segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

A perturbadora conexão entre Lula e o Papa



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Estevão de Luna Freire

A visita do ex-presidiário Lula ao Papa foi noticiada por todos os jornais italianos. “Il Giornale” do dia 13 informava “Papa Francesco Abraça o Pluri-Condenado Vermelho Lula”; o texto é bastante fiel: Para ser recebido hoje por Francesco, Lula havia solicitado através de seus advogados uma permissão especial ao juiz Ricardo Leite, do décimo tribunal federal de Brasília. Sim, porque o pluri-condenado e protetor por anos do ex-terrorista Cesare Battisti, teria que ser interrogado anteontem, o dia em que ele partiu para o Vaticano, em um dos oito julgamentos em que é acusado. 
A chamada "Operação Zelotes", na qual o ex-presidente é acusado de ter feito favores às indústrias automobilísticas por meio de decretos legais em troca de "doações" milionárias ao seu partido, o PT. A nova data do interrogatório de Lula foi marcada para 19 de fevereiro em Brasília, porque Leite acreditava que o adiamento "não atrapalhava o andamento do julgamento". Ontem, o juiz interrogou Gilberto Carvalho, ex-ministro da presidência de Lula, ex-seminarista e muito próximo da teologia da libertação.

O mesmo jornal, no dia 16, traz o título “Torregiani: Incompreensível o Abraço do Papa a Lula”: “Que ele seja recebido de braços abertos, abençoado pelo guia espiritual do cristianismo, aquele que por definição política e humana é em essência o exato oposto de todo pensamento cristão; não, isso vai além de todo pensamento razoável”. Com essas palavras, escritas em seu perfil no Facebook, Torregiani destaca seu desânimo e amargura pelo gesto dirigido a um político que, para ele, era o oponente à necessidade de justiça que, como filho de uma vítima de terrorismo, é prioritária. E naquele atentado, ele também ficou gravemente ferido e forçado a ficar em uma cadeira de rodas.

“Secolo de Italia” do dia 14, sobre o mesmo tema: Um encontro que provocou a ira do Observatório Nacional da Verdade Histórica Anos de Chumbo. “Um mundo mais justo e fraterno”. Estas são as palavras que Lula tuitou na internet sobre sua conversa com o Papa Francesco. Mas já pensou se a maneira como zombou da dor das vítimas de Cesare Battisti tenha sido justa, compassiva e fraterna? É quanto sublinhado por Potito Perruggini, neto de Giuseppe Ciotta, policial morto em 1977 pelos terroristas vermelhos. E atual presidente do Observatório Nacional da Verdade Histórica Anos de Chumbo.

“Il Messaggero” do dia 12 relatava: Enquanto isso,  Lula - que sempre se declarou inocente - está se organizando e quer se candidatar às próximas eleições. Em sua primeira parada estrangeira em Roma, onde chegou para visitar o Papa com quem teve uma conversa confidencial de 1 hora e quinze. Nenhum detalhe foi vazado. Bocas costuradas e portas fechadas. Apenas duas fotografias postadas no Twitter por Lula para uma viagem cheia de polêmica e várias perguntas. (...) Então ele tornou ao carro e foi à sede da CGIL para encontrar "velhos amigos". Também neste caso a visita era blindada e ninguém podia entrar, exceto os convidados. Lembramos que a CGIL é a organização sindical de matriz esquerdista, é a CUT italiana, aliás a inspiradora da própria CUT.

O jornal católico “Avvenire” no dia 13 anunciava: Antes de partir - hoje -, Lula quis saudar os “amigos sindicalistas de quem aprendi muito. O sindicalismo italiano foi uma grande escola ", disse o ex-líder dos metalúrgicos.

“Avvenire” em artigo assinado por Lucia Capuzzi no dia 15 deixa claro as intenções políticas do Papa e relata: O próprio Lula - que também se inclina a autocelebração não mencionou seu caso judicial em relação ao encontro com o Papa. Na verdade, a reunião deve ser lida à luz do que o então cardeal Jorge Mario Bergoglio disse ao arcebispo de Havana, Jaime Ortega, algumas horas antes da eleição para o trono papal: em um momento de mudanças cruciais para a América Latina, a Igreja não pode permanecer a observar; muito menos a enfrentar a situação externamente, expressando críticas excessivas. Estes processos devem ser acompanhados de dentro através do diálogo.

No Brasil ultra polarizado, dilacerado por conflitos sobre a terra, marcado pelo avanço de seitas evangélicas - apoiado pelo próprio Bolsonaro, apesar de se declarar católico – o diálogo é necessário. E mais: urgente. E a Igreja não pode, não quer escapar deste desafio. Lula, o grande mestre da manipulação e da mentira, encontrou o Papa, o qual coloca suas convicções esquerdistas no topo da sua agenda eclesiástica, para lhe dar visibilidade e apoio para que ele possa atingir os seus mais espúrios objetivos.

Milano, Italia, 20/02/2020

Estevão de Luna Freire é Engenheiro aposentado e cineasta.

Um comentário:

Anônimo disse...

Já li na internet que Lula poderia ser maçon por usar muito o vocativo "companheiro" (segundo grau da maçonaria). https://www.sinaisdoreino.com.br/?cat=1&id=10475