segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Em cartaz uma suprema corte perto de você


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

Desde criança, (e isso faz muito tempo), sou fascinado pela sétima arte como definiu em 1912, Riccioto Canudo em seu Manifesto das Sete Artes, atualizando a lista de Hegel que considerava apenas seis.

Se alguém duvida da definição de Riccioto, basta assistir “Ladrões de Bicicletas” de Vittorio de Sica ou “Morte em Veneza” de Visconti. Os italianos, mais do que ninguém, entendem dessas “coisas”.

Tanto que reputo ao cinema parte importante de minha educação, rivalizando com os livros, a escola e até mesmo meus pais (que também eram apaixonados pela magia da tela prateada).

Assim, cansado da nefasta realidade que assola os dias atuais com pesadelos judiciários e políticos, resolvi dar folga a meu cérebro, pelo menos uma vez por semana e reservar um tempo para assistir novamente obras em celuloide (alguém hoje lembra, de que eram feitos os filmes?), que de uma ou outra forma marcaram minha vida e ajudaram a moldar meu caráter. 

São tantas, que não vou perder tempo aborrecendo meus leitores com uma lista que daria um livro.

Só estou me referindo a isso, porque como parte de meu projeto de descanso cerebral, assisti no último final de semana, um “Western” que me marcou muito pela direção de arte e história fora dos padrões quando da primeira vez o assisti, com vinte e seis ou vinte sete anos.

High Plain Drifter” de 1973, dirigido e estrelado por Clint Eastwood. Um filme que vai além do que o olho alcança desvendar.


Nele havia uma pequena cidade do velho oeste a beira de um imenso lago azul, onde todas as casas, incluindo a igreja foram propositalmente pintadas de vermelho e na placa colocada no caminho que levava a ela com o nome do local, onde originalmente se lia: Lago City, agora estava escrito Hell (Inferno).  

O enredo trata de um xerife morto brutalmente a chicotadas por três bandidos em frente à toda a população da cidade, que, acovardada, não esboça nenhuma reação diante da violência contra o representante local da lei.

Eles vão pagar pela covardia com suas vidas.

O cinema dá exemplos.

Alguns se inspiram com o Batman, mas infelizmente outros encontram no Coringa seu “role playing model”. 

Era para ser diversão, mas foi mais uma lição.

Depois da vitória dos bandidos reais, garantida pela decisão do STF, diante da prepotência do presidente, dessa hoje podre instituição que se posiciona claramente como uma “Stasi” da corrupção, pedindo a Unidade de Inteligência Financeira, informação das movimentações financeiras de mais de seiscentos mil brasileiros (pessoas físicas e jurídicas).

Seu pedido inusitado e ilegal (o que sua excrescência pretende fazer com esses dados?) foi contestado pelo procurador geral da união, o qual levou uma solene banana como resposta da “rainha de copas”. 

Aqui convém esclarecer que qualquer semelhança dos fatos cinematográficos com a realidade vivida atualmente no planalto central, não é mera coincidência, sim um alerta.

Como no filme, que recomendo a todos meus leitores, estamos assistindo ao assassinato da justiça, da ordem e da moral, boquiabertos sem fazer nada.

Não virá nenhum Clint Eastwood verde e amarelo nos salvar.

Se não fizermos nada, vamos todos morrer vítimas de nossa própria covardia.

Temos uma arma poderosa, a Internet, a estratégia é ligar o computador e disparar sem medo.

Assim, no meio do que deveria ser uma distração, me dou conta que essa corja roubou até meu prazer de ver um bom filme.

Vamos à luta!

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

Um comentário:

sergio soares disse...

Eu já me propus a tomar o Palácio da Justiça e o CN,ao estilo de Gandhi.Mesmo com gás lacrimogênio ou balas de borracha,não conseguirão parar a polulação,desde que essa esteja em bom número e unida.Não terá preço para o cidadão decente um novo recomeçõ para o Brasil,através de uma nova e enxuta constituição(sugiro que copiemos a americana até lá).