sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Sérgio Moro e Deltan Dallagnol têm obrigação de renunciar




Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Milton Pires

Numa Democracia, o fundamento de toda Teoria Política, de toda Ciência Social capaz de fazer análise da vida pública, é a representação. O Governo de Jair Bolsonaro não mais representa a vontade e as aspirações de seus cinquenta e oito milhões de eleitores. 

Em nove meses de governo, Bolsonaro cercou-se daquilo que existe de mais podre, de mais baixo no meio político brasileiro. Levou para dentro dos ministérios os mais notórios estelionatários, cometeu nepotismo, traiu promessas e frustrou esperanças.

Ele o fez no Ministério da Saúde, na Polícia Federal e vai fazê-lo hoje com a nomeação do próximo Procurador Geral da República. Ele o fez ainda quando se negou a vetar completamente o mais nojento e absurdo projeto de lei já elaborado por uma Democracia Ocidental – o Projeto de Lei de Abuso da Autoridade.

Ao cometer todos estes atos, Bolsonaro sempre sustentou que o “bom é inimigo do ótimo”, aterrorizou apoiadores perguntando se eles queriam a “volta do PT” e fez da ideia da “política no mundo real” e do “pragmatismo” a justificativa para as maiores barbaridades.

Estas linhas, por sua vez, devem terminar aqui no que diz respeito à análise ética do Governo Bolsonaro e à dimensão moral de suas atitudes. Elas (as linhas) vem à luz numa época em que impera a interpretação positiva da Ciência Política que aspira ser “livre de todo juízo de valor” para ser exata. Tal Ciência, eu uma vez já o disse, nada mais é do que a mistura de Maquiavel com matemática, com a histeria positivista da metodologia científica, e veio ao mundo através da obra de Max Weber.

Vamos ao que importa – o procurador Deltan Dallagnol e o Ministro Sérgio Moro tem obrigação moral de renunciar. Podem e devem fazê-lo. Podem porque já fizeram tudo que tinham que fazer. O Brasil reconhece e é grato. Devem porque não podem trair, não podem desfazer o que já fizeram, dando aspecto de legalidade a um Governo CORRUPTO que pretende destruir a Operação Lava Jato a qualquer custo e abandonar a sociedade brasileira a si mesma.

A renúncia de Moro e Dallagnol, caso ocorra, é a maior lição, a maior aula de civilidade e de republicanismo que os dois podem deixar a uma sociedade que acreditou ser capaz de transformar-se saindo às ruas aos domingos com camisetas de sua Seleção de Futebol – não deu certo.

Não foi suficiente para mudar a Nação. Nem mesmo o Impeachment de Dilma e a prisão de Lula foram suficientes e não, não adianta dizer que “pelo menos já foi um começo” - não foi “começo” de coisa alguma!

Está na hora do Brasil perceber que não deu certo e não foi suficiente e que a renúncia de Moro e Dallagnol é o caminho para este processo de conscientização.

Há inúmeros argumentos que podem, imediatamente, ser levantados pelo leitor atento e que são radicalmente contra aquilo que eu escrevi.

O primeiro deles é de que isso é derrotismo, e é favorecer a “volta do PT ao Poder”. O PT jamais saiu do Poder; saiu só do Governo e, ainda assim, parcialmente. Sobre esse argumento nada mais é necessário dizer.

O segundo argumento é que a Operação Lava Jato é a última manifestação do Estado de Direito no Brasil. Isso também não é verdade: a Lava Jato é a manifestação do FIM do Estado de Direito no nosso país. Ela só nasceu porque o Estado de Direito morreu. Gilmar Mendes, só para citar um exemplo, PROVA isso que eu disse todos os dias e ainda assim as pessoas insistem com essa bobagem de “Estado de Direito”.

Raquel Dodge, esta semana, fez a mesma coisa. Ontem, todos os procuradores da Força Tarefa da Lava Jato em Brasília renunciaram e, ainda assim, as pessoas continuam com essa bobagem de falar em “Estado de Direito”.

O terceiro argumento, o argumento “ad hominem”, é o da covardia. É a ideia de que um grande homem é aquele que na política é capaz de sobreviver às situações como aquela que passam, neste momento, o procurador Deltan Dallagnol e o Ministro Sérgio Moro. Não concordo: refuto tal ideia afirmando que toda grandeza de um homem dentro da vida política deve ser medida pelo seu desapego e pela sua capacidade de renúncia no que diz respeito a ideia de trair-se, de violar a si mesmo e tudo aquilo que ele acreditava antes.

O quarto e mais importante de todos os argumentos contra renúncia de Deltan e Moro é aquele que diz que, “em política, o ótimo é inimigo do bom”.

Pouca gente é capaz de perceber que a ideia de que o ótimo é inimigo do bom não passa de uma frase de efeito, de uma máxima utilitarista que não define NEM aquilo que é ótimo e NEM o que é bom e que, considerada ad eternum, pode muito bem ser transformada na ideia de que “o bom é inimigo do possível” e que, àquele que detém o Poder numa Democracia, só o “possível” é digno de interesse.

A maior mentira, a maior tragédia da Filosofia Política jamais elaborada até hoje, é aquela que diz que “fora da Democracia não há salvação”. A Ministra Cármen Lúcia, que já foi presidente do STF, repetiu este horror mesmo sabendo que é fora da Justiça que não há salvação, mesmo consciente, como afirmou Marco Túlio Cícero, de que antes do Poder vem o Direito!

Bolsonaro está se transformando num autocrata. Vagabundos Petistas insistem em chamá-lo de “fascista” mesmo quando, em transe religioso, ele se ajoelha na frente de um estelionatário qualquer que se apresenta como “Bispo” (seja lá o que isso signifique) Evangélico. Gostaria, eu já disse uma vez, de ver Benito Mussolini se ajoelhando na frente do Papa!

Mesmo sem fascismo algum, o Brasil está criando um monstro que vem se locupletando, se aliando às organizações criminosas que tomaram conta do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Não é isso que o povo brasileiro esperava dele e não é a “mão por cima”, a leniência, que ele espera de Sérgio Moro e de Deltan Dallagnol.

Ao renunciarem, ao apresentarem claramente à Nação os motivos de sua renúncia, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol podem fazer com que a sociedade brasileira volte às ruas e exija dos marginais que a representam nos três poderes um mínimo de respeito.

Vamos ver se eles vão ter essa bravura, essa coragem e essa grandeza de espírito. 

Milton Simon Pires é Médico. Editor do Ataque Aberto.

12 comentários:

Anônimo disse...

Parece que o articulista ainda não entendeu as estratégias no jogo de xadrez do presidente Bolsonaro. Esperemos que a esquerda também não entenda, até ser derrotada.

Vanderlei Lux disse...

Milton Simon Pires sempre um primor de ler!

Me lembro de Milton na batalha da vida dele contra o petismo. Perdeu tudo! Absolutamente TUDO! Só escapou com a vida.

Me identifico com o Milton. Também fui vítima dessa seita religiosa demoníaca, mas consegui escapar com vida, arruinada, mas viva!

Só a inocentada útil e inútil dessa colônia chamada Brasil é que se RECUSA a enxergar o óbvio ululante que desfila diante de seus olhos: o Brasil é A MAIOR COLÔNIA do mundo, explorada cruelmente e ad eternum, por toda a sorte de grandes, médias e pequenas potências que estão se lixando para o sofrimento de povos alheios.

O 'grito do Ipiranga', aqui, foi só um grito.

Agora o ÓBVIO: Bolsonaro escolheu Aras para a PGR para salvar a pele do filho (ou DOS filhos), e muito provavelmente, para salvar sua própria pele também. Não tinha escolha, apesar de ter escolhido Aras FORA da lista tríplice, corroborando assim que podia ter escolhido QUALQUER UM! Só a inocentada útil e inútil é que se recusa a enxergar esse óbvio que salta diante dos olhos como uma serpente que dá o bote.

Só quem testemunhou os petistas médios e graúdos (não falo de mortadelas, pelamordedeus!) FESTEJANDO a escolha de Aras é que pode entender o significado dessa lambança toda em que estamos metidos.

Pobre Brasil. E isso que eu nem toquei no assunto daquele 'gesto simbólico' de Bolsonaro ter se ajoelhado diante daquele patife 'evangélico'. Me causa náuseas lembrar daquilo. Melhor esquecer!

Eu só discordo com o Milton sobre a questão da renúncia de Moro e Dallagnol: ambos estariam correndo risco de vida se fizessem isso. Se nem a facada no próprio presidente da república foi solucionada, que dirá em um ex-ministro que voltou a vida civil e foi esfaqueado na rua?

Anônimo disse...

Este texto foi um dos piores que li ate hoje. Vou deixar de acessar o blog ataque aberto, do autor deste besterol. Moro e Dallangnol fora é o que esquerdeopata mais deseja. Este texto jogou sujo.

Anônimo disse...

Este texto foi um dos piores que li ate hoje. Vou deixar de acessar o blog ataque aberto, do autor deste besterol. Moro e Dallangnol fora é o que esquerdeopata mais deseja. Este texto jogou sujo.

Anônimo disse...

Milton Simões Pires diz que Moro e Dalagnol devem RENUNCIAR. Renúncia tem como sinônimos FUGA, SAÍDA, DESERÇÃO. Sendo assim, Simões Pires tem sorte por ser médico, pois por suas palavras ele não nasceu para ser um militar e nem tem espírito patriótico necessário a um militar em uma batalha, pois um comandante militar NUNCA ACONSELHA A DESERÇÃO a um soldado, muito pelo contrário, os incentiva para a batalha e a lutar até a morte se necessário for, como fez o general Osório numa batalha decisiva, onde ele disse: sigam-me os que forem brasileiros! Uma deserção é o fim da carreira, da honra, é o maior simbolo da covardia e muitas vezes até da vida para um soldado!

Anônimo disse...

Milton Simões Pires diz que Moro e Dalagnol devem RENUNCIAR. Renúncia tem como sinônimos FUGA, SAÍDA, DESERÇÃO. Sendo assim, Simões Pires tem sorte por ser médico, pois por suas palavras ele não nasceu para ser um militar e nem tem espírito patriótico necessário a um militar em uma batalha, pois um comandante militar NUNCA ACONSELHA A DESERÇÃO a um soldado, muito pelo contrário, os incentiva para a batalha e a lutar até a morte se necessário for, como fez o general Osório numa batalha decisiva, onde ele disse: sigam-me os que forem brasileiros! Uma deserção é o fim da carreira, da honra, é o maior simbolo da covardia e muitas vezes até da vida para um soldado!

Anônimo disse...

Uma das Eeestorias que meu avô contava; era que dava muito trabalho tirar do caminhão da frente de batalha, os soldados que morriam (literalmente) de medo ao ouvirem (e sentirem) os estrondos das bombas. PS: Na primeira guerra ele era tenente do regimento 89 (Adolf Hitler era um soldado entregador de cartas do regimento 87). https://www.youtube.com/watch?v=Iebj8BYlCFc

Cesar disse...

Texto muito fantasioso e, como são fortes os ataques ao governo, parece coisa de petista... Mas também há ataques ao PT e, portanto, parece mais texto de pedetista... Eu continuo apoiando o novo governo, pois a grande maioria das decisões de Bolsonaro eu concordo... Alguns erros aqui ou ali são normais...

richard smith disse...

Há muito tempo na sigo mais este babaca ressentido!

Seria melhor o "Andrade"?!

Anônimo disse...

Bolsonaro expôe-se como uma das maiores impulhações da História brasileira, só perde pro Tancredo e pro Collor!

Anônimo disse...

Não é a renúncia deles que resolverá o problema do Brasil.
Tudo bem,renunciaram...O Brasil continuará o mesmo, e você logo arranjará outro mártir para sacrificar....

Anônimo disse...

A respeito da escolha de Augusto Aras, lembro que Olavo de Carvalho disse que não importa sua orientação politico-ideológica, mas a quem você obedece.