores,que morrem de medo de nosso pujante agronegócio. Não consegue as manifestações contra seu governo, está desesperado. Não cuida do Suriname, onde o garimpo está dizimando a floresta. Que vergonha, Torquato! É assim que você dá suas aulas, alienando seus alunos, canhoto?

Cesar disse...

Não vou nem perder meu tempo com muitas palavras... Professor da USP "sentando o pau" no presidente que não é de esquerda? Nada surpreendente... Agora, falar em mais de 12 milhões de desempregados? E é culpa do Bolsonaro??? Esses milhões de desempregados são culpa do PT! Dos governos petistas! Bolsonaro não pode fazer milagre, mas, está diminuindo o desemprego... Vai levar tempo para consertar os estragos do PT... E dizer que Bolsonaro só tem 30% de apoiadores é mais uma grande mentira! Se contarmos os que acham seu governo ótimo, bom ou regular, portanto os que ainda o apóiam, dá bem mais de 30%. Os que acham seu governo ruim ou péssimo são minoria, são os mesmos de sempre... Mas o professor da USP queria que no segundo turno da eleição passada escolhessemos o agora condenado Haddad??? Eu votaria novamente no ficha-limpa Bolsonaro! E creio que, mesmo com todos os ataques de uma extrema-esquerda, de uma extrema-imprensa, Bolsonaro chegará muito bem em 2022, com grandes chances de ser reeleito, principalmente se seu adversário num possível segundo turno for outro petista, o que é bem provável...

Renato Bulhoes disse...

" (...) As casas congressuais até tentam votar uma agenda positiva e resgatar suas legítimas funções.(...) " .....Foi uma piada de mau gosto ??