segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Voltei


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

Após curta ausência, eis-me de volta.

Talvez o breve descanso tenha, de certa forma, acalmado (porém sem diminuir) minha indignação perante as atrocidades cometidas pelos detentores do poder na “tribo”.

Então, peço respeitosamente, licença a meus leitores para neste primeiro artigo do ano, ser um pouco mais brando e comentar um pouco sobre o que fiz durante minha ausência deste site no apagar da década (seu último ano).

Em primeiro lugar, reunir-me com meus parentes no RS (maioria dos quais não via há muitos anos) a apenas 53 quilômetros de Marcelino Ramos, cidade onde nasci, apenas 3 anos após esta ter sido alçada à município.

Saí de lá aos seis anos, e andando pelos desvios pelos quais a vida nos leva, vaguei pelo mundo sessenta e seis anos antes de surgir a oportunidade de novamente lá pôr os pés.  

Marcelino Ramos tem hoje aproximadamente quatro mil e quinhentos habitantes, e é um Balneário de águas minerais sulfurosas às margens do Rio Uruguai.

As casas de madeira das quais me lembrava, foram em sua maioria, substituídas por outras mais modernas de alvenaria. Hotéis com todas facilidades de cidades maiores, abrigam turistas que vem dos mais diversos rincões do país, para usufruir dos benefícios de suas águas curativas.

Dito desta maneira, parece que tudo  vai bem, mas não se trata da verdade, cidades do mesmo porte ou até menores, nos arredores ao longo do tempo, souberam aproveitar muito melhor seus recursos e crescer a taxas absurdamente superiores.

Convidado pela rádio Salette 1090 AM para uma entrevista e para um jantar e palestra pela ACIMAR e ASCOBOL (respectivamente Associação Comercial e Industrial de Marcelino Ramos e Associação dos Comerciantes do Balneários de Marcelino Ramos) tive a oportunidade de ver que os anos não somente mudaram a mim. O outrora caudaloso rio da minha infância, hoje é um plácido lago cativo domado por uma represa.

A estação ferroviária que era a entrada para o estado e trazia progresso, tem seus trilhos cobertos por grama e ervas daninhas, lembrando o rosto descuidado e rugoso de um velho, cuja memória cansada fez com que esquecesse de se barbear.

A cidade que foi berço da fábrica das carrocerias frigoríficas mais conhecidas do Brasil, (a Recrosul) encontra-se estagnada depois de sucessivas administrações petistas.

Diferente da cidade, nem o tempo nem os sucessivos assaltos praticados pelos partidos de esquerda que roubaram nosso país nos últimos pelo menos trinta e três anos, me domou.

As eleições deste ano são a oportunidade de virar as coisas e colocar Marcelino Ramos no lugar que merece. Vamos aproveitar de que, finalmente temos um presidente consciente da necessidade de ferrovias e envidar esforços junto ao Governo Federal para reativá-la.

Melhorar as estradas de acesso, duplicando suas pistas, como a que vem de Erechim, “Capital do Trigo” que terá na ferrovia, uma alternativa barata para escoar a expressiva produção de soja e trigo da região para o sudeste e os portos dos quais partirão para alimentar o mundo.

Para o progresso voltar, basta saber votar, (saberia exatamente em quem votar, se lá o fizesse) não vou dizer em quem por discrição.

Já em São Paulo, há dois dias atrás, decidi meu candidato: Dr. Antônio Ribas Paiva, posso falar com o orgulho de conhecê-lo e compartilhar de seus sonhos.
Mas como tocamos novamente em Erechim, (cidade cujo um dos fundadores foi meu avô materno) estive, mais uma vez, no lugar onde costumava ir quando criança. Uns trezentos metros à esquerda da casa de minha tia, escondido por uma pequena mata de “Pinus Araucária” que impedia aos comuns mortais divisar o que estava por trás dela: um vale a uns mil metros abaixo que se estendia até o horizonte.

Ali, na encosta íngreme, havia uma imensa pedra com um corte em forma de concha em seu topo. Nela, a concha na pedra equilibrada na beira do vazio, eu com menos de dez anos me sentava como em um trono, por horas, observando as nuvens e suas sombras movendo-se por sobre os campos cultivados abaixo, até a vista perder-se num horizonte verde azulado esfumado.  Lá muitas vezes, sonhei com meu futuro e o do mundo.

Nunca me ocorreu o valor imobiliário que poderia ter um lugar assim. A alguém ocorreu.

Hoje é um condomínio “chic”, chamado “Estar do Chile” (Não me perguntem qual a ideia do E, antes de star, não sei e ninguém soube me explicar).  Uma mini Beverly Hills gaúcha. 

A pedra desapareceu para dar lugar a mansões modernas, cujos donos podem todos os dias, desfrutar de uma vista divina que em um tempo passado foi só minha.

Tudo mudou, mas o horizonte continua lá, e isso é tudo que interessa agora e sempre.

Ficam aqui meus  agradecimentos  à todos meus primos que tive o prazer de rever, em especial ao Marco Antônio Groch  (que me  ciceroneou durante todo o tempo) e à Clau sua companheira  (a mais nova  integrante do clã),  que me ajudou a escolher a cuia de Porongo (como deve ser),  a bomba e a melhor marca de mate,  para presentear meu amigo  Pedrinho  que  faz comigo o “ Três Neurônios” no You Tube.


Ao Nilton e a Vanda Groch, assim como seus filhos por compartilharem comigo e minha mulher um típico e afetuoso “réveillon” polonês

Me aguardem na próxima semana sem “firulas” e com a corda toda.

Pilantras do governo, acautelai-vos.

Voltei!

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

Um comentário:

Unknown disse...

Fique muito feliz com o seu comentário sobre a nossa terrinha,pois também sou oriundo de lá e moro em Caxias do sul,onde sou medico a 40 anos, e sou da familia chalela que foi proprietária das Casa Uruguai,muito me tocou a sua crônica,