segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Sempre seremos medíocres?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marcelo Tramontini

Muitos historiadores apontam como um dos motivos de nosso atraso o fato de nunca termos feito uma revolução de verdade, uma ruptura com o passado com potencial de nos lançar em uma nova ordem, um novo ideal. 

Todas as revoluções ocorridas neste país, por mais paradoxal que possa parecer, nunca tiveram por objetivo fazer alguma mudança e sim conservar o que já existia na sociedade.

A respeito:

“O Estado Neopatrimonial, ao restringir a livre manifestação dos interesses, e ao dificultar, com suas práticas de cooptação, a sua agregação em termos sindicais e, principalmente, políticos, favoreceria, assim, a preservação das desigualdades sociais arraigadas no país” (Vianna, 1999). Para superar o regime vigente, precisaríamos de uma reforma política que abriria o Estado para receber os diversos interesses sociais (maior representação). A mudança deve se dar no plano da modificação institucional, para Vianna. Só assim a geração de instituições modernas por completo seria capaz de absorver as demandas sociais e aumentar a dinâmica política, resultando numa maior igualdade política entre os atores.

O Estado se apresenta como agente da modernização conservadora no Brasil. As elites políticas cooptam novas elites, fazendo do Estado a sua “casa” e, assim, evitando processos convulsionais na sociedade. A ideia de revolução passiva está relacionada com esta dinâmica. “Sobretudo, aqui, qualificam-se como revolução movimentos políticos que somente encontraram a sua razão de ser na firme intenção de evitá-la, e assim se fala em Revolução da Independência, Revolução de 1930, revolução de 1964, todos acostumados a uma linguagem de paradoxos em que a conservação, para bem cumprir o seu papel, necessita reivindicar o que deveria consistir no seu contrario - a revolução”. 

(VIANNA, L. W. A revolução passiva. Iberianismo e americanismo no Brasil. Rio de Janeiro: Revan, 1997.) 

A falta desta revolução, desta ruptura nos fez continuar a conviver cordialmente e ao mesmo tempo com o tradicional (o atraso) e o moderno. Isso explica um pouco por que no Brasil tudo é tão paradoxal. Porque temos tanto progresso em algumas áreas e tanto atraso em outras. Porque queremos um coisa para o país, mas no dia a dia fazemos o oposto para conseguir tal desiderato.

Penso que as recentes decisões do STF e as movimentações do Presidente da República vão nessa linha de reacomodação dos interesses que sempre vigeram neste país.

O que estão pensando em Brasília? Talvez seja isso: a Lava jato já cumpriu seu papel, daqui pra frente as coisas serão um pouco diferentes, não tem porque prender esses vários empresários e políticos, que foram pegos "de surpresa". A corrupção diminuirá um pouco e tudo continuará mais ou menos como sempre foi.

Assim vamos caminhando lentamente para o futuro e sempre seremos um país de poucas mudanças. Sempre seremos medíocres.

Marcelo Tramontini é Juiz de Direito em Rondônia.

2 comentários:

Sérgio Alves de Oliveira disse...

Caro Dr.Marcelo: Na esteira de "turbulência" do seu fantástico texto,eu tomaria a liberdade de enriquecê-lo com outro maravilhoso artigo publicado aí mesmo no "Alerta Total",quase no mesmo sentido. Foi publicado em 2015,por Otacílio M. Guimarães,sob título "COMO TEM IDIOTA SOLTO NESTE BRASIL". Infelizmente o Brasil perdeu o Otacilio para a Austrália,numa espécie de auto-exilio,lá por 2005,que fugiu da tragédia que o PT iria instalar ,e de fato instalou.Apesar da distância,Otacilio continuou a trabalhar muito pela "limpeza" política no Brasil,e na última visita que nos fez , acabou morrendo na Bahia, em "7 de Setembro" corrente. Otacilio foi o maior patriota que conheci. Foi uma pena o Brasil perdê-lo. Resumidamente,se formos na conversa dos políticos,o Brasil jamais sairá da "merda". Temos que colocar o dedo nas suas feridas,como V.Excia e o Otacílio fizeram.

Anônimo disse...

Anônimo disse...
Hoje em dia, já tem aplicativo até pra analisar a cor do cocô; Porque a gente precisa de uma centena de "iluminados" para decidir pelo povo, em vez de ter um aplicativo que por voto crie (altere) uma lei a cada 3 meses (+ ou -), exigindo-se um mínimo de 58 milhões de votos para cada nova (alteração) lei.
29 de setembro de 2019 19:22

Anônimo disse...
Kkkkkkk! Que nem na ultima eleição?
29 de setembro de 2019 19:51

Anônimo disse...
29 de setembro de 2019 19:22 e respondendo ao zénonimodas 29 de setembro de 2019 19:51

Na ultima eleição, no estado de São Paulo, o povo foi obrigado a escolher entre o doria e o márcio frança; ou seja, só o povo é capaz de criar uma lei que permita candidatura avulsa (sem partido). FHC e lula nunca permitirão isto.
29 de setembro de 2019 21:08