quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Império da Indignação – Versão Macabra


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Fábio Chazyn

O erro de julgamento produz perda de tempo e ameaça a vida, nosso maior capital.

Quem não reconhece que o Mundo está entrando numa maré a favor do sentimento nacionalista, vai acabar numa canoa-furada.

É preciso entender que os blocos regionais estão entrando em desuso, enquanto as nações, e mesmo parte delas, se voltam para a sua valorização intrínseca.

É a derrocada do globalismo e a ascensão do patriotismo; da valorização do cidadão pelo cidadão.

Isso é válido para os países desenvolvidos, como para os que ainda derrapam no subdesenvolvimento.

Aqui, como acolá, a esquerda como a entendemos, não pôde ou não quis entregar o que prometeu. Perdeu o trem da história. O seu prazo de validade expirou.

Insistir no que não funciona é perda de tempo e de vidas. Não produz solução, mas só indignação.

É o que a história nos ensina. A França tentou ressuscitar o Napoleão Bonaparte e a emenda saiu pior do que o soneto. Depois de ter tumultuado a experiência republicana que mal emplacava seus dez aninhos, o auto-declarado imperador a levou a embarcar numa aventura ‘globalizante’ que, em meros 13 anos, sacrificou a vida de perto de 1 milhão de pessoas. O placar de vítimas, limitado às fileiras francesas na Campanha da Rússia, passou de 500 mil.

Poucos meses após seu forçado exílio, Napoleão quis ignorar a passagem do tempo investindo em mais 100 dias de Império da Indignação. Essa última versão macabra custou outros 50 mil mortos na batalha de Waterloo...
Tentar repetir o passado é dar chance à repetição do êrro. O ex-líder é ‘ex’ porque errou. Ressuscitá-lo é insistir no êrro. É dar-com-os-burros-n’água. É a experiência malfadada da perda de tempo e de vidas.

No nosso caso, a experiência lulista colocou o placar napoleônico no bolso. Nos 13 anos de poder, atolada na aventura da Ursal – União das Repúblicas Socialistas da América Latina e em outros fronts ‘globalistas’ bolivarianos, a nossa “esquerda” conseguiu muito mais baixas e condenou o resto que sobreviveu às masmorras da miséria e do desalento.

A decisão do reclamante de guardião da nossa Constituição em ressuscitar o caudilho tupiniquim está predestinada a dar na mesma. O STF quis compatibilizar coerência da moribunda Carta Magna com subserviência ao mecenas da maioria do seu corpo decisório.

Pecou por não aceitar que “para ganhar mais dinheiro, não se transforma o país num puteiro; que não se pode fazer o futuro repetir o passado porque o tempo não pára, não, não pára”, como nos canta o poeta popular.

Só produz indignação e convulsão. Sacrifica o tempo e vidas.

Afinal, a vida é meio ou fim? É o meio para poucos que usam as dos outros para ascender ao poder ou a preservação da vida de todos é o objetivo precípuo do poder? Qual é o sentido da vida?

A pergunta vem sendo feita desde sempre. De que temos notícia, já há mais de 2.500 anos. Lá nos idos 600 antes de Cristo, aquele que conhecemos como sendo um dos poucos profetas que falaram com Deus diretamente, o Ezequiel, alertava os judeus exilados na Babilônia que a vida e a liberdade só terá sentido quando o indivíduo reconhecer o seu papel na sociedade. Que para consertar uma nação corrompida não basta reformá-la porque os mesmos vícios tendem a se repetir. Que para realizar um projeto de sociedade justa e fraterna é preciso começar pela reconstrução do cidadão.

De lá para cá, todos os pensadores bem intencionados têm dito a mesma coisa. O cidadão é a célula da Nação. Se a célula se corrompe, o tecido se corrompe. Não há nação próspera e soberana sem patriotas.

Repetir as experiências fracassadas ressuscitando caudilhos populistas do tipo ‘deixa-comigo-que-eu-resolvo’ vai ser sempre um retrocesso predestinado à perda de tempo e de vidas.

Se essa nova investida vingar, vai ser a nossa versão macabra do Império da Indignação!

Fabio Chazyn, empresário, engenheiro, cientista político, mestre em história econômica pela London School of Economics e escultor. Autor do livro: “Consumo Já!” – Por um Novo Itamaraty (2019) - fchazyn@chazyn.com

2 comentários:

Anônimo disse...

Os militantes do Judiciário não se comovem com o argumento de que suas sentenças criarão indignação e convulsão. Convulsão é o que a esquerda quer desde sempre para avançar sua agenda. Só serão barrados por ações que os limitem pessoalmente.

Jorge Pinha disse...

Já está claro, para quem consegue enxergar, que o indigitado traidor da Pátria, que se tornou presidente, se trata de um perigoso psicopata, que consegue mentir com o mais deslavado cinismo, inclusive creditando aos que pretendem consertar os estragos perpetrados por ele e seus asseclas, os resultados que estamos colhendo nos dias de hoje.
A sociedade brasileira não pode permitir que esses criminosos voltem ao poder, pois ainda temos um longo caminho a percorrer para retificar todo o mal que foi instalado, pois os resultados serão inimagináveis.
Resumo: lula inimigo do Brasil, deixe o país em paz e vá você sozinho ou acompanhado de seus demônios para o INFERNO, que é o seu lugar!!!