quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Califórnia Brasileira


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Fábio Chazyn

Existe uma Sudene na Califórnia? Sim, mas é só nome de avenida. Não é uma agência de desenvolvimento do semiárido de lá, mas poderia ser porque eles, juntamente com os israelenses, detêm a chave-do-sucesso.

A nossa Sudene nasceu pelas mãos do JK e do Celso Furtado e morreu nas mãos do FHC de ‘corruptite crônica’, também conhecida como ‘indústria-da-sêca’, ‘voto-cabresto’, ‘clentelismo’ ou ‘coronelismo’. Alcunhas tergiversantes do mesmo tema inspirado no impatriotismo de alguns vilões nordestinos.

Os abusos contra o sofrido povo nordestino vêm de longe. Um dos mais emblemáticos é o quase bicentenário projeto de transposição do rio São Francisco iniciado na pena do imperador D. Pedro II.

Nascido no coração da Paraíba, em pleno semiárido nordestino, Furtado fez do tema uma obsessão de vida. Teve a sorte de morrer sem viver o último ataque rapinante lulista que conseguiu desviar mais de R$ 5 bilhões do Velho-Chico. Entra-governo-sai-governo e nada de terminar o projeto da redenção do nordeste brasileiro que, entre as obras faraônicas, lembra mais a desastrada Transamazônica do que as suas bem sucedidas Pirâmides.

Como outros da mesma escola de pensamento, o keynesiano Celso Furtado sucumbiu ao monetarista Milton Friedman, apesar da insistência em apontar as causas estruturais do subdesenvolvimento. Se hoje ainda estivesse entre nós, diria com sabedoria que “enquanto não se colocar gasolina no carro, não dá pra regular o motor!”

Friedman teve seus momentos de glória. Mas, tudo passa. Nos quatro cantos do mundo vamos vendo surgir um neo-desenvolvimentismo. É sintoma da necessidade de reequipamento dos grandes blocos tecno-comerciais polarizados entre os Estados Unidos e a China. Esta, obstinada na construção da Nova Rota da Sêda e do cinturão de países cooptados na sua cadeia-de-valor. Os Estados Unidos, por sua vez, na sua luta para preservar os seus satélites conquistados a duras penas nas guerras do século XX.

O Brasil, como não pode optar por sair do planeta Terra, não tem alternativa além de fazer a sua lição-de-casa. Tem que encontrar seu lugar-ao-sol e, para isso, tem que fazer suas alianças geopolíticas e conquistar posições superiores nestas cadeias de integração de mercados.

Sem nos alinharmos a grupos de países com uma visão de longo-prazo, corremos o risco de ficar correndo atrás do próprio rabo, sem avançar. Não podemos nos limitar a sermos exportadores primários, tapando buraco-do-caixa e produzindo só o que os compradores querem comprar, sem perseguirmos um plano estratégico do que queremos ser no futuro.

Precisamos desconcentrar as nossas cidades superhabitadas e suas deseconomias de escalas. Temos compromisso com a melhoria da nossa qualidade-de-vida, nossa casa, nosso bairro, nosso ar, nosso lixo, nosso trânsito, nossa escola, nossa segurança, nossa saúde, nosso emprego, nosso lazer, nosso futuro. Não podemos continuar empolerados nas grandes concentrações do sudeste do País.

Seria uma irresponsabilidade continuar passando o pires para financiar uma infraestrutura para estocar e escoar produção agrícola ou mineral sem, estrategicamente, focar na transformação da produção para agregação de valor e na reversão do fluxo migratório com uma ocupação do nosso imenso território, com mais humanismo, “à la” Celso Furtado, atacando os gargalos estruturais; promovendo o equilíbrio setorial e regional.

O desenvolvimento regional includente e sustentável foi, para Furtado, e continua sendo para nós 60 anos depois da criação da Sudene, a base da integração do nordeste na economia nacional e internacional. Olhamos para a era JK com saudades e admiração pela ousadia da meta de realizar 50 anos em 5 e nos perguntamos se temos alternativa para não tentar de novo.
Estamos prestes a ocupar uma posição geopolítica invejável com a ida do filho do presidente para a embaixada de maior prestígio no Planeta. O que é que podemos tirar disso?

Os Estados Unidos tem a chave da porta do desenvolvimento regional equilibrado. Nossas semelhanças são gritantes. Os tantos anos que lhes foram necessários para desenvolver o seu semiárido podem nos ajudar no nosso atalho para realizar os nossos próximos 50 em 5. 

Da nossa perspectiva de alinhamento geopolítico, com um ôlho na integração da cadeia-de-valor puxada pelos Estados Unidos e o outro ôlho no privilégio de ter um Bolsonaro em Washington e outro Bolsonaro no Brasil, nos faz sonhar em abrir a porta da Califórnia Brasileira.

Fabio Chazyn, empresário, engenheiro, cientista político, mestre em história econômica pela London School of Economics e escultor.
Autor do livro: “Consumo Já!” – Por um Novo Itamaraty (2019) - fchazyn@chazyn.com

6 comentários:

Não há culpados, mas responsáveis. disse...

Todo mundo sabe que esse Macron come cocô, quando não é ele o próprio.

Mata Viva disse...

30 ANOS DE COMUNISMO, 9 MESES DE GOVERNO E JÁ QUEREM TUDO RESOLVIDO, É O FIM DA PICADA,

Anônimo disse...

É preciso aprender com os erros dessa ocupação, pois algo deu errado: a Califórnia está afundando pelo uso excessivo de seu lençol freático.

Fabio Chazyn disse...

Sem errar, nao se aprende...

Anônimo disse...

Atenção: Nibiru está modificando a Terra (olhos no céu)
https://www.youtube.com/watch?v=rdRkRd1DVh0


11 mil cientistas se reúnem e decretam: "Temos pouco tempo" (olhos no céu)
https://www.youtube.com/watch?v=BfZqk_aqQmI

Anônimo disse...

Urgente! Yellowstone está aquecendo o solo da Califórnia, diz geólogo! (olhos no céu)
https://www.youtube.com/watch?v=9sHpafLPyrM