segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Por onde anda o “non ducor duco”?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

À distinção do dr. Martin Luther King, que em 1963 teve um sonho; em uma dessas noites eu, tive um pesadelo.

A cidade da garoa, na qual cheguei vindo do Rio Grande do Sul aos dez anos, onde nos finais de semana, homens de terno e gravata, calçando brilhosos sapatos de couro da Clarck, passeavam com suas mulheres vestindo finos “tailleurs” e chapéus, de mãos dadas com seus filhos pelo viaduto do Chá.

A São Paulo das manhãs de domingo, nas quais com meu pai, no Teatro Municipal, assistia de graça aos “Concertos Para a Juventude”, programa de incentivo à cultura custeado pela prefeitura.

Das calçadas com o mapa estilizado do Estado de São Paulo, criadas pela arquiteta Mirthes dos Santos Pinto, vencedora de um concurso nos anos sessenta, instituído pelo prefeito de então, João Vicente Faria Lima.

Para informação do leitor (e indignação do escriba), segundo as regras da competição, a vencedora do concurso deveria receber uma percentagem sobre a metragem de calçadas implantadas. Mesmo tendo seu desenho patenteado, a autora nunca recebeu um centavo por seu trabalho. 

A semente do mal, embora incipiente, já existia naquela época de bondes e desfiles de modas no Mappin e na Clipper.

No pesadelo ao qual me referi no início deste artigo, minha cidade alcançara o futuro e não era mais assim, o finório batedor de carteira se transformara no cruel assassino que mata por dez reais, as lindas calçadas não existem mais e as que existem estão mais esburacadas que a superfície de nosso satélite. A juventude frequenta bailes Funk nas comunidades, turbinada pelas mais diversas drogas que correm soltas e sem censura.

Os criminosos dominavam essa verdadeira Gotham City sem Batman.
Ainda no pesadelo, políticos e burocratas somados à toda espécie de misantropos envolvidos com a corrupção, se banqueteavam como abutres sobre a carcaça que havia sobrado de uma São Paulo imunda.  Pelas ruas, o povo entregue a sua própria sorte, padecia de fome, toda espécie de doenças, vestindo andrajos, habitava os vãos debaixo dos viadutos em ruínas.

Isso não era o resultado de uma guerra ou cataclismo e sim de uma ação bem coordenada de cartéis, que ao longo do tempo foram sugando o dinheiro da prefeitura até transformar o prefeito em simples objeto de decoração.  Um títere de sua pantomina à qual os cidadãos assistem estupidificados.

Acordado, me dou conta que a semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Com nossa apatia política, deixamos que uma realidade próxima ao pesadelo acontecesse?

No que diz respeito à locomoção, deixamos que políticos incompetentes criassem um coágulo formado de ciclovias mal planejadas, faixas exclusivas para ônibus em ruas onde raramente esses trafegam, radares impondo velocidades risíveis (verdadeiros taxímetros para seus bolsos), causassem um verdadeiro AVC nas vias da cidade com o claro intuito de tornar a vida do cidadão um inferno.   Se dependermos da força da juventude para mudar as coisas, estaremos perdidos; o controle social começa nas escolas com o Gramscismo, para o qual Paulo Freire escancarou as portas, jogando no lixo toda uma geração. 

O futuro do Brasil depende de São Paulo e passa pela sua prefeitura, que precisa ser ocupada por alguém que traga nas veias o espírito e ousadia dos bandeirantes para enfrentar os cartéis

Por alguém que resgate em sua administração o lema de nossa cidade: Não sou conduzido, conduzo. 

É chegada a hora de acordar desse pesadelo e a data é 4 de outubro desse ano, elegendo um candidato que tenha o apoio da presidência, o respaldo das Forças armadas e órgãos da Inteligência, para fazer o que é necessário.
‘Imprimatur’!

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

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